Página Inicial   >   Entrevistas

ENTREVISTA - CONCURSOS Minha Trajetória nos concursos - Juiz Estadual

03/06/2016 por Henrique Castilho

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Quando entrei na faculdade de Direito da USP já pensava em prestar concurso para Juiz de Direito. Todavia, era mais por uma questão de admiração à função do que por conhecer o trabalho de um Juiz. Durante a graduação, fiz estágio na iniciativa privada, no Ministério Público Federal e na Magistratura, o que me propiciou ter um conhecimento melhor sobre as carreiras. No quarto ano da faculdade, decidi, definitivamente, que prestaria concurso.

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

Já no quarto ano comecei a me dedicar mais aos estudos da faculdade, mas, ainda, sem muito foco para concursos. No quinto ano, decidi que faria uma revisão de todas as matérias cobradas no concurso da Magistratura do Estado, a qual era meu principal objeto. Revisei através das sinopses jurídicas que fornecem alguma base. Quando me formei, minha dedicação aos estudos passou a ser imensamente maior. Eu advogava em poucos casos, então minha principal ocupação eram os estudos. No período da manhã, fazia um curso preparatório. No período da tarde e à noite, estudava as matérias que foram ministradas nas aulas. É a famosa fórmula “aula dada, aula estudada”. Por exemplo, se tinha aula de processo civil sobre denunciação da lide pela manhã, à tarde eu já estudava esse tema. Eu selecionei uma doutrina para cada matéria e fazia resumos, além dos cadernos de aula. Com isso eu tinha muito material de caderno, o que é excelente para revisar quando se aproximam as provas. Sempre ao final do dia de estudo, eu fazia provas sobre o tema estudado. Tinha um livro que os testes eram separados por tema. Como eu tinha acabado de estudar, eu errava muito pouco, o que dá mais confiança para a hora de prova, e o que eu errava, quando conferia o gabarito, memorizava e, certamente, não iria cometer o mesmo erro novamente. Conforme ia avançando de fase no concurso, é importante que tenha foco no que é cobrado naquela fase. Por exemplo, quando estava na última fase da arguição oral, eu treinava com colegas o que me ajudou bastante.

 

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

Passei já no primeiro concurso para Magistratura Estadual que prestei. Formei-me na faculdade em dezembro de 2004 e o concurso começou em outubro de 2005. Foi o último concurso da Magistratura do Estado de São Paulo que não exigiu os 3 anos de atividade jurídica após a graduação. Tanto que, quando estava na fase oral, foi aberto outro concurso para o qual não pude nem me inscrever porque já havia a exigência dos 3 anos de atividade jurídica após a graduação.

 

Como traçou seus focos em relação às carreiras? 

Eu tinha como principal objetivo passar na Magistratura do Estado, muito porque foi o estágio que mais gostei de fazer durante a faculdade, na 6ª Vara Criminal da Capital, com o Dr. José Fernandes Freitas Neto que sempre incentivava seus estagiários. Mas, quando estava estudando, prestei os concursos que abriram. Fui aprovado também para Advogado da União e, quando passei na Magistratura de São Paulo, estava em fase avançada no Ministério Público de Minas Gerais. Não foi o meu caso, mas muitas vezes a vida acaba escolhendo a carreira. Converso com muitos colegas que desejavam outra carreira, mas quando são aprovados em concurso diverso, conhecem melhor a função, acabam gostando e abandonando a ideia de prestar outro concurso. Embora tenhamos foco em alguma carreira, devemos prestar todos concursos que nos agradem e, se for o caso, depois continuar até ser aprovado na carreira que mais se identifica.

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

Não, nenhuma. Pelo contrário, minha querida mãe sempre apoiou, tanto a mim quanto meus irmãos, no que desejássemos fazer, sobretudo nos estudos, pois ela é professora e sempre nos ensinou a seguir este caminho.

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Juiz de Direito recém empossado?

A rotina de Juiz Substituto é muito cansativa, cada hora em uma cidade diferente, sempre morando em hotéis. Mas, é uma fase muito legal, de grande amadurecimento e aprendizado. Tudo é novo e as responsabilidades imensas. Vivemos muitas angústias no começo, natural de quem não está acostumado com a função, mas é nesse momento que desenvolvemos nossas habilidades e começamos a traçar o perfil de Juiz que desejamos ser.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

O mais engraçado foi em uma audiência em Andradina, em 2007, quando fui Juiz titular da 1ª Vara. Em uma audiência de transação penal em caso de direção sob efeito do álcool, um senhor de uns 70 anos entrou ligeiramente alcoolizado para a audiência. Era uma pessoa bastante humilde. A promotora fez a proposta e, com algum parcelamento, ele acabou aceitando. No final, fui chamar a atenção dele para que ele parasse com atitudes desse tipo. Primeiro, ele me chamou de “Majestade”, o que já casou risos nas pessoas presentes, e, em seguida, ele disse que tinha parado com aquilo, exclamou “não dirijo mais!”. Ai todos começaram a rir. Falei que ele tinha que parar de beber e não de dirigir, mas ele disse que não conseguia. Enfim, coisas da vida.

 

E o mais triste?

O mais triste sem sombra de dúvidas é na área da infância e juventude. Questões de adoção. Acho que visitar o abrigo foi uma das experiências mais tristes que vivi na carreira, todavia que me trouxe grande amadurecimento.

 

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

O primeiro passo é se organizar de maneira a estabelecer uma rotina de estudos. Todos, absolutamente todos, são capazes de passar. Cada um tem seu tempo, uns passam com menos tempo de estudo outros com mais, mas basta levar a sério e não desistir que uma hora a aprovação acontece. E, depois de aprovado, é indiferente quem estudou um, dois, quatro ou dez anos para conseguir. Quem tem que conciliar estudos e uma rotina pesada de trabalho, tem mais dificuldade, mas organização é o segredo. Criar uma rotina de estudo faz com que, com pouco tempo, você se acostume com ela e nem sinta ser tão sacrificante. Eu estudei muito na minha preparação, mas não tenho lembranças de exaustão, cansaço, porque me acostumei com minha rotina. Alguém que trabalha e consiga colocar umas duas/três horas de estudo por dia durante a semana e pegando mais pesado nos finais de semana, certamente conseguirá ser aprovado. Importante que tenha fé, perseverança e não desista do seu sonho.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Magistratura?

Deve esperar muita responsabilidade, muito trabalho, muita cobrança da sociedade, mas uma carreira extremamente gratificante. O Juiz desempenha diversas funções e consegue, muitas vezes, fazer a diferença na vida das pessoas, sobretudo os mais humildes. A sensação de poder ajudar é algo sem preço. E ter isso como profissão é um privilégio enorme. No começo, as dificuldades são maiores porque não se está habituado com a função. Com o passar dos anos, a prática leva a fazer determinadas coisas com mais facilidade, mas isso não significa que os desafios sejam menores. Pelo contrário, o desejo de sempre evoluir e fazer projetos que tragam melhoras na vida das pessoas faz com que sempre estejamos focados. É muito importante que o Juiz nunca pare de estudar, mesmo com a enorme carga de trabalho, não podemos jamais nos afastar dos livros e da boa doutrina para que possamos evoluir nas nossas decisões, as quais vão criar as jurisprudências no futuro.

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

HENRIQUE CASTILHO

Henrique Castilho

Juiz de Direito do TJ/SP.

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2017 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br