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Entrevista Concursos Minha trajetória nos concursos - Delegado de Polícia

03/07/2017 por Mauro Argachoff

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Minha trajetória como concursando começou muito cedo. Aliás, eu nunca trabalhei na iniciativa privada. Tenho carteira de trabalho, mas totalmente em branco, porque com 18 anos eu já fui aprovado no concurso para o Ministério Público de São Paulo, no cargo de Escriturário, que posteriormente se transformou no que hoje é o cargo de Oficial de Promotoria.  Cinco anos depois fui aprovado para o cargo de Escrevente do extinto 2º Tribunal de Alçada Civil, onde permaneci mais cinco anos, quando então me tornei Delegado de Polícia no ano de 1998. Mas entre o primeiro concurso e o último tiveram outros que eu cheguei a ser aprovado, mas não assumi.  Já como Delegado, meu último concurso foi para professor da Academia de Polícia onde fui aprovado para a cadeira de inquérito policial. Essa resposta faz com que eu pareça velho, mas não sou!

 

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

Respondo essa pergunta levando em consideração somente o concurso para Delegado de Polícia, onde o estudo foi muito mais intenso e totalmente diferenciado dos demais que prestei.   Elaborei uma planilha de estudos e seguia a risca de segunda a domingo. Todos os dias parte do meu tempo de estudo era voltado para um tópico novo e parte para revisão dos tópicos já vistos. Falo sempre em sala de aula: sem um método não há aprovação.

 

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

No primeiro concurso de Escriturário do MP demorei apenas o tempo do edital, já que foi um concurso que prestei meio que ao acaso, porque vi que as inscrições estavam abertas, me inscrevi e comecei a estudar. Cerca de três ou quatro meses depois estava aprovado. Já com relação ao concurso para Delegado de Polícia, demorei aproximadamente um ano e meio para ser aprovado, estudando de forma intensa.

 

Como traçou seus focos em relação às carreiras?

Desde a faculdade o meu foco era concurso público, mesmo porque eu já possuía um histórico nesse sentido.  No terceiro ano de direito eu já tinha em mente o desejo de me tornar Delegado de Polícia. Ao terminar a faculdade direcionei todos os meus esforços para esse fim.

 

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

Quando você fala em família que deseja se tornar policial é absolutamente comum uma certa preocupação.  No meu caso não foi diferente, ainda mais que não há no meu círculo familiar, até hoje, nenhum outro policial. Mas não foi nada que pudesse causar algum abalo na minha convicção e nem na relação familiar. Com o tempo isso se dissipou de forma natural.

 

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Delegado de Polícia recém empossado?

Rotina? O que é rotina? Isso é um diferencial entre a carreira de Delegado de Polícia e as demais carreiras jurídicas. É que o Delegado de Policia não vivencia a rotina. Cada dia é uma novidade, um fato novo, uma experiência distinta. Tudo é dinâmico. Você sabe como iniciará seu dia mas nunca como irá terminar. É muito comum um Delegado de Policia deixar de comparecer a algum compromisso social pelo fato de não ter conseguido se desvencilhar de alguma ocorrência apresentada na última hora. Ser acionado nas madrugadas e aos finais de semana também é algo que nunca poderá ser desprezado. Costumo dizer aos meus alunos: se você gosta de rotina, escolha outra carreira.

 

Quais as principais funções de um Delegado de Polícia?

O Delegado de Polícia é o chefe da Policia Civil. A sua função precípua é exercer a presidência do Inquérito Policial. Mas existem outras funções tão importantes quanto, como por exemplo trabalhar como Delegado Operacional (GARRA, GOE, GER, etc), além da parte administrativa (unidades gestoras, administração de pessoal, etc) que é fundamental para que toda a engrenagem funcione corretamente.

 

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

A policia normalmente lida com as mazelas sociais. Em algumas coisas acabamos vendo graça onde os outros não vêem porque nos tornamos, de certa forma, um pouco frios com relação a determinados assuntos. E isso é até salutar para que não tenhamos um envolvimento emocional com a ocorrência e assim possamos apresentar um resultado satisfatório. Eu costumo fazer uma brincadeira dizendo que seria muito estranho se em cada local de homicídio que eu atendi nos meus 12 anos de D.H.P.P eu começasse a chorar com a família. Acho que não é o que esperariam de mim e sim que eu solucionasse o crime. Mas como curioso lembro de um duplo homicídio em que os corpos estava sem as cabeças, que acabamos encontrando em outra rua. Um pouco tétrico, não é?

 

E o mais triste?

O mais triste, sem sombra de dúvidas e lidar com homicídio de vítima criança.

 

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

Entendo que o primeiro passo a ser dado é fazer uma reflexão se tem absoluta certeza de que é o que deseja e tem a consciência de tudo que terá que abrir mão para atingir seu objetivo. Festas, baladas, viagens serão extremamente limitadas. Como professor de curso preparatório noto que concurso público é algo que se profissionalizou muito com o passar dos anos. Se a pessoa não estudar vigorosamente as possibilidades de aprovação são quase nulas. Não existe fator sorte, existe preparo. Você não me perguntou mas aproveito para dizer que o segundo passo é procurar um bom curso e estar absolutamente atualizado juridicamente.

 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Polícia Judiciária?

Deve esperar ingressar em uma carreira dura, que exige demais de seus profissionais e muitas vezes não lhe dá o retorno financeiro devido, mas que ao final de um esclarecimento de um crime grave a sensação é tão boa, mas tão boa, que por um momento se esquece o que falei no inicio desta resposta.

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MAURO ARGACHOFF

Mauro Argachoff

Delegado de Polícia. Mestre em Direito Penal pela USP. Professor da Academia da Policia Civil do Estado de São Paulo; Professor no Complexo Damásio de Jesus; na Pós Graduação da EPD e na ESA.

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