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Crônicas Forenses O Informante

02/06/2006 por Roberto Delmanto

 


No antigo Primeiro Tribunal do Júri de São Paulo, todos os Promotores tinham seus informantes entre os oficiais de justiça e escreventes que ali trabalhavam durante os julgamentos.

 

Através desses funcionários, das conversas que eles presenciavam entre os jurados após as sessões, os Promotores ficavam sabendo quais eram os mais liberais, os absolvedores, podendo, assim, recusá-los quando fossem sorteados.

 

Meu pai Dante, criminalista renomado, também tinha os seus informantes. O principal deles, que se tornaria um grande amigo, era Agnaldo Mesquita, o decano dos oficiais, de quem os membros do Ministério Público jamais desconfiaram.

 

Quando, na semana, eram sorteados os vinte e um jurados, dos quais cada dia seriam escolhidos sete, Agnaldo vinha avisar: "Dr. Dante, a casa está boa"; ou então: "a casa não está boa".

 

Casa era o corpo de jurados da ocasião. Se ela não estivesse boa, ou seja, com jurados liberais, meu pai adiava o julgamento, mesmo estando o acusado preso, como era obrigatório na época. Estando boa, não deixava de fazer o júri...

 

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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