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Caso Arthur Sendas Leia o depoimento do réu e das testemunhas de acusação

28/11/2008 por Carta Forense

O juiz Wilson Kozlowski, do 1º Tribunal do Júri do Rio, interrogou nesta quarta-feira (dia 26 de novembro) o réu Roberto Costa Júnior, acusado de matar o empresário Arthur Sendas em outubro em sua residência, no Leblon, Zona Sul da cidade. Na mesma audiência, foram ouvidas ainda seis testemunhas de acusação.

O porteiro Fabrício Godoi, que trabalha há 13 anos no prédio em que a vítima morava, disse que não viu o acusado entrando, pois estava na portaria social. Afirmou que avistou Júnior saindo pela entrada de serviço, pegando o carro e indo embora e que, cinco minutos depois, a cozinheira da família, Cláudia, teria ligado chorando e pedido para chamar uma ambulância. Ele contou que, então, retornou dizendo que não havia conseguido a ambulância, perguntou o que tinha acontecido e ela disse que Júnior teria dado um tiro no Sr. Arthur. Ele chamou o segurança e, em seguida, chegou o socorro. Afirmou ainda que era comum ver Júnior nesse horário no prédio e que ele tinha livre acesso ao condomínio.

O pai do acusado, Roberto Costa, relatou que trabalhava para Arthur Sendas há 28 anos, que soube do ocorrido pelo responsável pela segurança, e que seu filho era empregado do grupo há oito, prestando serviços para João Arthur, neto da vítima. Disse que Júnior nunca comentou que estava com medo de ser demitido, que não sabe se seu filho havia bebido durante o dia e que, quando faltava eventualmente ao serviço, costumava ser substituído pelo acusado. Afirmou ainda que desconhecia qualquer animosidade entre Júnior e Arthur Sendas, que o motorista nunca se queixou da vítima e que ele nunca sentiu vontade de perguntar ao filho o motivo da prática do crime. Contou também que nunca portou arma, mas que Júnior tinha uma registrada.

O funcionário da família Roberto de São Clemente, disse que trabalha há seis anos para a família, estava dormindo com o rádio ligado, escutou o barulho do tiro, saiu do quarto e encontrou a cozinheira em desespero, ligando em busca de socorro para a vítima. Contou que Sendas já estava ofegante e em desespero e que chorou por conta da situação.

Cozinheira da família, Cláudia Martins relatou que presenciou os fatos. Contou que estava dormindo na noite do crime e, por volta de meia-noite, escutou a campainha tocar de uma forma longa, e depois tocar de novo. Por isso, ela ligou para a portaria para saber de quem se tratava e o porteiro informou que era Júnior e que o mesmo se identificou por trás da porta. Quando abriu, viu que o acusado estava nervoso e perguntou o que estava acontecendo. Ela disse que o motorista só repetia que queria falar com o Sr. Arthur, foi até o telefone da cozinha e ligou para o quarto da vítima, que, após saber que se tratava de um acidente com o pai do acusado, foi até a porta atendê-lo. Ela contou que, quando Sendas chegou à porta, Júnior na mesma hora deu um tiro e que o patrão não teve sequer tempo de falar.

Há dez anos no edifício, o porteiro Alexandre Martins relatou que por volta de meia-noite identificou que Júnior estava lá e que o mesmo sempre teve acesso livre ao prédio, podendo, inclusive, descansar na sala dos motoristas. Enfatizou que só soube depois que Sendas havia sido baleado e que alguém ligou e pediu que ele subisse para ajudar. Disse que, ao chegar, encontrou a vítima no chão, sem respirar direito, que falou com o médico ao telefone e este o orientou a deixar a vítima sentada, o que fez com a ajuda do síndico. Ressaltou que estranhava que Júnior e outros empregados tivessem acesso livre mesmo à noite.

A esposa da vítima, Maria Sendas, disse que, no dia do ocorrido, ela e o marido estavam no Alto da Boa Vista e que, depois de um jogo do Vasco, o pai do acusado os levou até o Leblon. Disse que, após tomarem banho e lancharem, seu marido ainda leu uma revista e que, quando os dois já estavam preparados para dormir, tocou o telefone. Era a cozinheira avisando sobre a presença de Júnior, dizendo que o motorista precisava falar pessoalmente com Sendas, pois o pai do acusado teria sofrido um acidente e estaria precisando de ajuda. Segundo Maria, a vítima acreditou e foi atendê-lo. Ela disse que, depois, ouviu um estampido e o marido não voltava. Afirmou que chamou pelas empregadas, mas ninguém respondeu. Dirigiu-se, então, ao quarto da filha e disse que não estava achando ninguém. Neste momento, segundo a esposa, Sendas já estaria agonizando. Sua filha lhe deu a notícia do ocorrido, dizendo que a vítima teria levado um tiro e estaria caído na área de serviço.

O réu Roberto Costa Júnior, disse que não são verdadeiros os fatos narrados na denúncia. Em sua versão, disse que foi à casa de Arthur Sendas, foi recebido pela cozinheira e afirmou à mesma que era urgente e que precisava falar diretamente com ele. Após a insistência, afirmou ter sido recebido por Sendas, que já estaria alterado e não o teria deixado concluir o que estava falando. Disse que o Sr. Arthur o teria tratado de forma que nunca o viu fazer antes, e que Sendas o teria empurrado. Roberto Júnior contou que, como estava com um short de tactel, onde estava a arma, a mesma teria, então, caído no chão, e, quando foi tentar pegá-la, a vítima teria feito o mesmo e os dois teriam brigado pela pistola, quando esta disparou. Disse que pensou em socorrê-lo, mas ficou nervoso e saiu sem rumo, sem saber o que fazer. Afirmou que tinha ido falar sobre pagamento com o patrão e que teve medo de ficar desempregado em razão da viagem de João Arthur, neto do empresário para quem o acusado dirigia. Afirmou ainda que se apresentou na delegacia no dia 20 de outubro porque pensou que não tinha motivo para ficar foragido, já que não é bandido

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