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CONCURSOS Minha trajetória nos concursos - Oficial Militar

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Logo após iniciar a experiência como estagiário de Direito, no quarto semestre do curso, percebi que a dinâmica da atividade advocatícia era algo que não me completava. Apesar de ser indispensável à administração da justiça, atividade de relevância inquestionável, não conseguia me identificar com a rotina de escritório, audiências e com a perspectiva de permanecer indefinidamente no mesmo ambiente de trabalho.

 

Como é a prova para carreira de Oficial do quadro complementar/ Direito do Exército Brasileiro? Quais são as matérias que caem no concurso?

É uma prova repleta de particularidades. Diferentemente da maioria das carreiras jurídicas, além da necessidade de dominar os conhecimentos técnicos apreendidos na vida acadêmica, somos testados também em conhecimentos gerais, língua estrangeira e na nossa capacidade física.

O concurso se divide em avaliação em conhecimentos gerais (Português, História e Geografia), de natureza eliminatória e classificatória, língua estrangeira (Espanhol ou Inglês), de natureza eliminatória, e conhecimentos específicos, também de natureza eliminatória e classificatória. Na prova de Direito, os candidatos são avaliados em matérias como Processo Civil, Administrativo, Constitucional, Processo Penal Militar, Penal Militar, entre outras.

Após a aprovação no exame intelectual, o candidato será submetido a exames de saúde, que atestarão a sua higidez física, e a um exame físico propriamente dito, quando será aferida a sua capacidade de desenvolver atividades inerentes a um Oficial de carreira.

Sendo bem sucedido nas diversas fases do concurso, será convocado para participar do Curso de Formação de Oficiais na Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx), sediada em Salvador-BA, com duração aproximada de 09 (nove) meses.

 

Como é conciliar a vida de operador do Direito com a vida militar?

Na verdade, os valores exigidos do operador do direito hodiernamente, tais como ética, moralidade e alteridade, são corolários da vida militar. Então, são realidades complementares, imbricadas de forma plena.

 

Como metodologia de estudo o senhor usou?

Falar de metodologia de estudo é algo sempre muito complicado. Não há consenso em qual seria a estratégia mais eficiente, sobretudo quando se leva em consideração que as individualidades biológicas precisam ser respeitadas.

O fundamental é ter vontade, disciplina, perseverar. Acreditar que é possível e não se deixar abater por eventual insucesso, pois fará a diferença a médio prazo.

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

Me considero uma pessoa abençoada. Sempre tive total apoio das pessoas próximas, dos familiares e amigos. Minha mãe, Marcília, foi fundamental nesse meu processo de aprovação, pelo amor e apoio incondicionais.

 

Depois de aprovado, qual a rotina de um Oficial do quadro complementar/ Direito do Exército Brasileiro?

O Oficial do Quadro Complementar – Direito, atualmente, exerce as suas atividades nas mais diversas Organizações Militares (OM) do Exército Brasileiro. Em razão da capilaridade do Exército e das particularidades das OM, a rotina variará de acordo com a lotação do Oficial.

Será inerente à rotina do novo Oficial desenvolver atividades de natureza técnica (em harmonia com sua formação acadêmica), assim como atividades de natureza militar, uma vez que, após a conclusão exitosa do Curso de Formação de Oficiais, será nomeado Oficial de Carreira do Exército.

 

Quais funções a carreira proporciona?

A função do Oficial do Quadro Complementar é essencialmente de assessoramento. Seja no apoio direto ao seu comandante, sobretudo no contencioso administrativo e nas questões disciplinares, seja fornecendo subsídios à Advocacia-Geral da União na defesa das ações propostas em desfavor da União (com pertinência temática com o Exército), o que se espera do militar do Quadro Complementar é um assessoramento profissional, tecnicamente irrepreensível e oportuno.

 

Em decorrência da função, este cargo está tão sujeito à mudanças de endereços como outros cargos do Exército?

Após ser nomeado Oficial do Exército Brasileiro, o militar do Quadro Complementar está submetido ao mesmo regramento jurídico aplicável a qualquer militar.

As mudanças de endereço são inerentes à carreira das armas. Existe uma expressão tipicamente militar a definir tal realidade: vivência nacional.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar por esta carreira?

O concursando deve evitar a ideia de que se trata de mais uma possibilidade de estabilidade no serviço público. A carreira militar exige daquele que a integra uma dedicação acima do normal, não se tratando de “mero emprego público”.

Esse “sacerdócio” impõe limitações pessoais e familiares. É preciso acreditar verdadeiramente na missão constitucional das Forças Armadas, amar a sua pátria e estar disposto a sacrificar horas de lazer e de convívio familiar para bem servir ao Brasil.

Por outro lado, se for a sua vocação, se for o seu verdadeiro desejo, acredite que profissionalmente não há satisfação maior que pertencer a uma instituição secular, de valores sólidos, consolidados, com a maior credibilidade popular entre as instituições nacionais e que funciona como repositório moral.

 

Levando em consideração que as inscrições para o concurso desta carreira estão abertas até o começo de agosto, que conselho o senhor daria para aprovação?

Que o candidato aproveite essa reta final para revisar aquilo que já está sedimentado como conhecimento acadêmico, sem se descurar da parte de conhecimentos gerais e da língua estrangeira (que costuma eliminar grande parte dos candidatos).

 

Comentários

  • Fabricio Lordelo
    15/07/2014 18:02:29

    Fui colega de Alexandre Magno nos idos anos 90 em Salvador. Jovem decidido, bem humorado sem ser abobado, firme nas posições, amigo dos seus amigos, uma pessoa que se sente vontade de ser colega. Fui feliz em saber que está satisfeito numa carreira tão relevante. Desejo muito sucesso e prosperidade.

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ALEXANDRE MAGNO BAQUEIRO RANGEL PINTO

Alexandre Magno Baqueiro Rangel Pinto

Capitão do Exército Brasileiro. Instrutor do Curso de Formação de Oficiais do Quadro complementar da área de Direito.

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