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ENTREVISTA Minha trajetória nos consursos - Juiz do Trabalho

 

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos? Desde o início da faculdade de direito eu já avaliava as opções que eu teria de atuação após a graduação. Analisando as vantagens e desvantagens do trabalho na iniciativa pública e privada, optei pelos concursos públicos. À época, eu buscava estabilidade, além de que, na minha visão à época, as chances de sucesso no início da advocacia eram um pouco baixas.

A decisão seguinte foi a carreira que eu optaria por seguir. Ficava em dúvida entre a Magistratura e o Ministério Público. Conversei com vários profissionais da área e vi que a Magistratura era a que mais se compatibilizada com o meu perfil.

Em princípio, eu queria ser juiz estadual. Apenas depois de assessorar um Desembargador, já depois de formado, é que vi que a matéria não me agradava muito. Ao mesmo tempo, comecei a estudar o direito do trabalho com mais afinco e fiz a minha opção pela Magistratura do Trabalho.

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

 Ainda na faculdade, quando decidi que queria prestar concursos, já direcionei o estudo. Eu não pensava apenas em estudar para garantir a nota mínima para ser aprovado na matéria; eu sabia que já tinha que estudar pensando que, no futuro, aquela matéria seria importante para o meu concurso. Sempre buscava uma preparação sólida. Eu acompanhava as aulas e lia os livros que os professores indicavam. Assim, ao longo da faculdade, consegui construir uma boa base doutrinária.

Depois de formado, procurei o melhor curso preparatório da época. Sempre fui um aluno auditivo, então memorizava com facilidade aquilo que eu ouvia. Por isso, as aulas eram muitos importantes. A partir dos meus resumos das aulas, eu lia algumas sinopses jurídicas e artigos especializados.

Mas, se o concursando não fez uma boa base doutrinária na faculdade , tem que correr atrás do prejuízo e estudar a doutrina também, além das sinopses e resumos.

Quando da prova prática de sentença, fiz um curso especializado para tanto. É difícil ser aprovado em uma prova extremamente prática sem treino específico.

 

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

Ainda na faculdade, fui aprovado para o cargo de técnico judiciário, área administrativa, no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (MS). Depois de formado, foram 2 anos e 1 mês até a minha primeira aprovação, em fevereiro de 2007, para o cargo de juiz do trabalho no TRT da 23ª Região (MT). Dois meses depois, fui aprovado para o cargo de juiz do trabalho no TRT da 2ª Região (SP) e, no mês seguinte, para o cargo de juiz do trabalho no TRT da 24ª Região (MS).

 

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

Não cheguei de sofrer cobrança por parte de familiares e amigos, até mesmo porque eles viam a minha dedicação. A maior cobrança que existia era minha, pois eu sempre tentava identificar o motivo da reprovação para tentar não repetir o mesmo erro.

Na verdade, muitas pessoas querem saber como está o andamento nos concursos e como é a perspectiva de aprovação. Para alguns, isso seria uma forma de pressão. Para mim, eu enxergava apenas como uma curiosidade natural. 

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina do juiz do trabalho recém empossado?

 Foi uma rotina de adaptação. Eu tinha 24 anos na época. Atuei ao longo de 2 meses e apenas depois é que fiz o curso de formação inicial. Fazia muitas audiências e, quando não havia audiências, eram os dias de julgar os processos. A atividade de juiz não se resume a uma audiência ou a uma sentença. O mais difícil é aprender a não levar o peso emocional dos processos para casa.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora? Logo que fui empossado, fiz uma audiência, em que a empregadora doméstica estava sem advogado. Ela pediu para ligar para o marido para falar sobre a proposta de acordo que eu havia sugerido. Depois de o marido fazer várias perguntas, ela disse que “ia passar o telefone para o mocinho aqui que estava resolvendo as coisas”. Ela não havia percebido que eu era o juiz. 

 

E o mais triste?

É sempre triste quando você tem que conciliar ou julgar uma ação trabalhista entre irmãos ou entre outros familiares. Já tive caso de mãe e filho brigando na Justiça por questões trabalhistas.

 

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

Acredito que o primeiro passo é se planejar para estudar, pois a aprovação no concurso não é fácil. Atualmente, a carreira pública traz uma estabilidade que não existe na iniciativa privada. Mas uma boa parte dos inscritos nos concursos sequer estudam com frequência. Dependendo do concurso, a concorrência é com você mesmo.

Acredito ser essencial procurar um curso preparatório, pois os professores já direcionam o estudo para os pontos e aspectos mais importantes para a aprovação. Nem sempre quem passa é quem sabe mais. Existem várias técnicas de estudo que podem ajudar.

Além disso, é importante criar uma rotina de estudos. Sempre sugiro que o aluno estude a cada dia a matéria que viu em sala de aula. Tem muito concursando que se atropela e acaba estudando matérias por sua própria conta, que ainda serão abordadas pelo professor em sala de aula no curso preparatório. O ideal é seguir a rota de estudo que o curso prepara.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Magistratura do Trabalho?

O concursando deve esperar uma carreira muito nobre, em que o juiz tentará reparar as violações aos direitos fundamentais mais básicos dos trabalhadores. Mas o concursando deve gostar muito de direito do trabalho, pois lidará com o tema por toda a carreira. É diferente da Justiça Comum, em que os juízes transitem entre várias com matéria criminal, civil, tributária, administrativa e outras.

 

O mais gosta na Instituição?

 A Justiça do Trabalho é uma instituição muito séria. Além disso, existe muita vontade dos seus integrantes de levar a Justiça do Trabalho para os locais mais distantes, com as audiências itinerantes. A preocupação é sempre em trazer mais agilidade e acesso à justiça à população, seja para os empregados, seja para os empregadores.

 O que gostaria de mudar na Instituição?

 A Justiça do Trabalho poderia dar mais atenção para a saúde e segurança do trabalho em suas dependências. Poucos são os tribunais regionais do trabalho que contam com PPRA, por exemplo. Além disso, devem ser feitos estudos para evitar acidentes de trabalho, notadamente por imobiliário inadequado ou excesso de pressão.

 

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RENATO SABINO CARVALHO FILHO

Renato Sabino Carvalho Filho

Juiz do Trabalho. Doutor em Direito do Trabalho pela USP. Mestre em Direito pela PUC/SP. Professor do Meu Curso – preparatório jurídico. Autor de diversas obras.

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