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Crônica Forense O CAFEZINHO

01/04/2009 por Roberto Delmanto

Renato Consorte, consagrado ator de teatro e televisão que recentemente nos deixou, era bacharel pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Nas famosas Arcadas, já envolvido com o teatro universitário, tornou-se conhecido mais pela sua irreverência, veia cômica e presença de espírito do que como um bom estudante, coisa que nunca foi.

Ao seu tempo, havia um renomado Catedrático - como se chamavam os Professores Titulares de hoje - conhecido tanto por sua didática e competência quanto pela sua severidade.

Era um dos poucos mestres que valorizava mais a parte prática, que nos exames de sua matéria valia seis pontos, do que a teórica, que só valia quatro, de forma que seus ex-alunos saíam da Faculdade em condições de exercer a especialidade por ele ensinada, viessem a ser juízes, promotores ou advogados. Por outro lado, quem não estudasse e fizesse os estágios que exigia, não passava.

Renato já havia pego uma dependência na matéria e, depois, repetido de ano em virtude dela, tendo ficado marcado pelo Catedrático.

Certo dia, durante uma aula, o Professor resolveu sabatiná-lo na frente de todos. Fez-lhe uma pergunta e Renato não soube responder; fez uma segunda e também não obteve resposta, o mesmo ocorrendo com a terceira.

Pretendendo chamar-lhe de burro, o Catedrático, com a voz sonora que o caracterizava, dirigindo-se ao circunspecto bedel que sempre o auxiliava, ordenou: "Bedel, vá até lá fora e veja se arruma um pouco de alfafa". A gargalhada da classe foi geral...

Quando o obediente bedel se aproximava da porta e os risos já haviam cessado, Renato, sem perder a pose, dirigindo-se ao bedel, lhe disse: "Bedel, e pra mim um cafezinho". A gargalhada, incontrolável, irrompeu maior ainda do que a primeira...

O episódio custou caro a Renato Consorte, que somente conseguiu ser aprovado na matéria e concluir o curso de direito depois que o Professor se aposentou.

Em compensação, como saborosa vingança, no seriado infanto-juvenil que tinha todas as tardes em uma emissora de televisão, Renato introduziu um feio cachorro vira-lata, a quem chamava pelo sobrenome do famoso Mestre, e que igualmente só deixou o programa após este ter se aposentado na Faculdade...

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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