Página Inicial   >   Entrevistas

ENTREVISTA - CONCURSOS Minha Trajetória nos concursos -Juiz Federal

04/11/2016 por Marcos Scalercio

 

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Eu sempre tive o sonho de ser Juiz do Trabalho, mas achava que não era algo possível, que era algo para gênios, para pessoas diferentes, para pessoas com tradição de aprovação na família. Na minha adolescência sempre trabalhei, iniciei na oficina mecânica de meu pai lavando carros, trabalhei em papelaria, em padaria, fui bancário durante todo o período da faculdade de Direito e quando estava cursando Especialização em 2005 optei em enveredar para concursos, pois comecei a observar que pessoas “normais” tinham condições de aprovação. No segundo semestre de 2005 comecei curso preparatório, mas ainda se foco total, em 2006 minha dedicação aumentou firme, mas sem abandonar totalmente a advocacia e em março de 2009 consegui a sonhada aprovação em dois concursos para juiz do trabalho e um concurso para analista do TRT.

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

Iniciei meu preparo no segundo semestre de 2005 e de forma mais efetiva no primeiro semestre de 2006. Minha metodologia foi inicial um bom curso preparatório para seguir orientações dos professores e “montar o caderno”. O curso preparatório é fundamental, pois estudar sozinho o edital é uma tarefa muito árdua e dificulta mais a aprovação.

Ademais, também treinava muitas provas, simulando em minha cabine de estudo o tempo real e desde o inicio me preocupei em focar nas demais fases do concurso (discursiva, sentença e oral), não pensando somente na primeira etapa, pois o tempo entre as fases é curto para iniciar uma preparação.

 

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

O tempo de preparação foi do segundo semestre de 2005 até inicio de 2009, tomei posse no dia 19/3/2009.

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

Não sofri cobrança direta, pois eu sustentava meus estudos, mas eu mesmo me cobrava, pois tinha medo de desaponta-los, já que sentia que meu sonho de aprovação também passou a ser o sonho dos meus pais e irmãos. Na minha casa sempre tive muito respeito sobre meus estudos, meus pais e irmãos, sempre entendiam minha ausência dos eventos festivos e não me cobravam por isso.

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina do juiz do trabalho recém empossado?

A rotina de trabalho é intensa, com muitas audiência e sentenças, parte do dia me dedico as audiências e outra parte as sentenças e despachos. Há muito trabalho para toda magistratura, porém posso considerar que sou uma pessoa realizada e nenhum momento até hoje questionei minha escolha de vida profissional.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

O momento mais engraçado foi ser chamado de Vossa Majestade pela testemunha, além de já ser chamado de “meu” “mano” (a testemunha estava com camiseta do Corinthians), bem como uma vez que a testemunha do reclamante levantou e pediu para as partes se abraçarem e acabarem com o processo. Outra situação também quando ocorreu de dormirem e roncarem alto assistindo minha audiência.

 

E o mais triste?

O mais triste foi uma instrução que se debatia um trágico acidente do trabalho por atropelamento, sendo narrado pela testemunha colega de trabalho e presente no acidente aos prantos e o filho do empregado falecido acompanhando chorando quieto em sua cadeira. Falei para ele que não precisava ficar presente, mas ele falou para que era necessário em respeito ao pai saber o que tinha efetivamente acontecido.

 

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

Deve primeiramente decidir o cargo, focar firme no estudo, saber que não será fácil e principalmente acreditar, pois é muito difícil ser aprovado no primeiro, logo será necessário saber levantar do tombo da reprovação.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Magistratura do Trabalho?

Deve esperar lidar com trabalhadores e empregadores, entender a realidade de cada um deles, não generalizar um individuo somente pela classe social, ter ciência que não vai lidar apenas com verbas trabalhistas, mas com vidas, com saúde, com liberdade de ir e vir, como por exemplo demandas de acidente e doença do trabalho, bem como de trabalho em condição análoga de escravo.

 

O mais gosta na Instituição?

Gosto de cada dia ter chance de aplicar a justiça no caso concreto e de solucionar o conflito, julgando ou principalmente fazendo conciliação.

 

O que gostaria de mudar na Instituição?

Gostaria de mudar a valorização da carreira, que existisse reais condições de fazer um trabalho adequado, com uma quantidade menor de audiências por dia, uma quantidade menor de sentenças, uma quantidade maior de juízes e servidores aprovados nos concursos, bem como o reajuste dos subsídios, já que com todas essas alterações os magistrados trabalhistas iriam conseguir buscar de forma plena a justiça social.

 

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

MARCOS SCALERCIO

Marcos Scalercio

Marcos Scalercio
Juiz do Trabalho da 2° Região (SP). Aprovado nos Concursos para Magistratura do Trabalho dos TRT´s da 1ª e da 24ª Região.
Pós Graduado em Direito e Processo do Trabalho. Professor do Damásio Educional. Twitter:@marcosscalercio.
Email: marcosscalercio@hotmail.com. Facebook: Marcos Scalercio.

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2017 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br