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ENTREVISTA Advocacia e Mercado

Quais são os principais problemas relacionados com o mercado da  advocacia?

O principal desafio é promover a mudança do modelo mental, na atualidade faz-se necessário buscarmos a tecnologia para a evolução e aprimoramento do profissional da advocacia, por meio de ações consolidadas no dia a dia, pois só assim, enfrentaremos esse período de transição profissional e a advocacia contribuirá para a educação do mercado e formação de profissionais em sintonia com o presente e futuro.

 

A senhora acredita que o próprio exercício da advocacia está se transformando muito nos últimos tempos?

Sim, há algum tempo observo mudanças profissionais significativas e diante deste cenário, ocasionado pelo desenvolvimento tecnológico, assim sendo se tornou necessário buscar conhecimento e planejamento para enfrentar os desafios que se apresentam aos advogados e advogadas na atualidade.

 

Qual o papel dos procedimentos de desjudicialização neste cenário de mudança?

Primordial, com a ressalva de que, todos os procedimentos de desjudicialização somente serão efetivos com a obrigatoriedade do  profissional da advocacia cabendo aos mesmos, conseqüência lógica,  repensar na formação profissional, hoje em dia, tudo muda tão rápido que o nível de atenção e conhecimento exigido para o profissional  da Advocacia, é o mais alto e jamais visto, mas isso só multiplica as oportunidades.  E os profissionais que possuem essa visão obtêm rapidamente o reconhecimento desejado.

 

Muitos órgãos de conciliação estão dispensando os advogados, como a senhora vê isto?

Vejo como sabotagem aos cidadãos e ao Estado Democrático de Direito. O livre exercício da Advocacia, bem como, a indispensabilidade de seus profissionais na defesa dos direitos dos brasileiros, garantem que a Lei é o limite para todos, e nada, mais nada mesmo, deve ser resolvido fora do sistema jurídico proposto na Constituição Federal. Na minha opinião tudo o que foi criado valendo-se da desculpa de que é o profissional da advocacia que promove a lentidão da Justiça, nada mais é do que uma grande maquiagem que objetiva ocultar a inoperância de gestão dos sistemas postos.

 

A Arbitragem poderia ser uma ótima saída?

Penso ser uma alternativa viável, mas infelizmente, não é tão fácil assim, temos formação cultural para o litígio, a nossa sociedade cada vez mais acredita ter direitos sem deveres, buscando no Poder Judiciário, a resposta para a solução dos mesmos.  Sem a menor dúvida o profissional da advocacia deve ser o agente transformador dessa realidade, fazendo-se ainda mais imprescindível na busca e implantação de soluções dos conflitos no escritório evitando ao máximo dirigir-se ao Poder Judiciário, e concretamente contribuir para um modelo minimalista de judicialização.

Nos últimos anos nos deparamos com a criação de mecanismos de solução de conflitos sem a presença da advocacia, isso será o fim da sociedade de direito. Os advogados e advogadas não podem ficar inertes diante do desrespeito ao livre exercício de sua atividade profissional e a atos administrativos que ferem as garantias constitucionais dos cidadãos. Precisamos inclusive de postura Institucional séria quanto às referidas questões.

 

Tanto na graduação quanto na pós, o que deve mudar no ensino jurídico?

A formação impondo-se alteração imediata dos projetos pedagógicos e grades curriculares para o ensino jurídico, trazendo ao mesmo tempo e intensidade a revolução tecnológica associada e às relações interpessoais. O modelo existente, não forma o profissional com o mínimo necessário para o desenvolvimento profissional e as exigências do mercado de prestação de serviços.

 

Como a senhora vê o impacto da inteligência artificial no exercício da advocacia?

Muitos profissionais já estão questionando se ocorrerá a substituição dos profissionais do direito, não só da advocacia, pela “máquina” e até também se a Justiça do futuro será virtual?

Devemos cumprir nossa missão! O Direito é o mecanismo de solução dos conflitos na sociedade. Os profissionais da Advocacia são os únicos habilitados, sob todos os aspectos, à promoção da verdadeira Justiça e devem cumprir a função social e humanista.  Portanto, essa questão deve ser imediatamente enfrentada, a mudança imprescindível do ensino jurídico. O desafio obrigatoriamente passa por alteração da gestão e de uma estratégia de longo prazo. Sem investimentos na qualidade do ensino jurídico, futuro próximo será a estagnação e mediocridade profissional.

Acredito que a inteligência artificial fornece aos profissionais da Advocacia instrumentos para acelerar resultados, reduzir custos mudando completamente a forma de trabalho da prática jurídica valendo-se das plataformas digitais e incorporando o blockchain em diversas práticas, proporcionando um ganho real de tempo e oferecendo sempre um serviço de qualidade. O que não significa dizer que substituirá os advogados e advogadas cujas habilidades humanísticas e de relacionamento são únicas mantiveram e mantêm relação de confiança e longeva com o cliente. Importante, porém, que ocorra a democratização do uso da tecnologia para a evolução. O aprimoramento profissional impõe a busca de práticas inovadoras que devem ser incorporadas na rotina jurídica objetivando fomentar os resultados e facilitar o crescimento profissional. Assim, assumir os riscos do novo e desconhecido, desafiar a rotina e a monotonia do cotidiano será imprescindível.

A capacidade de comunicar-se para o profissional da Advocacia faz-se ainda mais vital. A comunicação é o recurso mais precioso que temos disponível para dar vida aos direitos dos cidadãos. O mundo está em constante transformação. Mudar é difícil, não mudar é fatal. O mundo já foi dominado pela força, depois pelo capital, atualmente pela inteligência e agora pela inteligência artificial.

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MARGARETE DE CÁSSIA LOPES

Margarete de Cássia Lopes

Advogada. Professora universitária. Conselheira da OAB/SP.

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