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Língua Portuguesa O papel da Ortoépia na Gramática

08/01/2009 por Eduardo de Moraes Sabbag

Ortoépia, no Houaiss, tem a acepção de "estudo tradicional e normativo que determina os caracteres fônicos, considerados cultos e relevantes, e a boa pronúncia". O ínclito dicionarista admite, a par do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), 4ª edição, a variante prosódica ortoepia, sem acento.

 

Dessa forma, o leitor pode se municiar com uma pronunciação adequada, caso conheça as regras do estudo em exame. Com efeito, a emissão correta do som vocabular confere altivez e segurança ao anunciante, bem como reveste a mensagem de comunicabilidade.

 

Diga-se que a melhor pronúncia entre ortoépia e ortoepia está com a primeira - a forma acentuada ortoépia. Ironia da nossa Língua: reservou dúvidas até para o som de uma palavra sobre a qual não deveria haver nenhuma. São coisas da Língua, fazer o quê?

 

No ambiente forense, há alguns vocábulos que despertam dúvidas quanto à boa pronunciação. Note os termos frustar, frustrado e frustração - requerem uma articulação com cautela. As sílabas frus- e tra- devem ser nitidamente prolatadas, a fim de que não se emitam fonemas contrários às regras da prosódia.

 

Com o verbo procrastinar (pronuncie procras-, e não "procas-") não se dá fenômeno diverso - requer-se criteriosa emissão do som das sílabas. Aliás, o verbo procrastinar significa adiar ou diferir, de cuja forma originária derivam palavras, como procrastinador, procrastinante e procrastinatório. Não "tema" as sílabas pro- e cras- : pronuncie-as com vontade! Se quiser rimar, divirta-se com a dica mnemônica:

 

"Frustrar é o evitar. Não procrastine o bom falar."

 

 

Outra situação recorrente de entoação condenável se dá com a forma gratuito. Não entendo a má pronúncia desse termo. De fato, o título do texto não é despropositado: "Falar "e;gra-tu-i-to"e; é fala gratuita: "e;custa caro."e;" Então, por que não a "economia", com vernaculidade? um dito popular que ratifica: "prata é o bom falar; ouro é o bom calar."

 

O vocábulo gratuito é trissílabo, podendo significar aquilo que é "de graça" ou "algo infundado". Fez-se um trocadilho no título, a fim de evitar a errônea transformação do termo em polissílabo, pronunciando-se "gra-tu-i-to". Além de demonstrar imperfeição, no ato da fala, incauto emissor denotará pouca familiaridade com a precisa norma lingüística. Diga-se que a expressão gratuita fala, como se utilizou, tem a acepção de "infundada fala".

 

Ademais, é importante enaltecer que não se trata de acento prosódico oscilante ou incerto - uma pronúncia para gratuito, isto é, gra-tui-to (três sílabas). Da mesma forma, citem-se palavras, como: fortuito (pronuncie fortui-, e não for-tu-í ) e curto-circuito (pronuncie circui-, e não cir-cu-í).

 

Sempre repito a meus eminentes alunos, em sala de aula - o que me remete à prolixidade, quanto ao amigo leitor: "ouça uma vez com atenção, e ouvirá para sempre". Isso porque, em português, faz-se mister que alguém nos ensine, que alguém nos relembre, que alguém nos desperte para a beleza do nosso intrincado idioma que, de tão majestoso, pode causar receio e distanciamento indesejáveis.

 

Todavia, se majestoso o é, não menos intrigante e convidativo será, devendo o estudioso insistir, quer seja na pronúncia difícil, quer seja na grafia complicada, vencendo essa luta constante. Afinal, "escrever é habilidade adquirida." (Bed Bradlee)

 

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EDUARDO DE MORAES SABBAG

Eduardo de Moraes Sabbag

Advogado, Professor e Autor de Obras Jurídicas, entre elas o "Manual de Direito Tributário" pela Editora Saraiva; Doutor em Direito Tributário, pela PUC/SP; Doutorando em Língua Portuguesa, pela PUC/SP; Professor de Direito Tributário, Redação e de Língua Portuguesa. Site e Redes Sociais: professorsabbag.

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