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Crônicas Forenses Os Bonés

03/12/2013 por Roberto Delmanto

O querido e saudoso amigo Arthur William Sheppard Junior foi diretor de importante multinacional farmacêutica. Quando pretendeu montar seu próprio negócio, não aguentou a concorrência estrangeira. Homem corretíssimo, honrou, com sacrifício pessoal, todos seus compromissos. Como ele dizia, preferiu ficar de “clean name and empty pocket” (nome limpo e bolso vazio).

 

Para complementar sua aposentadoria, passou a dar aulas particulares de inglês, sendo, por vários anos, meu professor e de meus filhos Roberto e Fabio.

 

Certa ocasião, um seu antigo office-boy, que se tornara presidente de uma grande empresa e o maior colecionador de uísque do mundo, convidou-o a visitar a Escócia, com tudo pago, tendo Arthur aceito o convite.

 

Era verão e, em determinado dia, ele resolveu comprar um boné, escolhendo o que achou mais bonito. Depois de ter passado a usá-lo, notou, entretanto, que as pessoas o olhavam com desaprovação, até que alguém lhe avisou que aquele boné era dos hooligans, violentos torcedores banidos dos estádios de futebol. Imediatamente, é claro, deixou o boné de lado...

 

Recentemente, viajando de carro de Santa Barbara para São Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos, passei por uma belíssima região na costa do Pacífico chamada Big Sur. Fazia muito sol e, em uma loja na beira da estrada, resolvi comprar um boné. Escolhi o que achei mais bonito, tendo na frente um ramo de folha.

 

A vendedora, talvez vendo que o comprador era um senhor de aparência respeitável, perguntou se eu sabia que planta era aquela e respondi que não. Tendo ela me dito que se tratava de marijuana, para não parecer antiquado, disse-lhe que não tinha importância.

 

Quando mostrei o boné para minha mulher e filha, que estavam na loja, a compra que havia feito, contando o que era o tal ramo, ambas logo me censuraram, dizendo que eu jamais poderia usá-lo no Brasil.

 

Fui até a vendedora e pedi para trocá-lo por outro, mais neutro, pois minha mulher e filha não haviam aprovado. Ela me olhou com compreensão e trocou-o.

 

Afinal, assim como executivos aposentados não ficam bem com bonés dos hooligans, criminalistas como eu certamente também não ficariam com bonés de marijuana... 

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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