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Entrevista Concursos Minha trajetória nos concursos - Procurador do Trabalho

01/06/2017 por Rodrigo Castilho

 

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

 

Após quase 10 anos exercendo a advocacia privada, decidi que havia chegado o momento de ter uma experiência no setor público, estimulado em grande parte por amigos de faculdade que ocupavam cargos públicos dos mais diversos. Foi uma decisão difícil, especialmente porque minha formação, desde o início da graduação, foi voltada para a advocacia privada. Em retrospectiva, poderia dizer que foi como um despertar para algo novo, um daqueles raros momentos em que a vida nos apresenta um caminho diferente e precisamos decidir se sairemos de nossa zona de conforto e arriscaremos ou continuaremos a viver a vida como ela sempre foi.

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

 

Em primeiro lugar, julguei que seria necessária, de minha parte, uma dedicação integral aos estudos. Não que isso seja condição insuperável para a aprovação final, mas acredito que o tempo disponível de preparação exclusiva é fundamental para uma rápida aprovação. O candidato que mantém várias ocupações, algumas infelizmente não descartáveis por vários motivos, tende a obter sua aprovação em um maior tempo de preparação. Aquele que consegue dedicar todo seu tempo aos estudos, tende a uma aprovação em tempo mais curto. Não tendo tempo a perder, mergulhei de cabeça nesse desafio.

O estudo para concurso público tem de se adaptar às peculiaridades de cada candidato. Não há uma fórmula pronta e acabada e cada um tem seus pontos fortes e suas deficiências em termos de conhecimento jurídico. No meu caso, sendo um advogado especializado em Direito Empresarial, precisei retomar o estudo de assuntos básicos de outros ramos do Direito. Comprei os manuais mais bem avaliados, um de cada matéria, e os li avidamente, de cabo a rabo como se diz, fazendo anotações e resumos por escrito (é muito importante escrever durante a preparação, pois as provas, pelo menos até agora, ainda exigem redação à mão). Após essa fase inicial, dediquei meu tempo ao estudo de temas monográficos com maior profundidade. Gosto da frase que diz que o saber exigido em concurso público tem que ser do tamanho de um oceano com um palmo de profundidade. Porém, o que define a aprovação é a profundidade demonstrada nesse oceano de conhecimento.

 

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

 

Eu estudei 2 anos completos para a aprovação no Ministério Público do Trabalho. Antes disso, fiz algumas provas como treinamento e obtive aprovação em outros concursos públicos.

 

O Ministério Público do Trabalho sempre foi seu foco principal?

 

Durante minha preparação, fui me inclinando naturalmente para a área trabalhista e estabeleci como foco a magistratura e o Ministério Público do Trabalho. Quis o acaso da vida me reprovar na prova de sentença da magistratura do trabalho e me aprovar no MPT no mesmo mês de junho de 2006.

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

 

A cobrança maior é consigo mesmo, com os seus fantasmas e as suas frustrações. Eu ouso dizer que 50% do bom desempenho numa prova é diretamente ligado ao equilíbrio emocional e a autoconfiança. Um candidato tem que ter segurança e certeza de sua aprovação, mesmo que sofra alguns reveses pelo caminho. O pensamento positivo é a chave para o sucesso.

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Procurador do Trabalho recém empossado?

 

Inicialmente, fui designado para atuar no Estado do Amazonas, um lugar fascinante e que me proporcionou muitas experiências de vida. Pude conhecer um pouco melhor o Brasil, seus modos de ser, suas diversas culturas. É importante o candidato ter isso em mente quando se aventurar em um concurso público federal: existem muitos “brasis” no Brasil. Esse período, que se estendeu por 3 anos, foi definitivo na minha formação como procurador do trabalho e como cidadão.

 

Quais são as atividades que um Procurador do Trabalho exerce? Como é a rotina profissional?

 

Basicamente, o procurador do trabalho atua em investigações administrativas e em ações judiciais. Naquelas, exerce um maior protagonismo, assumindo uma postura amplamente ativa; nestas, a atuação se confunde com a função de fiscal da lei, admitindo uma maior contenção na parcialidade para proteger também o ordenamento jurídico. O interessante, se não o mais instigante da carreira, é a possibilidade de realizar fiscalizações e inspeções, uma atividade externa que contribui em muito para a elucidação dos casos concretos. É muito importante esse contato direto com a realidade do mundo, com a vida como ela é, para moldar e forjar um procurador do trabalho conectado com a sociedade.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

 

O mais extravagante foi, sem dúvida, uma inspeção realizada numa base da Polícia Federal na tríplice fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru. Nesse local, havia uma comunidade indígena com modos de viver bem tradicionais, o que me fez repensar muitos conceitos preconcebidos.

E o mais triste?

 

Para um procurador do trabalho, a situação mais triste e revoltante são os inúmeros casos ainda existentes de trabalho em condição análoga à de escravo. Participei de algumas forças-tarefas no interior do Estado do Pará e o cenário flagrado era típico da Idade Média, com os trabalhadores submetidos à degradação moral e física, uma violência à dignidade mínima de uma pessoa humana.

 

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

 

Eu teria 3 conselhos a dar. Primeiro, leia muito: literatura, romance, poesia. É importantíssimo escrever bem, ter um vocabulário amplo, um texto com métrica agradável. O examinador é, antes de tudo, um leitor de seu texto e ele tem que gostar do que lê. Segundo, estude muito. Não tem outra alternativa. As provas exigem um conhecimento básico que só é adquirido com esforço, dedicação e memorização. Muita transpiração e empenho. Terceiro, surpreenda a banca. O candidato tem que ter repertório, deve transitar bem pela história, filosofia, sociologia, deve gerar uma perplexidade no íntimo do examinador.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira no Ministério Público do Trabalho?

 

Uma carreira que está em constante evolução, adaptando-se à nova dinâmica das relações de trabalho. Se espera muita criatividade e iniciativa do novo procurador do trabalho.

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RODRIGO CASTILHO

Rodrigo Castilho

Procurador do Trabalho

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