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ATUALIDADE Próximas etapas da Lava Jato: vamos para o voto faxina

02/05/2017 por Luiz Flávio Gomes

 

As centenas de frases mentirosas dos políticos estão virando pó diante das delações e das provas que estão aparecendo contra eles. No meu novo livro (O jogo sujo da corrupção) descrevo como está acontecendo a implosão do velho sistema político-empresarial corrupto e o quanto que nós, eleitores, podemos contribuir para que isso se concretize definitivamente.

 

As delações da Odebrecht são um divisor de águas. Suas cinco etapas são as seguintes: a primeira se deu com os vazamentos de algumas declarações tsunâmicas (desde dez/16).

 

A segunda etapa começou dia 12/4/17 e ainda está em andamento: são vídeos e textos de executivos da Odebrecht, com a narrativa de todos os detalhes da venalidade e perversidade do poder corrompido, envolvendo praticamente todos os partidos.

 

O sistema foi inteiramente “comprado” pela Odebrecht e cia. (que conseguiam a aprovação de leis em benefício privado).O poder da riqueza cooptou o poder político, chafurdando-o no lamaçal da desonra e da gatunagem.

 

As três etapas seguintes são muito mais arrasadoras para a classe política e empresarial corrupta:

 

(1) provas documentais, digitais e bancárias;

(2) mais provas vindas do acordo de leniência da Odebrecht (provas de negociatas de 2000 a 2016);

(3) novas delações (das empreiteiras OAS, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, de Palocci, Cunha, Marqueteiros, Dimas Toledo no esquema Furnas que envolve Aécio Neves etc.).

 

Chegaram da Suíça e estão nas mãos do PGR mais de 2 milhões de documentos, e-mails e transferências bancárias (tudo referente às contas bancárias da Odebrecht em bancos Suíços).

 

A delação só se converte em prova quando amparada em documentos, contratos fictícios, transferências bancárias, extratos, registros telefônicos, confissões, testemunhos e outras provas materiais.

 

O sistema está sendo implodido. A rigor, já está morto. Mas precisa ser sepultado. E agora?

 

Seis coisas importantes:

 

(1)   O Brasil não pode parar.

(2)   Temos que preservar as melhoras econômicas e preservar com toda força a Lava Jato. É intolerável qualquer tipo de ataque injusto contra a Lava Jato.

(3)   As reformas, feitas com justiça, têm que acontecer, buscando-se mais consensos.

(4)   A reforma política tem que ser discutida seriamente com a sociedade. O velho já morreu e o novo ainda não nasceu. Mas não tem salvador da pátria.

(5)   Temos que aprovar um novo Estatuto dos Partidos Políticos, que devem ser totalmente reinventados.

(6)   Os velhos políticos corruptos devem ser faxinados, abrindo-se espaço para novas lideranças ficha-limpa, comprometidas com o combate à corrupção, às desigualdades e às injustiças.

 

É chegada a hora das novas lideranças.

 

Temos que dar um basta nas velhas e carcomidas estruturas do PTbrecht, PMDBrecht, PSDBrecht etc. As tsunâmicas delações e provas já reveladas mostram que os caciques venderam até a alma para a Odebrecht e cia.

 

Todos os partidos da rapinagem desenvolveram um projeto criminoso de poder. Rompendo essa estrutura arcaica, algo novo nasceu. A Lava Jato é o novo (jovens) contra o velho (instituições carcomidas). Todos os partidos corruptos precisam se reciclar, se faxinar. É hora do novo. Renovação.

 

A Lava Jato em primeira instância é muito mais rápida que o STF (que julga os casos de foro privilegiado). As diferenças são brutais. O STF continua com atuação ambivalente. Fez o afastamento do Cunha, mas de outro lado também promoveu o conchavão pró-Renan, no dia 7/12/16, mantendo-o no cargo de presidente do Senado.

 

O STF ora atua pró-cidadania, ora pró-oligarquias. O foro privilegiado virou o foro da impunidade. A lista do Fachin revela transparência nas delações da Odebrecht. Isso representa o novo. Transparência e informação de interesse da população.

 

O velho desafio entre o Brasil sustentável/moderno “versus” Brasil arcaico/ ultrapassado continua. Velhas estruturas de poder surrupiam o dinheiro da nação. São mais atrasadas que as cleptocracias africanas.

 

As oligarquias do Mercado e do Estado corruptos formaram o maior crime organizado de que se tem notícia. Temos que romper essa velha cleptocracia. Surgirão novas estruturas?

 

Nossa cleptocracia secular rouba o dinheiro público, que gera juros e impostos elevados, educação, saúde e segurança pública de péssima qualidade, concentração da renda nos mais ricos, baixa produtividade e menos prosperidade econômica e social (ver Roberto Castello Branco, O Globo, 13/4/17).

 

As revelações arrasadoras da Odebrecht sobre a corrupção no País não farão desaparecer as velhas lutas ideológicas, religiosas, culturais e partidárias (esquerda/centro/direita). Elas acompanham a humanidade.

 

O Brasil será um país moderado ou um país fundamentalista, radical (voto toxina)? Nossa próxima agenda será reformista ou populista (eis a questão). Temos que espantar os fantasmas do radicalismo. 

 

Nos partidos a luta do novo contra o velho será cruel. Coronéis da velha política podre se defrontarão com as novas Lideranças. O velho tem o poder e o novo ainda não tem o poder. Os velhos não serão sepultados facilmente. Mas devem ser eliminados. Não importa quanto tempo vamos gastar, eles têm que ser faxinados.

 

Implodir o corrupto sistema para reconstruir o Brasil. Nós temos que faxinar os corruptos de todos os partidos. Erga omnes (contra todos). O futuro do Brasil depende da vitória de novas lideranças comprometidas com o combate à corrupção, às desigualdades e às injustiças.

 

Renda, emprego, consumo, produção, impostos, educação, conhecimento, inovação, desenvolvimento humano etc. Sem funcionar o círculo da prosperidade o Brasil continuará estagnado.

 

 

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LUIZ FLÁVIO GOMES

Luiz Flávio Gomes

Doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri, Mestre em Direito Penal pela USP e Diretor-Presidente da Rede de Ensino LFG. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Autor de obras pela RT e Saraiva.

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