Página Inicial   >   out_site

CABIDE MENTAL Um sábado memorável

26/10/2012 por René Zamlutti Jr.

 

A previsão era de que o evento começaria às 14h00 e terminaria às 16h00. Começou às 14h30 e terminou às 18h00, para alívio dos seguranças e do técnico de som da universidade, que, desde as 17h00, nos avisavam que precisavam fechar o prédio para prepará-lo para o vestibular do dia seguinte.
            No dia 20 de outubro, sábado passado, promovemos o seminário Estado de Direito e Violência Policial no auditório do subsolo da Universidade São Judas Tadeu, nocampus da Mooca. Na mesa, presidida pelo professor Sílvio de Almeida (presidente do Instituto Luiz Gama), estávamos eu, o tenente-coronel Adilson Paes de Souza, o Procurador do Estado Luiz Fernando Roberto e o cientista político Frederico de Almeida. Na plateia, alunos de Direito e de Comunicação Social, além dos convidados.
            Os temas das palestras já davam a tônica do tipo de discussão que estava por vir: Estado de direito, violência estrutural e o pensamento conservadora educação em direitos humanos na polícia militarforça policial x violência policial: parâmetros da legalidadeo controle social das polícias na transição para a democracia. Temas complexos que suscitam questões de difícil resolução, para as quais não há respostas simples, certas ou erradas. 

            A violência é inerente à atividade policial? A partir de que momento a força policial se torna abusiva? As abordagens e batidas são feitas corretamente? A polícia deve ser criticada? O treinamento dos policiais é adequado? A violência social é causa ou consequência da violência policial? O policial é algoz ou tão vítima do sistema quanto o marginal que ele brutaliza? Que expectativas a sociedade tem em relação à polícia e como essas expectativas são respondidas?
            Questões relevantes em qualquer sociedade, mas que se mostram fundamentais diante do momento caótico que vivemos, mergulhados numa verdadeira guerra civil em que policiais e bandidos tombam aos montes, diante de nossos olhos perplexos e assustados.
            Não surgiram respostas, nem era essa a intenção. É bem provável que todos tenham deixado o auditório com mais perguntas do que quando chegaram. Mas sem dúvida foi fornecido muito material para reflexão. Para todos nós. Por nós e pelo público presente, que questionou, argumentou, indagou e dialogou com os palestrantes, enriquecendo muito o debate.

 

            A atuação da polícia numa sociedade violenta e desigual como a brasileira, e numa realidade complexa como a de São Paulo, dá espaço, como não poderia deixar de ser, às posturas mais diversas. As ideias mais díspares foram expostas e defendidas, ora com serenidade, ora com paixão. E, sem que percebêssemos, o tempo corria. Até que, diante da crescente angústia dos funcionários da faculdade, o seminário foi encerrado. Nenhum dos presentes queria ir embora. Ainda havia muito a ser discutido – e os debates se estenderam para além do auditório e dos corredores da universidade, já vazios, ganhando os pontos de ônibus, os bancos dos carros, os celulares.
            O mais gratificante de tudo foi ver cerca de 70 alunos de primeiro ano, em pleno sábado à tarde, a menos de duas semanas do início das provas finais do semestre (e, portanto, do ano), presentes, envolvidos, interessados, participantes. Alguns alunos do Direito saíram de outro evento, ocorrido de manhã no campus do Butantã, e correram para a Mooca (nem todos conseguiram almoçar). Um verdadeiro tapa na cara dos cínicos que gostam de repetir o bordão de que a juventude é alienada, não se informa, não participa dos problemas sociais, só pensa em bobagem etc.

 

 

            Para quem não bota fé nessa nova geração, um conselho: cuidado! Vocês nem imaginam o que vem por aí...
            Ao longo dessa semana, muitos alunos me procuraram, elogiaram o seminário e pediram mais eventos dessa natureza. É claro que terão. O prazer é nosso, rapaziada!
            Aos alunos que estavam presentes – e àqueles (muitos) que, embora não pudessem estar lá, demonstraram interesse e pediram mais – uma palavra final: muito obrigado, meus caros! Quando os chorosos de sempre reclamarem dos jovens alienados que não querem saber de nada na vida, eu, o Sílvio, o Adilson, o Luiz Fernando e o Frederico (além de todos os presentes, dentre os quais o professor Roberto Coelho, que ajudou a planejar e organizar o evento) teremos uma excelente resposta para dar.
               Valeu, moçada!

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

RENÉ ZAMLUTTI JR.

René Zamlutti Jr.

 

Procurador do Estado de São Paulo, especialista, mestre e doutor em Direito Constitucional pela PUC/SP e professor da USJT e da EBRADI - Escola Brasileira de Direito. 

Autor do Blog: CABIDE MENTAL

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2019 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br