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OPINIÃO Por que estamos indignados?

04/11/2013 por Luiz Flávio Gomes

No livro Por que estamos indignados? (Saraiva, 2013) procuro mostrar que as manifestações de junho evidenciaram que o Brasil, depois de 513 anos, se tornou um gigante (7ª economia do mundo), com pés de barro: para grande parcela da população a saúde está doente, o transporte público é indecente, a educação produz ignorância (porque não prestigiam o professor, escolas desestruturadas), a mobilidade urbana está imobilizada, a infraestrutura é precária, a violência é intensa e a corrupção, sobretudo dos políticos, é generalizada.

 

Vivemos, portanto, várias crises: política (representação ilegítima), de governança, socioeconômica (uma das piores distribuição de renda do planeta) e ética. Sociedade fundada em valores errados. Visão tradicional que joga contra a vida, não a favor dela (Nietzsche). Construímos um país extremamente injusto e desigual, além de muito corrupto e violento. Tudo isso devidamente interiorizado. Não nos gera estranheza.


Da porta da casa para dentro melhorou muita coisa na vida do brasileiro (geladeira nova, fogão última marca, reforma da casa, carro e moto na garagem, celular, acesso à internet, consumo de mais alimentação etc.) O problema do país está da porta da casa para fora: falta esgoto, o trânsito não anda, mas mata muito, a violência é cruel, a corrupção está disseminada, o transporte público virou lata de sardinha, o hospital não tem médico, a educação deseduca, a urbanidade é selvagem, o meio ambiente está deteriorado etc.

 

Da falta de qualidade de vida veio o mal-estar, que é fonte de muitas incertezas. As incertezas produzem medo, o medo gera insegurança, a insegurança cria ansiedade; esta desencadeia ira, que é fonte de intensa indignação. É neste estágio crítico que nos encontramos, com o quadro agravado pela sensação enorme de impotência (perda da identidade). Tudo isso fez eclodir os movimentos populares, que pedem um Brasil mais justo, menos desigual e ético. O consumismo ser revelou insuficiente, porque o manifestante quer qualidade de vida, ao descobrir que esta é a vida que vale a pena ser vivida. 

 

O Brasil tem seu lado vitorioso. Existe o Brasil que deu certo. Nas três últimas décadas, por exemplo, alcançamos impressionantes conquistas: (a) movimento das diretas-já, em 1984, que sepultou a ditadura militar e restabeleceu a democracia, nos legando a Constituição de 1988; (b) o movimento dos “caras pintadas” que postulavam o fora Collor, (c) o Plano Real de 1994 que venceu a inflação e estabilizou a moeda assim como os referenciais econômicos; (d) o programa de inclusão social e a luta contra a miséria, que se transformaram em política de Estado em 2002 (essa iniciativa, de acordo com o IDHM, da ONU, contribuiu para o Brasil crescer - de 1991 a 2010 - 47,5%, em média, nos itens expectativa de vida, renda per capita e matriculados em escolas); (e) as jornadas de junho, que provaram que o brasileiro é capaz de mobilização contra as injustiças. Mas como construímos um país extremamente injusto e desigual, tudo está por ser corrigido. Essa é a grande tarefa desta e das futuras gerações, que não vão receber o país pronto, ao contrário, capenga, defeituoso, falho, desequilibrado. Mas nem tudo que nasce ou cresce torto tem que morrer torto! Há um milhão de possibilidades para melhorar o Brasil. É o que procurei delinear neste meu mais recente livro, cuja leitura irá lhe proporcionar a dimensão dos nossos problemas assim como as pistas para as suas soluções.  

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LUIZ FLÁVIO GOMES

Luiz Flávio Gomes

Deputado Federal eleito. Criador do Movimento Quero um Brasil Ético.
Doutor em Direito. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do atualidadesdodireito.com.br. Foi Investigador de Polícia, Delegado de Polícia, Promotor de Justiça. Juiz de Direito e Advogado.
www.ProfessorLuizFlavioGomes.com.br

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