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CRÔNICAS FORENSES O voo, Padre Cícero e o paletó

04/04/2016 por Roberto Delmanto

 

O Centro Acadêmico de uma Faculdade de Direito de Juazeiro do Norte, no Ceará, me convidou para dar uma palestra. Aceitei, como costumo fazer quando se trata de eventos programados por estudantes, sem fins lucrativos. O contato com os jovens, que nos recebem com entusiasmo, é sempre muito enriquecedor.

 

Uns dez dias antes da data, o presidente do Centro me telefonou, informando que já havia reservado as passagens minha e da minha mulher pela Avianca. Não conhecendo a companhia aérea, disse -lhe que preferia viajar pela Tam ou pela Gol, como sempre faço. Ele me explicou  que a Tam não viajava para lá. Já a Gol tinha um voo que não era direto, levando sete horas e meia, enquanto o da Avianca era direto, durando apenas três horas e quarenta e cinco minutos.  Aceitei, é claro, o voo da Avianca, que me surpreendeu: avião novíssimo, assentos mais espaçosos, tripulação experiente e gentilíssima.

 

A chegada a Juazeiro do Norte é muito bonita: depois de sobrevoar uma extensa reserva florestal, o avião começa a descer para um belo vale, onde, no meio da cidade, se destaca a enorme estátua do Padre Cícero.

 

Embora a Igreja Católica só o tenha reabilitado recentemente, ele é, para toda a população do Nordeste, um grande santo. A devoção ao Padim, como é chamado, é contagiante e sua presença espiritual é sentida em todos os lugares.

 

Narra a história que quando Lampião e seu bando se preparavam para atacar a cidade, Padre Cícero os enfrentou. Todos, inclusive Lampião, se ajoelharam e o Padim lhes disse: “Quem roubou, não roube mais, quem matou, não mate mais; e vão em paz”. Os cangaceiros obedeceram e Juazeiro do Norte foi poupada.

 

Hoje, a cidade é próspera, limpa, moderna, segura, com ótimos shoppings e belos prédios, sendo um grande polo calçadista; não há crianças abandonadas nem pedintes nas ruas; os universitários, com sua alegria, estão por todos os lados.

 

No dia em que viajei para Juazeiro do Norte, antes de ir para o aeroporto passei no escritório, onde me encontrei com meu filho e sócio Fabio. Estávamos usando ternos muito parecidos, e ao sair, como fazia calor, levei o paletó nas mãos. Só ao chegar a Juazeiro, percebi que tinha pego o paletó dele, ao invés do meu. Como Fabio mede 1,94 e eu 1,76, não dava para usá-lo, pois ficava enorme em mim. Lembrei-me da música: “engole ele, paletó, que o dono dele era maior”. Neste caso, muito maior...

 

A solução, antes de ir ao evento, foi comprar um terno na loja Colombo da cidade; quebrou o galho, embora os bolsos externos do paletó, estranhamente, fosse falsos. Assim, não pude guardar nada neles, nem, durante a palestra, colocar as mãos dentro. Mas em compensação, ninguém notou que os bolsos não eram verdadeiros.

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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