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Resposta Advogado de Dantas chama Satiagraha de fraude e nega ligação do Opportunity com mensalão

07/07/2009 por Agência Brasil
Em comunicado distribuído na tarde de hoje (6) à imprensa, o advogado Andrei Zenkner Schmidt, que defende Daniel Dantas, do grupo Opportunity, afirmou que a Operação Satiagraha, que resultou em uma nova denúncia contra o banqueiro, "é uma fraude". Ele negou o envolvimento do Opportunity com o suposto esquema de pagamento a parlamentares para votarem favoravelmente a projetos do governo federal e que ficou conhecido como mensalão. Para o advogado, há uma perseguição do governo federal contra o seu cliente.

"Não há qualquer envolvimento do Opportunity com o mensalão, conforme já reconhecido pelo Poder Judiciário. Fere o senso comum que o governo negue a existência do mensalão e, ao mesmo tempo, como ocorreu na CPI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios], se acuse Daniel Dantas de estar envolvido com o esquema. O governo persegue Dantas e, conjuntamente, acusa-o de financiá-lo", manifestou-se o advogado, em nota.

Dantas foi denunciado na última sexta-feira (3), pelo Ministério Público Federal (MPF), pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa, no segundo inquérito originado da Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
 
Na denúncia, o procurador da República Rodrigo de Grandis observou ligações entre o grupo Opportunity, quando estava no comando da Brasil Telecom, com o "valerioduto", como ficou conhecido o suposto esquema comandado pelo publicitário Marcos Valério, que repassaria dinheiro para parlamentares votarem a favor de projetos de interesse do governo federal. Marcos Valério é um dos réus do processo do mensalão, processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Durante o período em que a Brasil Telecom foi comandada pelo grupo Opportunity foram travados contratos de publicidade ou supostos contratos de publicidade. Foram dois contratos, cada um no valor de R$ 25 milhões [fechados] com a empresa de publicidade DNA e com a SMP&B, que são empresas de publicidade vinculadas a Marcos Valério", explicou o procurador.
 
No primeiro inquérito originado da Operação Satiagraha, o juiz Fausto De Sanctis condenou Dantas, em dezembro do ano passado, a dez anos de prisão por corrupção ativa, pela tentativa de subornar um delegado da Polícia Federal, para ter seu nome excluído das investigações da Operação Satiagraha. Também foram condenados o consultor Hugo Chicaroni e o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz.
 
Segundo o advogado de Dantas, o Opportunity não cometeu crime de gestão fraudulenta de instituição financeira. "É juridicamente inviável a acusação de gestão fradulenta de instituição financeira, na medida em que essa prática, segundo a denúncia, estaria atrelada à Brasil Telecom, que não é, evidentemente, uma instituição financeira".

Na nota, Schmidt também nega as acusações feitas pelo Ministério Público Federal de que o Opportunity Fund estaria atuando irregularmente, permitindo que cotistas brasileiros mantivessem recursos no exterior de forma ilegal. "O Opportunity Fund opera sob a mais rígida legalidade e sob a regular fiscalização dos órgãos competentes. A estrutura do Opportunity Fund é idêntica a dos outros fundos off shore que aplicam no Brasil".

A Agência Brasil também tentou falar com Marcelo Leonardo, advogado que defende o publicitário Marcos Valério, mas não conseguiu.

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