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ENTREVISTA CONCURSOS Minha Trajetória nos concursos - Promotor Público

03/01/2017 por Luis Mileo

 

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Logo que ingressei na Faculdade de Direito – Faculdades Metropolitanas Unidas – no ano de 1991, fui contratado como estagiário em um renomado escritório de Advocacia em São Paulo, onde permaneci por aproximadamente três anos. Como todo estagiário, todos os dias me deslocava para os diferentes fóruns existentes na capital de São Paulo. Em certo dia, fui até o Fórum do Jabaquara, onde também funcionava o II Tribunal do Júri da Capital. Fui até o salão do Júri, onde ali estavam um grande promotor do Júri, Francisco José Taddei Cembranelli. Acompanhei o julgamento até o seu final. A função do Promotor de Justiça fez com que decidisse não só pela carreira pública, como pela carreira de Promotor de Justiça.

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

Ao atingir o 4º ano da faculdade, fui fazer curso preparatório. Assim, o meu cotidiano era faculdade pela manhã, estágio no Ministério Público no período da tarde e, à noite, frequentava o Curso do Professor Damásio, onde mais tarde vim a ser contratado como professor junto à Faculdade de Direito Damásio de Jesus, e lá estou desde 2005. Durante os dois últimos anos em que simultaneamente frequentava a faculdade e o curso, pelo escasso tempo, estudava apenas aos finais de semana. Com o término da faculdade e estágio no Ministério Público, permaneci frequentando o curso preparatório e durante o dia me dedicava aos estudos. Uma dica. Faça um cronograma diário de estudo possível de ser cumprido diante do tempo disponível. Intercale as matérias. Como os editais são extensos, o esgotamento de uma matéria fará com que você retorne depois de muito tempo para a mesma matéria.

 

Quanto tempo demorou para ser aprovada no primeiro concurso?

Fui aprovado no primeiro concurso do Ministério Público que prestei. Ingressei em dezembro de 1996. Demorei 10 meses para a aprovação. Mais cada concursando tem seu tempo e sua história. O importante é a dedicação ao objetivo pretendido. Conheço excepcionais profissionais que demoraram muitos anos para serem aprovados.

 

O Ministério Público sempre foi seu foco principal?

Sim, sempre foi meu foco principal. No período em que fui estagiário do Ministério Público só aumentou a paixão pela Instituição, que já estou há 20 anos.

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

Não sofri nenhuma pressão. Meus pais se separaram eu era muito novo e permaneci com a minha mãe, pessoa de pouco estudo, mas muito bem-sucedida profissionalmente. No auge de sua simplicidade, ela me disse: “Filho, estude o tempo que precisar e não se preocupe com o resto”. Porém, nesta simples frase, sem qualquer pressão, a mim atingiu profundamente. Foi o combustível para me dedicar diuturnamente na aprovação. 

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Promotor de Justiça recém empossado?

Passei por diversas comarcas do interior e por promotorias de justiça da Capital. Tempos que me trazem muitas saudades. Tinha que morar em hotéis, muitos deslocamentos pelo interior. Mais era formidável.

 

Quais são as atividades que um Promotor de Justiça exerce? Como é a rotina profissional?

Depende da promotoria em que se exerce a função. Eu por quase toda a minha carreira estive em promotorias criminais. Atualmente, exerço minhas funções na Promotoria Criminal de São Bernardo do Campo. Minha rotina está dividida em processos físicos, digitais e audiência. Uma constatação. Atualmente a prestação jurisdicional é mais célere.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

Em uma plenária do júri, fiz uma homenagem ao Juiz Presidente e, consigna-se, um excepcional profissional (hoje Desembargador), pelo seu aniversário. Em seguida, “puxei” um parabéns para homenageá-lo. Para a minha surpresa, o réu também cantou e batia palmas com as mãos algemadas.

 

E o mais triste?

Talvez triste e recompensador. Uma menina de 16 anos foi violentada e morta por um ex-namorado, que se fez acompanhar de um comparsa, pelo simples fato dela não mais querer se relacionar com ele. O triste foi ver aquela mãe, com todo o respeito e humildade, vir me procurar toda semana na promotoria para saber o andamento do processo. A recompensa veio com a condenação em quase 20 anos. 

 

O mais gosta na Instituição?

A função social, em todas as áreas, que se exerce. É uma instituição voltada à sociedade.

 

O que gostaria de mudar na Instituição?

Nada. Apenas ampliar a estrutura para atender, cada vez mais, as necessidades e anseios sociais.

 

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LUIS MILEO

Luis Mileo

Promotor de Justiça no Estado de São Paulo. Mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Professor de Direito Penal e Legislação Penal Especial na Faculdade Damásio.

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