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Crônicas Forenses Os Versos

06/11/2006 por Roberto Delmanto

O engenheiro e a marchand, ambos já divorciados de um primeiro casamento, viveram maritalmente durante mais de dez anos.

 

A mulher resolveu, então, sair de casa, ingressando logo em seguida com uma ação cível em que pleiteava a meação dos bens adquiridos pelo casal durante o período em que estiveram juntos.

 

Acabaram chegando a um acordo em Juízo, pelo qual, além da partilha, ficou combinado que a marchand regressaria ao lar, o que de fato veio a ocorrer.

 

Pouco tempo depois, entretanto, ela voltou a abandonar o companheiro, entrando com uma nova ação em que pedia a divisão de outros bens não incluídos na partilha.

 

O engenheiro contestou a ação, fazendo juras de amor à mulher e alegando que esta descumprira a parte mais importante do acordo, aquela que incluía a sua volta ao lar e o cumprimento das "obrigações" conjugais.

 

Na primeira página da contestação, seu advogado, enfatizando a desilusão amorosa do cliente, citou estes versos de Shakespeare:

 

"Quando minha amada diz que me ama,

 eu  realmente  acredito,

 embora  saiba  que  ela  minta".

 

 

Em sua réplica, pondo em dúvida a sinceridade do engenheiro, o advogado da marchand retrucou com estes outros versos, de Machado de Assis:

 

"Sem lança, não reconheço Quixote.

Sem espada, é apócrifo um Rodrigo.

Herói, que às regras clássicas escapa,

Pode não ser herói, mas tem a capa".

 

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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