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CRÔNICAS FORENSES Tiro ao alvo

02/10/2015 por Roberto Delmanto

O jovem engenheiro, trabalhando em uma multinacional, costumava viajar muito a serviço, daí porque possuía porte de arma.Certa ocasião, como sua esposa estivesse adoentada, necessitando de atenção, decidiu viajar somente à noite e de carro para o Rio de Janeiro, onde na manhã seguinte tinha importante reunião.

 

Em um trecho da Via Dutra, viu à sua frente um caminhão guincho, cujas características, por estar muito sujo, não conseguiu identificar. Como o guincho trafegasse pela faixa da esquerda, pediu-lhe passagem e o motorista do guincho não deu; insistiu e o guincho acabou indo para a faixa da direita, aparentemente lhe permitindo a ultrapassagem pela esquerda.

 

Quando o engenheiro tentou ultrapassá-lo, o motorista do guincho o fechou, quase causando uma colisão. A cena se repetiu algumas vezes, até que o engenheiro, conseguiu fazer a ultrapassagem.

 

Contudo, poucos quilômetros adiante foi parado por uma barreira da polícia rodoviária federal, quando ficou sabendo que o guincho pertencia à corporação e seu motorista o acusava de ter efetuado disparos em sua direção. Como o engenheiro portasse um revólver, foi preso em flagrante e libertado sob fiança.Embora não tenham sido encontrados sinais de tiros no guincho, a sua situação se agravou quando a perícia concluiu que a arma aparentava vestígios vde disparo recente.

 

Tendo assumido a defesa do engenheiro, que negava com veemência haver dado qualquer tiro contra o guincho, ele me explicou que uma semana antes, em um domingo, na fazenda de um tio em Viracopos praticara tiro ao alvo, daí os vestígios encontrados na arma.

 

A cena tinha sido filmada por um primo e mostrava tratar-se de um dia com tempo muito ruim, chovendo, o que é raríssimo em Viracopos.Junto ao aeroporto conseguimos a comprovação de que no domingo anterior à prisão do engenheiro, o tempo estivera de fato excepcionalmente fechado, tendo a pista chegado a ficar interditada por algumas horas.

 

Com esse documento, mais o testemunho do primo e de outras pessoas que haviam presenciado o tiro ao alvo, o engenheiro restou absolvido por insuficiência de provas. Não tendo o promotor apelado, a decisão transitou em julgado.

 

Recomendei-lhe, todavia, que a partir de então deixasse de andar armado e, principalmente, de forçar ultrapassagens em estradas...

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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