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ENTREVISTA Minha trajetória nos concursos - Delegado de Policia

01/08/2018 por Victor Falcão

 

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Sou filho de funcionários públicos. Meus pais trabalham no Poder Judiciário desde que eu era criança e me recordo que eles sempre me incentivaram a estudar para prestar concurso público e ingressar em uma carreira que me desse estabilidade e realização pessoal. Quando estava terminando o colegial, precisava decidir meu rumo, decidir o que faria tanto em relação ao curso superior, como a forma como me manteria durante o curso. Então decidi começar a prestar concursos para cargos de nível médio nas prefeituras da minha cidade e das cidades próximas junto com os vestibulares.

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

No início, ou seja, quando eu prestava concursos para cargos de nível médio de escolaridade, utilizei meus conhecimentos obtidos na escola e no colegial. Sempre estudei em boas escolas, mesmo tendo estudado em escolas públicas até uma certa idade, tive ótimos professores. Após a faculdade de Direito, me matriculei em um cursinho preparatório para concursos públicos, que ampliou a base do conhecimento jurídico obtido durante a graduação. Comecei assistindo aulas telepresenciais. Depois passei para cursos on-line. Também lia muito a lei e a Constituição, fazendo exercícios de cada matéria logo em seguida, o que me ajudou muito em provas objetivas. Confesso que nunca consegui ficar muitas horas por dia estudando sem parar, por ser hiperativo e ansioso, além de que sempre tive que conciliar a preparação para os concursos com o trabalho.

 

Quanto tempo demorou para ser aprovada no primeiro concurso?

Após a faculdade, levei cerca de 3 anos para ser aprovado em um concurso de nível superior, Procurador de Município. Logo depois fui aprovado em dois concursos para Delegado de Polícia, um no Estado de São Paulo e outro no Estado do Tocantins. Mas eu comecei a estudar para estes concursos um tempo depois de formado, uma vez que me dediquei no início à advocacia.

 

Como traçou seus focos em relação às carreiras?  

No início, como disse acima, pensei em ter um trabalho no setor público que me proporcionasse pagar meus estudos na faculdade, sendo que consegui passar em dois concursos de escriturário em prefeituras, o que me possibilitou me manter economicamente durante a graduação. Após, ingressei na advocacia, profissão que admiro até hoje e que pretendo voltar a exercer quando me aposentar, mas já com vistas ao concurso de Delegado de Polícia. Em relação a esta carreira em específico, comecei prestando um concurso na Bahia, em que cheguei a ir para a segunda fase logo no início da minha preparação, o que me motivou a estudar mais. Depois vieram os concursos de São Paulo e Tocantins, que tiveram fases em períodos próximos, mas foram muito longos, tanto na duração do certame, quanto na morosidade para a nomeação. Então, entre umas fases e outras dos concursos de Delegado, surgiram concursos de Procuradoria de Município de cidades próximas da minha cidade natal que eu prestei e tive êxito em ser aprovado, com a bagagem de conhecimento que eu já tinha adquirido. Assumi o cargo de procurador municipal em uma delas até ser nomeado Delegado de Polícia em São Paulo.

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

As cobranças sempre existiram em minha vida, tanto dos meus pais, como as minhas próprias. Já sofri e me queixei muito disso no passado, mas hoje vejo que tudo valeu a pena, tudo foi para um resultado positivo, para um crescimento pessoal e profissional.  

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Delegado de Polícia recém-empossado?

Inicialmente, nós passamos pela Academia de Polícia que, em particular, foi uma das melhores fases da minha vida! Vivi situações inesperadas e diferentes que me fizeram amadurecer e aprender muito. Lá aprendemos técnicas utilizadas na profissão, procedimentos, condutas. Conheci amigos tão especiais, que se tornaram como irmãos para mim! Após essa fase, escolhemos nossas vagas de trabalho e, como mais um sonho realizado, pude escolher a minha no Litoral Norte de São Paulo e comecei trabalhando no plantão da cidade de Caraguatatuba, que atende todo o Litoral Norte às noites dos dias úteis e aos finais de semana. Depois tive a oportunidade de ir para as Delegacias especializadas DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) do Litoral Norte, sediadas em São Sebastião, onde posso desenvolver a atividade-fim a Polícia Civil, a investigação, o que me torna realizado!

 

Quais as principais funções de um Delegado de Polícia?

Nos plantões de Polícia Judiciária, o Delegado de Polícia tem as funções de receber as ocorrências trazidas pelas partes, pelas vítimas, por outros Policiais Civis ou Policiais Militares e deliberar sobre os procedimentos a serem adotados, como decretação de uma prisão em flagrante, arbitramento de fiança, apreensão de objetos, tomada de declarações, depoimentos, reconhecimentos pessoais. É a Autoridade Policial incumbida de decidir qual o desfecho da ocorrência apresentada, utilizando de seu conhecimento técnico e jurídico para tanto.

Já no expediente e mais especificamente falando no trabalho que desenvolvemos em uma Delegacia Especializada, as funções do Delegado são de conduzir as investigações dos crimes que apuram, determinando diligências a serem feitas pelos investigadores, ouvindo os envolvidos, representando por prisões, buscas e outras medidas cautelares junto ao Judiciário, ir a campo buscar elementos de convicção e, inclusive, cumprir mandados de prisão e buscas, coordenando as operações.

Há ainda funções administrativas como a gestão da Delegacia, requisição de material, controle do pessoal, dentre outras.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

No trabalho passamos por situações inusitadas. Certa vez no plantão recebi uma ocorrência apresentada pelos salva-vidas de uma praia conduzindo um cidadão que havia tirado toda a roupa dentro do mar e saído “peladão” correndo na areia, sendo filmado por todo mundo. Outra vez recebemos uma denúncia de que havia numa pousada uma plantação de maconha. Nos disfarçamos de turistas, entramos na pousada, fomos ver a tal plantação, e era apenas uma horta de vegetais.

E o mais triste?

Recentemente tive que atender a um local de suicídio em que o sujeito era um policial militar muito querido da corporação aqui na cidade onde trabalho. Ele estava com problemas com depressão e alcoolismo e se matou com a arma da própria Polícia. Foi muito triste ver aquela cena, principalmente sua esposa e seu filho pequeno sem nem entender o que estava acontecendo. Era um colega de trabalho. Percebi quanto a nossa profissão nos deixa vulneráveis e sensíveis e o quanto precisamos cuidar do nosso corpo e da nossa mente.

 

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

Estudar, e muito! Não há outro jeito. Cada vez mais os concursos estão concorridos. Quanto antes a pessoa decidir e começar a se preparar, ainda na faculdade, melhor e maior será a sua chance de aprovação. O ideal é ler muito o texto da lei e da Constituição e não só doutrinas e aulas (sejam presenciais ou telepresenciais) e fazer exercícios de múltipla escola rotineiramente o que ajudará em provas objetivas de primeira fase.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Polícia Judiciária?

A carreira nos proporciona muita emoção, adrenalina, desafios, conquistas. Mas quem deseja ingressar nela tem que saber que ela é difícil, árdua. Aqui tem muito trabalho. As vezes não temos horas para a família, para o lazer. Nos estressamos, não dormimos todas as noites bem. No final, vale muito a pena, pois se tem a sensação de estar servindo e protegendo, de estar fazendo o bem a sociedade com Justiça.

 

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VICTOR FALCÃO

Victor Falcão

Delegado de Polícia do Estado de São Paulo

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