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ENTREVISTA - CONCURSOS Minha Trajetória nos concursos - Delegado Federal

03/10/2016 por Carlos Eduardo Pellegrini

 

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Decidi optar por uma carreira pública no 4° ano da Faculdade de Direito, após ter realizado estágios durante os anos anteriores em renomados escritórios de advocacia, na área criminal, cível e empresarial.

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

Comecei a preparação quando cursava o 5° ano da Faculdade de Direito, momento em que optei em fazer o curso extensivo, com duração de um ano, concomitantemente a graduação. Então, cursava o último ano pela manhã, realizava estágio na área criminal à tarde no Ministério Público Estadual, aprovado mediante concurso, e cursava à noite a extensão, ou seja, saía de casa às 06h30 e retornava somente às 00h30. Depois de formado, mantive os estudos na Biblioteca da Faculdade e no curso de Extensão. Estudava com base no edital, realizando resumos dos livros balizados do concurso acompanhado das aulas registradas no caderno do curso de extensão. Sempre estudava duas matérias correlatas por dia e aos sábados redigia peças e dissertações. Aquela época a internet era uma novidade e sequer existia cursos on line ou algo da espécie.

 

Quanto tempo demorou em ser aprovado no primeiro concurso?

Formei no ano de 2000 e fui aprovado no primeiro concurso aberto que prestei para Delegado Federal em outubro de 2001. Demorei, portanto, quase dois anos para ser aprovado.

 

Como traçou seus focos em relação às carreiras?  

Primeiro defini minha carreira jurídica e realizei um planejamento de estudo. Decidi pela carreira jurídica de Delegado Federal por se tratar de atuação na área penal internacional, matéria nova e intrigante, com atuação na prevenção e repressão aos crimes transnacionais e, ademais, com possibilidade de trabalhar no exterior, haja vista que a Polícia Federal tem como plano de carreira o trabalho em Adidâncias policiais e também como oficiais de ligação em diversos países e continentes como da América Latina (México, Argentina, Uruguai entre outros) e do Norte (EUA e Canadá), Europa (Reino Unido, França, Espanha, Portugal e Itália).

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

Na verdade, eu tinha uma cobrança interna muito grande, o que, por vezes, incutia sentimento de frustração pela demora em abrir o concurso, o que, aliás, ressalto ao concursando evitar, utilizando este tempo para se preparar.

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Delegado Federal recém empossado?

Iniciou-se, no estágio probatório, uma fase de observação e análise para adquirir experiência e aprendizagem na profissão. Passei por diversas Delegacias especializadas e pelo serviço de plantão. Procurei, além de conhecer internamente a Polícia Federal, outros órgãos que interagem com a instituição no sistema penal como Ministério Público Federal e Justiça Federal.

 

Quais as principais funções de um Delegado da Polícia Federal?

O Delegado de Polícia Federal tem como principal incumbência realizar as investigações dos crimes federais e conexos, definir a linha investigativa e executá-la com auxílio de sua equipe. O Delegado tem que liderar a equipe de investigação para o cumprimento deste mister com os recursos a ela disponível. Detém, por vezes, a oportunidade de, ao presidir a investigação, coordenar grandes operações policiais em diversos Estados, de modo concomitante, como as noticiadas pelas mídias.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

Sem dúvida, foi uma ocasião no início de minha carreira, a qual exercia a função de Delegado de Plantão na Superintendência em São Paulo. Naquela oportunidade, foi apresentada uma ocorrência pela Polícia Militar com um ônibus e diversos passageiros, lotado de mercadoria, objeto de descaminho e contrabando. Pedi para os policiais federais averiguar as mercadorias no pátio interno, quando descobriram também a existência de pássaros silvestres. Os policiais constataram que as gaiolas estavam danificadas e um cachorro da região havia comido dois pássaros. Então, tomei a decisão, a qual me arrependo até hoje, não que houvesse outro meio. Pedi para o policial da equipe trazer as gaiolas e o investigado para Delegacia com o fim de lavrar o termo circunstanciado de crime ambiental. Mal as gaiolas chegaram à sala, os pássaros fugiram e ficaram voando por toda a área interna da Delegacia. Não sabíamos se riamos ou chorávamos. Por fim, o investigado ficou responsável por pegar os pássaros e colocá-los novamente nas gaiolas, cobertas naquele instante com sacos plásticos. E o pior ainda estava por vir, não havia instituição aberta para receber os pássaros aos domingos. Consegui, com muito esforço, entregá-los à noite no Manequinho do Parque Ibirapuera, que cuidava, à época, de animais silvestres. Aquele plantão ficou conhecido como “O plantão da fuga dos pássaros”.

 

E o mais triste?

Constatar tantos indícios de corrupção e desvio de dinheiro público em escolas, hospitais, universidades e demais órgãos e entes públicos e, de outro lado, não ver investimento e destinação de recursos às investigações policiais. Sem recurso não se investiga nada. A investigação não é feita somente por papel e impressora, pelo contrário, envolve investimento em recursos humanos e materiais, capacitação técnica e incessante troca de informação entre os órgãos nacionais e internacionais. Neste ponto, a autonomia orçamentária e financeira da Polícia Federal é fundamental.

 

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

Deve realizar uma reflexão para buscar foco, determinação, desprendimento com o mundo externo e estudar arduamente. O curso extensivo auxilia neste caminho, porém o percurso é pessoal e intransferível.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Polícia Judiciária?

O cargo de Delegado Federal é desafiador, envolve, além do conhecimento jurídico, noção das relações humanas em sociedade, tanto para conhecer o fato criminoso como para o trabalho em equipe, interação institucional e sagacidade na busca dos elementos de formação de prova. Na atividade policial persecutória, nada é obtido de modo individual e solitário. Os objetivos são alcançados em equipe e, nesse sentido, o Delegado tem que ser o líder.

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CARLOS EDUARDO PELLEGRINI

Carlos Eduardo Pellegrini

Delegado Federal. Mestre em Direito Penal Internacional. Professor do Complexo Jurídico Damásio de Jesus.

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