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TRABALHO O futuro do trabalho

02/05/2018 por Sergio Pinto Martins

 

 

                                    Será que o trabalho tem futuro? Será que o futuro do trabalho terá a mesma proporção de empregos como hoje? Será que haverá empresa sem empregados?

 

                                     A tecnologia vem provocando uma transformação muito grande, inclusive no âmbito do trabalho, diminuindo o número de trabalhadores nas empresas .

 

                                    O Correio hoje entrega muito mais encomendas do que cartas, pois hodiernamente as pessoas usam e-mail para fazer comunicação escrita, em vez das cartas. Uma comunicação postal na cidade de São Pode levar mais de cinco dias úteis. O e-mail é mais rápido e com custo menor.

 

                                    O WhatsApp diminuiu muito as mensagens de texto pela empresa operadora do telefone celular. É gratuito e depende da pessoa ter Internet no celular.

 

                                    O MP3 e o Spotfy diminuíram muito a venda de CD´s. Nas grandes lojas não se vê mais CD. A loja da Virgin fechou na Times Square em Nova York. Era uma loja de três andares, muito grande, com vários setores para cada tipo de música.

 

                                    A lista telefônica e a Listel deixaram de existir em razão do Google ou de outros sistemas de buscas.

 

                                    O smartphone diminuiu as revelações fotográficas e a utilização de câmeras fotográficas. Tudo pode ser acessado pelo telefone celular mediante a utilização da Internet.

 

                                    O booking pela Internet, como a empresa Trivago, Decolar, está diminuindo o número das empresas de turismo.

 

                                    As enciclopédias em papel diminuíram muito suas vendas ou deixaram de existir em razão do Google, porque tudo é encontrado na Internet.

 

                                    Imóveis e veículos estão à venda na Internet, diminuindo os classificados dos jornais. Os vários sites de notícias têm diminuído muito a venda dos jornais em papel. As pessoas não lêem mais jornal em papel, somente os mais velhos gostam de jornal em papel. Os  mais jovens, quando muito, lêem o jornal do Metrô.

 

                                     O e-commerce tem diminuído a venda de certas lojas físicas.

 

                                     A TV a cabo e depois a Netflix acabaram com as locadoras de fitas de vídeo.

 

                                     O Uber também vem diminuindo a receita dos motoristas de taxis tradicionais.

 

                                      A utilização do vale transporte por cartão, do cartão fidelidade, bilhete único, diminuíram o número de cobradores nos ônibus, pois a máquina lê o seu cartão e abre a catraca do ônibus.

 

                                     Drones têm feito o levantamento topográfico de minas. Reduzem 70% o número de  empregados. Utilizam um terço do tempo de um scanner e metade do custo (Gomes, Helton Simão, 2017).

 

                                       O robô não reclama de trabalhar no frio ou no quente, no ambiente insalubre ou perigoso. Não cobra hora extra, adicional noturno ou outro adicional do empregador. Não vai reclamar na Justiça do Trabalho os seus direitos.

 

                                      O uso da tecnologia implica a utilização de um número menor de trabalhadores.

 

                                      No Japão, em 2035, metade dos trabalhadores será substituída por robôs. Segundo Frey e Osborne, estão em risco 47% dos postos de trabalho no Estados Unidos e 57% em média nos países desenvolvidos.

 

                                      A Consultoria McKinsey concluiu pesquisa que existe a possibilidade de perda de 50% dos postos de trabalho pela automação da cadeia produtiva em curto espaço de tempo, em torno de 10 a 15 anos. Estudo da Unctad em 2016 mostra que dois em cada três empregos na América Latina vão deasaprecer em razão da automação.

 

                                     Ocorre também de as empresas irem produzir seus produtos onde a mão de obra é mais barata. É mais barato produzir um veículo em países do leste europeu, pois o custo da mão de obra é menor, do que produzir o veículo na Alemanha ou na França.

 

                                    Talvez a tendência seja não existirem mais lojas para vender determinados produtos. Poderá existir a loja apenas para um show room, para fazer trocas, mas a venda será feita pelo e-commerce, por meio da Internet, pois não tem de pagar comissão ao empregado, não precisa pagar aluguel, não precisa de grande espaço físico, etc. Muitas empresas não trabalham mais com estoque. À medida que há pedidos de compras, pedem ao fornecedor.

 

                                     Num primeiro momento certos empregos que serão perdidos no comércio, na indústria poderão ser criados nos serviços, mas não na mesma proporção, pois não será preciso de tantos trabalhadores.        

 

                                     É por isso que estão sendo criados nos países contratos de atividade, trabalho intermitente e outros tipos de contratos de prazo determinado, além de teletrabalho. O trabalho será exigido sob demanda (on demand). Serão utilizados aplicativos para o trabalho.

 

                                     Pode ocorrer a precarização do trabalho e a volta aos contratos previstos no Direito Civil. Nos Estados Unidos, um atleta profissional de futebol não tem direitos trabalhistas, mas apenas aquilo que for estabelecido no contrato de prestação de serviços firmado entre as partes.

 

                                     Talvez o contrato de trabalho tradicional terá de se adaptar aos novos tempos, sob pena de deixar de existir.

 

                                      É a utilização da frase de Georges Ripert: quando o Direito ignora a realidade, esta se vinga e ignora o Direito.

 

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SERGIO PINTO MARTINS

Sergio Pinto Martins

Desembargador do TRT da 2a Região. Professor titular de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da USP. Autor da editora Saraiva

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