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CRÔNICAS FORENSES O Gentleman Advogado

03/02/2010 por Roberto Delmanto

Roger de Carvalho Mange foi, durante muitos anos, um dos mais famosos advogados falencistas de São Paulo. Profissional brilhante, era respeitadíssimo no meio forense por atributos dificilmente encontráveis em um mesmo causídico: grande cultura jurídica, total dedicação às causas que lhe eram confiadas, muita sensibilidade, grande poder de argumentação, reputação ilibada e enorme simpatia.

Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, pois fomos vizinhos em Campos do Jordão. Ele gostava de reunir os filhos (entre eles Renato, que, como o pai, foi Presidente da AASP, e o saudoso Sérgio, que seguiram com sucesso sua especialidade) e amigos em volta da mesa de snooker, sempre na companhia de bons vinhos e queijos.

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Era um gentleman, tanto na vida profissional como social e familiar, elegante nas palavras e nos gestos, alegre, amável e divertido.

José Roberto Fanganiello Melhem, meu colega de Faculdade e ex-Presidente da CONDENPHAAT, que também deixou saudades, contou-me certa vez um episódio que emoldura o caráter do Dr. Roger.

Adversários em uma importante causa, Melhem, durante o decurso de um prazo processual, teve o pai gravemente enfermo e hospitalizado, não conseguindo apresentar a tempo determinado recurso. O prazo era fatal e o processo parecia irremediavelmente perdido.

Desesperado com o ocorrido, Melhem resolveu procurar o Dr. Roger em seu escritório. Explicou-lhe o que sucedera e o mestre disse-lhe que concordaria com um pedido de devolução do prazo, mas que antes precisaria falar com seu constituinte.

Na frente de Melhem, telefonou ao cliente narrando o que acontecera e manifestando sua intenção de concordar com a devolução do prazo. Ante a reticência do cliente, disse a este que, caso não concordasse, iria renunciar ao mandato. Não querendo perder um advogado desse quilate, o cliente acabou concordando.

Ali mesmo, no escritório do mestre, Melhem fez a petição pedindo a restituição do prazo e o Dr. Roger apôs o seu "de acordo". Saindo de lá, Melhem foi imediatamente despachar a petição e o juiz devolveu-lhe o tão almejado prazo.

Como afirmou Oscar Quiroga, a moral muda com o tempo, a ética permanece. E eu acrescentaria: tão importante quanto a ética, é a solidariedade humana. Mestre Roger, que influenciou várias gerações de advogados, era, sem dúvida, um gentleman ético e solidário.

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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