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CRÔNICAS FORENSES Sobre Homônimos e Ressucitados

03/02/2015 por Roberto Delmanto

O escrivão foi um dos melhores que a polícia civil de São Paulo já teve. Honesto, competente, trabalhador e gentilíssimo, seus serviços eram disputados pelos delegados, gozando da estima geral.

 

Amigo particular, leio a notícia de sua morte e, chocado, apresso-me em mandar um telegrama à  família. No dia seguinte, ele me telefona: o falecido era um homônimo, mas me agradecia pela demonstração de afeto. Só veio, de fato, a morrer anos depois.

 

A advogada criminalista, de origem libanesa, tinha um nome bem particular. Ao ler a notícia do falecimento, não tive dúvidas de que se tratava dela.

 

Pretendendo comparecer à missa de sétimo dia, desta vez não enviei telegrama aos familiares. Até que, antes da missa, para meu espanto, cruzo com ela perto do Fórum Criminal. Discretamente, pergunto se a falecida era sua parente e recebo a explicação de que se tratava de uma tia muito idosa de quem, seguindo a tradição árabe, tinha o mesmíssimo nome.

 

Vejo no jornal a notícia da morte do médico, conhecido do clube que frequento e irmão de um amigo. O primeiro prenome - pelo qual o conhecia - era idêntico, assim como o sobrenome. Apenas tive dúvida quanto ao segundo prenome, que desconhecia. Antes que pudesse esclarecer o fato na secretária do clube, ao entrar, dias depois, na sala de leitura, dou com ele, belo e fagueiro, lendo um jornal.Cumprimento-o, sem nada comentar...

 

A liberdade de culto e de crença é constitucionalmente garantida. O pastor evangélico era famoso pelas curas que semanalmente realizava, inclusive em doentes muito graves. Daí porque começou a circular o rumor de que ressuscitava os mortos. Os boatos chegaram ao conhecimento da polícia, que começava a investigar o fato.

 

Procurado pelo advogado da igreja, recomendei-lhe aconselhasse o pastor a, antes das sessões de cura, deixar claro aos fiéis que a pessoa estava viva. Afinal, o próprio Cristo, filho de Deus, segundo o Novo Testamento, só ressuscitara Lázaro, mais ninguém.

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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