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Filosofia O ideal...

02/12/2016 por Luciene Félix

Origem (Gen) é fundamental, portanto, o ideal é que fossemos frutos do amor apropriado (não somente hormônios em ebulição) entre nossos progenitores e que eles nos recebessem com muito carinho, empenhando-se em nos proporcionar alimento, educação, segurança e saúde, tanto física quanto psíquica.

 

Que jamais traíssemos quem confia em nós. E que, periodicamente, viajássemos ao estrangeiro (kxenós), admirando nossas diferenças de vestes, fenotípicas, gastronômicas, linguísticas, artísticas e religiosas. Ideal é que aprendêssemos, ao menos, um idioma além do nosso.

 

Seria conveniente que primássemos por uma alimentação saudável, priorizando frutas, legumes e verduras, nos abstendo (ou minimizando) da inserção de cadáveres de animais em nossa dieta. E também que tomássemos um pouco de sol e caminhássemos todos os dias.

 

O ideal é que, disciplinados, atentássemos aos nossos horários de sono e de vigília e que, ordeiros, mantivéssemos nossos papéis, documentos, trabalhos e todo o lar limpo e agradável.

 

Que, além de uma casa aconchegante, dispuséssemos de boas escolas, professores qualificados e bem remunerados, uma infância segura e a teia de familiares e amigos dispostos a nos amparar. Aliás, que em família, fôssemos como entre amigos, onde não os julgamos por suas diferenças, mas, ao contrário, admiramos (apesar ou) justamente por apresentá-las.

 

Também seria maravilhoso podermos desenvolver nossas aptidões peculiares e termos acesso ao aprendizado de esportes, artes e música. Que experimentássemos a “suave narcose” advinda da contemplação de obras de arte, encenações teatrais, apresentações de dança e shows musicais.

 

Ideal seria que todos nós estivéssemos satisfeitos com nosso sexo biológico e desfrutássemos de uma prazerosa vida sexual. E também que fôssemos moderados quanto ao uso de substâncias que alteram a percepção, não abusando do álcool e demais drogas.

 

Que respeitássemos nossos idosos e, responsáveis por nossa própria sobrevivência, jamais nos valêssemos da vulnerabilidade para extorqui-los ou levá-los a trabalhar à exaustão, causando-lhes preocupação até o fim de seus dias.

 

Seria perfeito que nossos dirigentes políticos trabalhassem com honradez, dignificando o cargo e as responsabilidades que delegamos a eles, atentando que a “res” (coisa) é pública e não privada.

 

O ideal mesmo seria que em nenhum lugar do mundo houvesse necessidade de leis e prisões que penalize quem recorre ao aborto, abandono de incapaz, incesto, pedofilia, estupro, assassínio, roubo, corrupção, tráfico e outras atrocidades.

 

Que desenvolvêssemos ciência e tecnologia a serviço do bem-estar e do progresso da humanidade e que, independente de nossa formação (técnica, graduação e/ou pós), buscássemos estudar também política, arte, filosofia, história, psicologia, antropologia, sociologia, mitologia e literatura, entre tantos outros saberes.

 

Seria conveniente que, altruístas, contribuíssemos de alguma forma com os desfavorecidos, nos engajando num projeto de cunho filantrópico.

 

Que, ao contemplarmos o mar, os pores do sol e os luares, estivéssemos cônscios de que reveses, tragédias e infortúnios fazem parte da vida, pois a natureza (physis) é o que é, e nós, de passagem, por instantes fitamos o infinito.

 

O ideal seria que, recusando naturalmente o grotesco, o desmedido e o desarmonioso, fizéssemos uso do “lógos” (ratio) com qual fomos dotados, priorizando a Bondade, a Beleza e a Justiça, como rogou o maior filósofo de todos os tempos.

 

Corajosos, que nos erguêssemos por Justiça! Que não tivéssemos medo de dizer o que pensamos, pois essa é a condição do escravo; que manifestássemos nossas opiniões – bem fundamentadas, calcadas e lúcidas –, mas que, antes de criticar aos demais, expiássemos (com “x” mesmo!) nossas próprias fraquezas.

 

A fim de combater nossa vã glória (vanitas), perfeito seria se recordássemos que a decrepitude e a morte são mesmo inevitáveis. E que não fôssemos tão invejosos quanto a boa Fortuna alheia, pois como diz o provérbio: “Até nas flores vê-se a diferença de sorte, umas enfeitam a vida; outras enfeitam a morte”. E, quanto à ganância, lembrássemos de que nunca teremos o suficiente daquilo que não precisamos.

 

Que sentíssemos entusiasmo, felicidade e gratidão pela vida –, uma dádiva! –, compreendendo que a Fé, âmbito privado de cada alma individual, é mesmo um espanto para a razão!

 

Independente de todo esse ideal, boa bússola é a que roga que não devemos fazer aos outros o que não queremos que façam conosco e –, o cúmulo do ideal, pois é Natal –:  que nos amemos uns aos outros, como Ele nos amou.

 

Desejo que em 2017 a Ideia de perfeição (ideal) seja, na medida do possível, perseguida e alcançada, posta em prática. Boas Festas!

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LUCIENE FÉLIX

Luciene Félix

Professora de Filosofia e Mitologia Grega da Escola Superior de Direito Constitucional -
ESDC - www.esdc.com.br Blog: www.lucienefelix.blogspot.com
E-mail: mitologia@esdc.com.br

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