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FILOSOFIA Renascimento: Rafael e a Escola de Atenas

04/05/2015 por Luciene Félix

A Escola de Atenas

 

Nos dois artigos mais recentes tivemos a oportunidade de conhecer algumas peculiaridades do Renascimento, movimento artístico que, pautado por tantas descobertas nas áreas da ciência e do humanismo culminou numa avalanche de criativa genialidade, legando beleza.

 

Concluindo nossa explanação sobre esse marco na História da Arte e, consequentemente, na História da humanidade, neste mês, trazemos as características do período denominado “Cinquecento” (já abordamos o “Trecento” e o “Quatrocento”), que desponta por volta do século XVI.

 

Na Idade Média, início do Renascimento, o foco ainda estava no culto aos ensinamentos e valores eclesiásticos. É no “Cinquecento” que os artistas se sentem ainda mais seduzidos pela beleza dos corpos, sua força e perfeição.

 

Saímos da sacralidade estática do Bizantino, ganhamos “vida” na cotidianidade, através do pioneirismo de Giotto di Bondone e resgatamos a mitologia pagã com Botticelli, por exemplo.

 

Agora, avançando mais um pouco, numa nova perspectiva, santos, mártires e profetas voltam a ser retratados com toda pompa e solenidade, pois somente o que fosse descomunalmente sublime , até “transcendente” era digno de representação.

 

Influenciados pela antiguidade clássica, os artistas redescobrem e perseguem gestos e serenidade no porte. Michelangelo é um exemplo de genialidade nas esculturas, cujo grau de realidade extraído do mármore impressionava em cada detalhe, explicitando profunda expressividade inclusive no olhar.

 

Voltando-se para os detalhes, os Renascentistas afastam-se do comportamento de seus patronos, que eram novos ricos mais discretos, pois buscavam reconhecimento sem chamar demais a atenção. Assim, até a paleta e o uso das cores fogem um pouco do excesso de colorido e de brilho do “Quatrocento”, caminhando para certa dramatização mais contida.

 

Ainda no “Quatrocento”, foram esses ricos senhores que, almejando o status de nobres, ajudaram a traçar o perfil do que viria a ser o profissional das artes.

 

Digno de nota é que no “Cinquecento”, os grandes mestres se tornam eles mesmos, ricos senhores. Isso porque a valorização do trabalho de um pintor ou escultor, agora como verdadeiro artista, não mais um simples artesão, o alça a profissional reconhecido e bem remunerado. Mais que tirá-los da marginalidade, os alça a um patamar realmente privilegiado.

 

Michelangelo Buonarroti, apesar de ter vivido com modéstia, chegou a recursar o pagamento por seu trabalho na Basílica de São Pedro, pois estava bem de vida. E Rafael Sanzio, por exemplo, já estava muitíssimo bem estabelecido quando executou suas mais magníficas obras.

 

No entanto, todo esse reconhecimento tinha seu preço. Cabia ao artista buscar “sua própria forma de representação na tentativa de alcançar uma diferenciação entre os tantos que surgiam o mesmo  conhecimento”.

 

Embora a formação técnica e científica proporcionada pelas oficinas ainda se mantivessem por todo o período “Cinquecento”, ela não influenciava mais na formação e estilo dos artistas. Entretanto, com o surgimento do conceito de “arte científica”, com Leon Battista Alberti, a matemática apresenta-se como sendo uma disciplina comum tanto à arte quanto à ciência, reivindicando as teorias de perspectivas e proporções como sendo partes dela.

 

Para Leonardo Da Vinci, a pintura era uma espécie de ciência natural exata, mas também superior às ciências porque essas são imitáveis, enquanto a arte, por estar ligada ao gênio do artista, seria única.

 

Foi no período “Cinquecento” que o Renascimento ampliou ainda mais seu alcance e inspirou a realização de grandes obras em toda a Europa, tanto na pintura (Albrecht Dürer e Hans Holbein, na Alemanha, por exemplo) quanto na literatura: Dante, Gil Vicente, Camões, François Rabelais e Maquiavel, dentre outros.

 

Nas ciências, são também desse período os gênios tais como Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno, que ousaram tirar o monopólio do saber das mãos da Igreja, causando alvoroço.

 

Enquanto no “Quatrocento” o movimento Renascentista espalha-se pelas cidades italianas, no “Cinquecento” chega aos demais países europeus até ir perdendo força no interior da própria Itália.

 

Um novo período começa a surgir. Trata-se do “Maneirismo” (pois à maneira do autor), movimento que será marcado pelo exagero, o negativismo e certo afastamento da antiguidade clássica.

 

Segundo especialistas, muitos dos artistas que realizaram seus trabalhos próxima a essa fase, o “Cinquecento”, já foram influenciados na concepção de suas obras. El Greco é um bom exemplo sobre o que nos referimos. O afresco do “juízo final”, por Michelangelo, na Capela Sistina, também já apresenta os traços fortes desse novo estilo.

 

Para fechar a trilogia sobre o Renascimento, convido os leitores a apreciar em meu blog a análise da mais famosa obra de Rafael Sanzio (1483-1520), “A escola de Atenas” (afresco na “Stanza della Segnatura”, no Vaticano, em Roma). Rafael nasceu em Urbino, morou em Florença, alçou a fama cedo, em Roma e partiu precocemente, com apenas 37 anos de idade.

 

Nessa obra imperdível, famosos filósofos, guerreiros, matemáticos, astrônomos, sábios e demais pensadores, figuram entre os lúcidos deuses do lógos (ratio): Apolo e Athena (Hélios e Minerva, na mitologia romana).

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LUCIENE FÉLIX

Luciene Félix

Professora de Filosofia e Mitologia Grega da Escola Superior de Direito Constitucional -
ESDC - www.esdc.com.br Blog: www.lucienefelix.blogspot.com
E-mail: mitologia@esdc.com.br

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