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Língua Portuguesa "Quem sabe o que é prosopopéia?"

04/06/2008 por Eduardo de Moraes Sabbag

 

            "A aula transcorria normalmente, quando a dúvida de Língua Portuguesa surgiu...". Assim defino o que aconteceu com um grande amigo e ilustre Professor de Processo Civil - Fredie Didier Jr. -, em uma de suas brilhantes aulas. Na verdade, o contexto relatado na frase inicial foi-me dito pelo próprio Didier, demonstrando a celeuma que teria criado a expressão "a madeira vai piar", dita em aula, sem grande preocupação com a construção estilística em si. Na ocasião, perguntou-se qual figura de linguagem comportaria aquela expressão, e, embora muito se tenha dito, poucos alunos conseguiram decifrar com correção.

 

            Há poucos dias, Didier, relatando-me o acontecido, inquiriu-me acerca da dúvida, sugerindo que escrevesse algo para que pudesse divulgar a todos, sanando o impasse. Até aproveitei a ocasião e brinquei com o amigo, dizendo que, naquela situação, entre ele e seus alunos, recorrer a mim significaria um verdadeiro "chamamento ao processo..."

 

            Brincadeiras à parte, segue abaixo a resposta, ipsis litteris, que vem com muitos exemplos e detalhes curiosos, ligados à literatura, à música popular e, até mesmo, à solicitação em provas de concursos e vestibulares.

 

            "Caro Professor Fredie Didier Jr.:

 

            Em primeiro lugar, sinto-me lisonjeado por servir de referencial ao estimado professor, no que tange à solução de uma dúvida de Língua Portuguesa.

            A dúvida que movimentou o alunado atrela-se a uma figura de pensamento, no contexto da estilística. Procurei, nas linhas seguintes, explicar o tema com uma farta gama de exemplos, colhidos da literatura, da música popular e, até mesmo, do ambiente de vestibulares e concursos, levando-se em conta que nossa atividade docente se atrela ao ambiente dos concursos públicos. Além disso, exponho a resposta na forma de "quadros explicativos", cuja didática lhe poderá ser útil, se desejar dividir o tema com seus fiéis discentes. Passemos, então, à análise:

 

            Uma das características do texto literário é a conotação, mecanismo por meio do qual recriamos e alteramos o significado institucionalizado de uma palavra. A linguagem conotativa faz-se presente, no texto, por meio da utilização das figuras de linguagem - recurso estilístico que dá uma maior expressividade, ajudando o escritor a dizer algo de uma maneira nova, diferente e criativa, de modo a impressionar o interlocutor e a torná-lo sensível e atento ao que se diz. Desse modo, tais construções são formas que servem ao enriquecimento artístico da Língua, visando tornar a obra mais rica e interessante e, em determinados momentos, mais poética.

 

            Entre as figuras de linguagem, destacam-se as figuras de pensamento - ou "de retórica" -, que resultam do desacordo entre a verdadeira intenção de comunicar e o ato de fala. Vale dizer que consistem em "desvios" que funcionam como véus a ocultar um estado de consciência. Entre elas, a que nos interessa, neste momento, em razão da dúvida relatada, é a prosopopéia, também conhecida por "personificação", "animização" ou "antropomorfismo", que consiste em atribuir linguagem, sentimentos e ações de seres humanos a seres inanimados, irracionais, mortos ou ausentes (animais, plantas ou coisas). Assim, quando se atribuem vida, movimento ou voz a estes seres, ou ainda se invocam figuras imaginárias ou desaparecidas, tem-se o ato de personificação, em um processo estilístico que se realiza na esfera do pensamento. Nele intervêm, com vigor, a emoção, o sentimento e a paixão. "É a figura, por excelência, de ficção, dos mitos, das histórias (estórias) maravilhosas e narrações infantis"1. Não é à toa que a prosopopéia transita em abundância nas fábulas, que tanto nos encantam, quando se observa, por exemplo, que animais dialogam entre si, provocando o atraente lado lúdico na aprendizagem.

 

            Os exemplos abaixo são esclarecedores, indicando-se, nas sublinhas, as personificações:

 

 

EXEMPLOS DE PROSOPOPÉIA

 

 

A cidade, mutilando-se, fechou suas portas.

 

 

A vida ensinou-me a ser humilde.

 

O rio corria pela montanha.

 

O amor voltou-lhes as costas.

 

O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

 

O galo cantou às quatro da manhã.

 

As ondas beijavam a areia da praia.

 

Em sonho, o morto gritava inúmeras vezes por Maria.

 

O prédio sorria perante os trabalhadores.

 

Numa casa conversavam animadamente um lápis e uma caneta.

 

Depois que o sol me cumprimentou, dirigi-me à cozinha.

 

"O Morro dos Ventos Uivantes" é uma história de amor. Cruel e apaixonante.

As árvores torciam-se e gemiam, vergastadas pelo vento.

 

Uma lágrima espreitou-me um instante os olhos, e recolheu-se depois, surpreendida?

 

Cresciam apenas árvores raquíticas naquele bosque.

 

As pedras choram, os regatos sorriem.

 

 

 

            A figura de pensamento ora estudada também aparece com freqüência no repertório musical, ornamentando nossa música popular com um toque singular de elegância e criatividade que, a propósito, só nossa MPB possui. Os exemplos são pródigos:

 

1. Zé Ramalho, na engajada e crítica canção "Admirável gado novo" (1981): "(...) os automóveis ouvem a notícia (...)";

 

2. Lulu Santos e Nelson Mota, na inesquecível letra "De repente Califórnia": "O vento beija meus cabelos, / as ondas lambem minhas pernas, / o sol abraça o meu corpo, / meu coração canta feliz."

 

3. Noel Rosa e João de Barro, na atemporal "As Pastorinhas": "A estrela d "e;alva / no céu desponta / E a lua anda tonta / com tamanho esplendor (...)";

 

4. Paulo Soledade e Marino Pinto, na saudosa "Estrela do Mar" (1952): "Um pequeno grão de areia, / que era um pobre sonhador / Olhando o céu viu uma estrela / Imaginou coisa de amor."

 

5. João Bosco e Aldir Blanc, na otimista canção "O Bêbado e a Equilibrista": "A lua, / tal qual a dona de um bordel, / pedia a cada estrela fria / um brilho de aluguel. / E nuvens, / lá no mata-borrão do céu, / chupavam manchas torturadas - que sufoco!"

 

6. Chico Buarque e Sivuca, na clássica "João e Maria": "Agora eu era o herói / E o meu cavalofalava inglês..."

 

            Seria um grave lapso, nesta resposta, se não lhe revelasse o emblemático exemplo de personificação que ocorre nos primeiros versos do Hino Nacional. Observe:


"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heróico o brado retumbante"

            Para detectá-la, faz-se necessário proceder à "arrumação" dos versos, cuja ordem apresenta-se invertida. Tal inversão de termos avoca, curiosamente, outra figura estilística conhecida por "anástrofe". Os versos iniciais de nosso Hino Nacional podem ser "organizados" da seguinte forma:


"As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico".

 

            Note que as margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante, o que designa ação humana para um ser inanimado. É a prosopopéia no Hino Nacional, e com "direito" à anástrofe...  Do ponto de vista estilístico, é fato induvidoso: nosso Hino é um espetáculo à parte, não acha?

 

            Maior esforço interpretativo terá - sem dúvida - ao tentar detectar as situações de personificação nos versos de Camões. O épico poeta, em várias passagens, em "Os Lusíadas", valeu-se da prosopopéia, o que me força à citação. Veja alguns exemplos, em que o imortal poeta lusitano traz o choro, a visão e a fala àqueles que não podem chorar, ver ou falar:

 

(I) "Os altos promontórios o choraram / e dos rios as águas saudosas  / Os semeados campos alagaram, / Com lágrimas correndo piedosas (...)"2 ("promontório" significa cabo formado de rochas elevadas);

 

(II) "Do mar que do Sol a roxa entrada"3;

 

(III) "Os montes de mais perto respondiam, quase movidos de alta piedade."

 

 

            Aproveitando a inspiração que Camões nos proporciona, vale a pena observar os exemplos de prosopopéia coletados da literatura, expostos em forma de quadro, para fins didáticos, no intuito de dimensionar a importância desse recurso estilístico na linguagem dos escritores:

 

 

 

A PROSOPOPÉIA NA LITERATURA

 

 

 

 

ESCRITOR

 

FRASE

 

1

Mário Quintana

(I) "Os sinos chamam para o amor."

 

(II) "Onde estão os meus verdes? Os meus azuis? / O Arranha-Céu comeu!"

 

(III) "As águas riem como raparigas / à sombra verde-azul das samambaias."

 

(IV) "Dorme, ruazinha, é tudo escuro."

 

2

Eça de Queirós

I. "Os dias seguiam-se tristonhos."

 

II. "Entretanto, Lisboa arrojava-se aos meus pés."

 

III. "A tarde descia, pensativa e doce, com nuvenzinhas cor-de-rosa."

 

3

Machado de Assis

(I) "Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume."

 

(II) "O meu pensamento, ardiloso e traquinas, saltou pela janela fora e bateu asas na direção da casa de Virgília."

 

(III) "Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: - Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?"

 

4

Carlos Drummond de Andrade

(I) "Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes."

 

(II) "As casas espiam os homens / que correm atrás das mulheres."

 

(III) "Bateu Amor à porta da Loucura. / Deixa-me entrar - pediu - sou teu irmão."

 

5

Castro Alves

(I) "Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares!"

 

(II)    "Vi a Ciência desertar do Egito (...)"

(III)   

 

 

6

Vilma Guimarães Rosa

(I) "As águas do rio gemiam alto, soluçando entre seixos."

 

(II) "Ciprestes austeros velavam a paz dos encantados."

 

7

Cesário Verde

I. "Que o mar leva no dorso exposto aos vendavais,."

 

II. "As dálias a chorar nos braços dos jasmins!"

 

8

Raul Bopp

I. "O sol belisca a pele azul do lago."

 

II. "... os rios vão carregando as queixas do caminho."

 

9

Vergílio Ferreira

I. "O medo vinha a correr também atrás dele."?

 

II. "Plácida, a planície adormece, lavrada ainda de restos de calor."

 

10

Mário de Andrade

"Já reparei que no seu peito / soluça o coração bem feito / de você."

11

Cecília Meireles

"O orvalho treme sobre a treva / e o sonho da noite procura / a voz que o vento abraça e leva."

 

12

Adélia Prado

"O silêncio de quando nos vimos à primeira vez / atravessa a cozinha como um rio profundo."

 

13

Monteiro Lobato

"O 13 de Maio tirou-lhe das mãos o azorrague."

14

Inácio L. Brandão

"O rio tinha entrado em agonia, após anos de devastação em suas margens."

 

15

Olegário Mariano

"Lá fora, no jardim que o luar acaricia, um repuxo apunhala a alma da solidão."

16

Gastão Cruls

"A imaginação açula a matilha das dúvidas."

 

17

Ferreira Gullar

"Ah! cidade maliciosa / de olhos de ressaca / que das índias guardou a vontade de andar nua".

18

Clarice Lispector

"Um frio inteligente (...) percorria o jardim...."

19

Cruz e Souza

"... o sol, no poente, abre tapeçarias..."

20

Carlos de Oliveira

"A Ilha era deserta e o mar com medo / da própria solidão já te sonhava. / Ia em vento chamar-te para longe / E longamente, em espuma, te aguardava."

 

21

Jorge de Sena

"A chuva é obrigada a sentir que eles nem as encostas lhes estendem."

 

 

22

António Vieira

"As estrelas foram chamadas e disseram: aqui estamos."

23

Aquilino Ribeiro

"Um Sol rijo e pesadão, de todo genésico, espojava-se sobre a terra."

24

Fialho de Almeida

"Vêem-se os salgueiros chorando os tradicionais amores de Pedro e Inês."

 

 

25

Florbela Espanca

 "Toda esta noite o rouxinol chorou, / Gemeu, rezou, gritou perdidamente."

26

António Botto

"Naquela manhã de Março, o vento norte levantou-se mal-humorado."

27

Antero de Quental

"Também, choram [as ondas] todo o dia, /Também se estão a queixar. /Também, á luz das estrelas, / toda a noite a suspirar!"

 

 

            Por fim, recomendo que preste atenção ao modo como o tema tem sido solicitado em provas de concursos e vestibulares, haja vista o trabalho a que se dedica no dia-a-dia - o ensino jurídico a candidatos a concursos públicos. Para tanto, relacionei, em prol da melhor didática, as solicitações em mais um quadro explicativo.

 

 

A PROSOPOPÉIA NOS VESTIBULARES E CONCURSOS

 

 

 

 

INSTITUIÇÃO

 

FRASE

 

1

ITA

"A neblina, roçando o chão, cicia, em prece."

 

2

FUVEST

(I)                  "Sinto o canto da noite na boca do vento".

(II)                "Uma talhada de melancia, com seus alegres caroços."

 

3

PUC-RJ

(2007)

(I)                  "E as borboletas sem voz/ dançavam assim veludosamente."

(II)                "A bomba atômica é triste" / "Quando cai, cai sem vontade" / "Coitada da bomba atômica / Que não gosta de matar!".

 

 

4

UEL/2007

"A tua saudade corta como aço de "e;navaia"e;".

 

5

UFC/2008

(I)                  "Sentia-se como o bocejar das casas, cujas portas se abriam com uma lentidão de pálpebras sonolentas."

 

(II)                 "(...) a seca é terrível / que tudo devora (...)" (ASSARÉ, Patativa. A Triste Partida. In: Cordéis e Outros Poemas, Fortaleza: Ed. UFC, 2006, pp. 9-13, versos 69-70).

 

 

6

EsPCEX

"(...) Trago-te flores - restos arrancados / Da terra que nos viu passar unidos / E ora mortos nos deixa e separados (...)" (Machado de Assis, "A Carolina")

 

7

FGV/DIREITO

(2007)

"Algumas folhas da amendoeira expiram em degradado vermelho. / Outras estão apenas nascendo, / verde polido onde a luz estala."

 

8

UNESP/2004

"Que a brisa do Brasil beija e balança".

 

9

UNIARA/2005

"As estrelas dirão: - Ai, nada somos." (Alphonsus de Guimaraens)

 

10

PUC-SP

(I)                  mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal! (...)" (Fernando Pessoa, "Mar Português")

(II)                "(...) o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja."

 

11

Mackenzie-SP

"Agora que se cala o surdo vento / E o rio enternecido com meu pranto / Detém seu vagaroso movimento."

 

12

FMU-SP

(I)                  "(...) a natureza parece estar chorando (...)"

(II)                "O vento voa / a noite toda se atordoa."

 

13

UFSC

"As ondas do mar gritam e gemem ao encontro das pedras."

 

14

UM-SP

(I)                  "Acenando para a fonte, o riacho despediu-se triste e partiu para a longa viagem de volta."

(II)                "Os arbustos dançavam abraçados com os pinheiros a suave valsa do crepúsculo."

 

15

PM/SC-2005

"A floresta gesticulava nervosamente diante do fogo que a devorava."

 

16

IPEM-

AMAPÁ

(2005)

"(...) Um vento furioso provocava fantasmagóricos redemoinhos de areia enquanto o faraó Tutankhamon era retirado de seu local de repouso na antiga necrópole egípcia conhecida como o Vale dos Reis. (...)" (REI TUT, A. R. Williams: National Geographic, 2005).

 

 

 

            É de enaltecer que a personificação não passou ao largo dos ditos populares tão comuns na linguagem do cotidiano. É só conversar um pouco aqui e acolá, e já se ouvem, entre outros tantos curiosos dizeres, expressões do tipo "a cobra vai fumar" ou "a madeira vai piar", como ocorreu na sala de aula. É fácil perceber que a sabedoria popular, estilisticamente, lapidou expressões que personificam coisas e animais, em criativas construções por todos conhecidas.

 

            Tal criatividade só não suplantou a daquele vestibulando que, ao tentar conceituar na prova o vocábulo "prosopopéia", registrou a seguinte "pérola", demonstrando total distanciamento das questões de nossa Língua: "A prosopopéia é o começo de uma epopéia." Quanta imaginação! Para ele, seguramente, "a cobra vai fumar"...

 

            Um abraço fraterno,

            Sucesso nas aulas!

            Prof. Eduardo Sabbag."

NOTAS

 

1 Ver: (I) Cherubim, S. Dicionário de figuras de linguagem, São Paulo, Pioneira, 1989, p. 55; (II) De Nicola, José; Iinfante, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa, São Paulo, Scipione, 1997, p. 436.

 

2 Idem, canto III: 132, 84

 

3  Idem, canto I: 60, 28.

 

 

EDUARDO DE MORAES SABBAG é Advogado, doutorando em Direito Tributário pela PUC-SP, Mestre em Direito Público e Evolução Social pela Unesa-RJ. Professor de Direito Tributário e de Língua Portuguesa do Curso LFG/PRIMA. Coordenador e Professor do Curso de Pós-graduação em Direito Tributário - Rede LFG/ Unisul. Professor de Direito Tributário do Curso de Pós-Graduação da Unisal, em Lorena-SP. Autor das obras: Elementos de Direito Tributário, 9º edição; Redação Forense e Elementos da Gramática, 2º edição; Repertório de Jurisprudência de Direito Tributário, 3ª edição, todos pela Editora Premier Máxima. Visite a página www.professorsabbag.com.br.

 

 

 

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EDUARDO DE MORAES SABBAG

Eduardo de Moraes Sabbag

Advogado, Professor e Autor de Obras Jurídicas, entre elas o "Manual de Direito Tributário" pela Editora Saraiva; Doutor em Direito Tributário, pela PUC/SP; Doutorando em Língua Portuguesa, pela PUC/SP; Professor de Direito Tributário, Redação e de Língua Portuguesa. Site e Redes Sociais: professorsabbag.

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