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Concursos Você e os Concursos Públicos

01/08/2006 por William Douglas

 

O telefone tocou. Era um ex-aluno que queria esclarecer algumas dúvidas. Uma imensa alegria contagiou meu coração, pois sempre tive grande prazer em reencontrar meus colegas de aprendizagem. O ex-aluno era um desses que o Professor sabe que será um grande vencedor, inteligente, dedicado, persistente, humilde e o principal, sabia o que queria.

Lembro-me que no 5º semestre "ele" me disse que iria ser Delegado de Polícia, queria um edital e que eu o orientasse como deveria ser sua estratégia de estudos.

No intervalo das aulas lá vinha "ele" com suas perguntas geniais, com as quais eu ensinava e aprendia. Era um aluno espetacular, que se comportava com muita dignidade e tinha, ainda quando estudante, uma visão muito boa do papel social que o Profissional de Direito tem que desenvolver na sociedade.

Eu sempre pensava que era da honestidade e dignidade e de seu idealismo que precisávamos para o fortalecimento da justiça. Tive conhecimento de suas dificuldades: "ele" era muito pobre, trabalhava muito, quase não conseguia conciliar "aula/trabalho" e sempre chegava atrasado nas minhas aulas. Eu, ajudava-o como podia, colocando suas presenças, doando vários livros, etc.

Após o término da faculdade, não tive mais notícias "dele", até que o telefone tocou, e logo minha alegria se transformou em tristeza.

Ao perguntar sobre seu sonho de "ser Delegado de Polícia", ele respondeu:

- Desisti, Professor.

- Como? Desistiu?

- Sim. Fiz concursos em dois Estados e não passei nem na primeira fase, senti que não era capaz e desisti. Agora estou trabalhando em uma empresa e meu trabalho não tem relação com o Direito.

Esclarecida a dúvida, desliguei o telefone e confesso que fiquei incomodado, eu teria que fazer alguma coisa, não era possível que alguém que cultivava um belo ideal tivesse desistido tão facilmente.

Lembrei-me que tinha anotado seu endereço para mandar-lhe um livro de presente e de forma incontinenti fui até ao computador e escrevi uma "cartinha" com o título "carta a um futuro vencedor".

Remeti a carta junto com o livro e fiquei esperando a resposta.

A resposta não chegou e eu até já tinha esquecido deste triste episódio quando dois anos após, o carteiro me entregou um "sedex urgente", antes de abrir eu pensei: "porque alguém mandaria uma folha por sedex?". Era uma carta do ex-aluno que, em síntese, dizia:

Professor, muito obrigado:

Quando recebi a "carta a um futuro vencedor", chorei ...

Abandonei tudo e voltei a estudar ...

Retomei a luta por meu sonho ...

Jurei que não iria desistir ...

Nos momentos de crises eu lia textos de sua "carta".

Em anexo um convite para minha posse como Delegado de Polícia.

Não falte, eu e minha família queremos lhe dar um grande abraço."

 

Você que está lendo este artigo está em que situação? No primeiro entusiasmo? Se estiver, saiba que vai passar por momentos de desânimo. Prepare-se para supera-los. Está desanimado? Saiba que está na hora de voltar a trabalhar por seu sonho, sua vida, seu futuro. Está no segundo entusiasmo, aquele após já ter superado momentos de cansaço? Prossiga no sonho, ele está mais perto do que você imagina.

Citamos esse caso para lembrar você que há muitas coisas boas acontecendo: você, que decidiu passar em algum concurso, está no caminho certo. Permaneça nele, que vale a pena.

 

William Douglas, Juiz Federal em Niterói-RJ, e Francisco Dirceu, Promotor de Justiça do estado do Rio de Janeiro, são autores de diversos livros para concursos. O caso citado foi extraído da obra "Carta aos concursandos", Ed. Campus/Elsevier.

 

 

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