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CONCURSO Seu método de estudo está correto?

04/11/2010 por Luiz Flávio Gomes

 

Meus caros amigos: vocês já pararam para pensar no seu método de estudo? Será que você não anda estudando um montão de coisas de forma totalmente errada? Já faz duas semanas que estou cuidando do tema diariamente no meu twitter/blog. Se você pretende ser um sucesso (sucesso em ação ou sucesso-triunfo) e depende de muito estudo para alcançar o seu objetivo (devidamente traçado), preste atenção nas novas dicas apresentadas por um grupo de psicólogos da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (citados por Benedict Carey, The New York Times - Folha de S. Paulo, de 27.09.10, p. 5).

 

Eles estão contestando nosso método tradicional de estudar. Sempre dissemos: procure um lugar tranqüilo para estudar, reserve um espaço que te transmita calma; adapte-se a uma única paisagem porque isso te traz concentração etc. O que alguns psicólogos da Universidade da Califórnia (Los Angeles) estão sugerindo é o contrário: o simples fato de você alternar (mudar) o ambiente do estudo já melhora a sua atenção (ou seja: sua captação e retenção da informação pode se incrementar quando você troca de ambiente de estudo). Não estude, então, num só ambiente. Eu agora estou fazendo minhas leituras não só no escritório.

 

Por que mudar de ambiente? Porque "O cérebro estabelece associações sutis entre o que é estudado e as sensações notadas naquele momento no ambiente". Se você está lendo ao lado de uma piscina poderia sentir a sensação do azul (ou algo mais ou menos assim). Se você está estudando numa casa de campo, ouvindo pássaros, seu cérebro capta esse nostálgico ambiente e o associa ao que você está lendo.

 

Robert Bjork (psicólogo da Universidade da Califórnia) disse: "O que achamos que acontece é que, quando o contexto externo varia, a informação é enriquecida, retardando o esquecimento". Em outras palavras: a mudança do fator externo pode contribuir para a memorização daquilo que você leu e entendeu. Mais ainda: isso pode facilitar o envio dessas informações para a memória profunda, que representaria um grande ganho.

 

Uma segunda dica que podemos extrair do estudo realizado pelo grupo de psicólogos da Universidade da Califórnia é a seguinte: "Você deve estudar habilidades ou conceitos distintos, mas correlatos, de uma só vez, em lugar de focar intensamente em uma coisa só". Um estudante de direito (ou quem se prepara para uma prova ou para um concurso), por exemplo, não deve estudar uma única disciplina "intensamente" (direito penal, v.g.), esquecendo-se das demais. Tudo que for correlato deve, desde logo, já ingressar no seu campo de estudo. Deveríamos então estudar, concomitantemente, direito penal junto com direito processual penal (e ambos juntos com direito constitucional).

 

Por que deveríamos estudar várias habilidades e conceitos correlatos (várias disciplinas correlatas) ao mesmo tempo? A resposta vem dada pelos citados psicólogos norte-americanos: "A variação do tipo de material estudado em uma só sessão parece deixar uma impressão mais profunda no cérebro, em vez de se concentrar numa só coisa por vez". Em cada momento que trocamos de disciplina nosso cérebro desperta um tipo de sinal de que estamos diante de algo diferente. Isso faz com que ele fique mais "antenado", o que nos permite captar mais e memorizar mais.

 

Uma outra velha crença que está sendo colocada em discussão é a "noção de que as pessoas (sobretudo as crianças) teriam estilos de aprendizado específicos: que algumas seriam mais "e;visuais"e;, enquanto outras aprenderiam "e;de ouvido"e; (auditivas); que algumas usariam mais o lado esquerdo do cérebro, enquanto outras usariam mais o direito".

 

Tudo isso está sendo muito questionado. "Numa recente revisão publicada na revista "Psychological Science in the Public Interest" uma equipe de psicólogos não encontrou praticamente nada que corroborasse tais ideias. Eles consideram "e;chocante e perturbador"e; a popularidade de uma abordagem tão pouco comprovada" (cf. Benedict Carey, The New York Times - Folha de S. Paulo, de 27.09.10, p. 5). Como se vê, tudo que sabíamos sobre a forma de aprendizagem está sendo colocado em xeque. Em minha opinião, nada pode ser descartado de plano.  

 

Imersão total: cuidado! A pesquisa dos psicólogos da Universidade da Califórnia não vê com bons olhos esse negócio de "imersão total" (aprenda inglês em 100 horas, saiba tudo de matemática em 50 horas etc.). Calma, vamos devagar. "Entupir apressadamente um cérebro é como tentar encher de repente uma mala vagabunda: ela segura o conteúdo por algum tempo, até que tudo se esparrama" (cf. Benedict Carey, The New York Times - Folha de S. Paulo, de 27.09.10, p. 5). Por quê? Porque tudo que vai somente para nossa memória superficial só fica retido por brevíssimo tempo. Muito rapidamente tudo se evapora, sobretudo se você não anotou o que ouviu, ou seja, se você não tem o material escrito (para poder rememorar). O que fica retido por longo tempo é o que você consegue mandar para a sua memória profunda ("piano, piano se va lontano"). Aqui está o seu patrimônio cultural (biológico e social). E nós valemos (culturalmente falando) o quanto nós sabemos.


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LUIZ FLÁVIO GOMES

Luiz Flávio Gomes

Deputado Federal eleito. Criador do Movimento Quero um Brasil Ético.
Doutor em Direito. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do atualidadesdodireito.com.br. Foi Investigador de Polícia, Delegado de Polícia, Promotor de Justiça. Juiz de Direito e Advogado.
www.ProfessorLuizFlavioGomes.com.br

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