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ENTREVISTA CONCURSOS Minha trajetória nos concursos

03/11/2011 por Bruno Titz de Rezende

Minha Trajetória como "Concursando"

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?
Ninguém da minha família pertence à área jurídica (meu pai é médico). Quando comecei a advogar vi a dificuldade na captação de clientes. Aí esse fator, aliado ao interesse que tinha pela atuação da Polícia Federal (à época com muito prestígio), me fez decidir pelo concurso para o cargo de Delegado Federal.

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?
 Quando decidi pela área de concurso substabeleci todas as ações que possuía e continuei a advogar pelo convênio da OAB/SP-PGE para assistência aos necessitados. Fiz um ano de cursinho preparatório e depois comecei a estudar sozinho. Peguei o último edital do concurso para Delegado Federal e estudava as matérias na semana, deixando o final de semana para a resolução de simulados.

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?
 No ano que sai da faculdade prestei o concurso para Delegado Federal (2002). Não passei, não tinha me preparado. Tive dificuldade com o critério de pontuação (na prova objetiva cada resposta certa vale 1 ponto e a errada -1). No concurso seguinte (2004) já estava familiarizado com a prova e consegui passar.

O Polícia Federal sempre foi seu foco principal?
 
A Polícia Federal era o meu objetivo. Mas sempre gostei da função exercida pelo juiz (concurso que cheguei a passar para a segunda etapa). O primeiro concurso que passei foi o de Delegado Federal, cargo que ocupo até hoje.

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?
 
Não, a cobrança sempre foi minha. O isolamento necessário ao estudo e o orçamento curto acabam gerando uma cobrança do próprio candidato.

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Delegado da Polícia Federal recém empossado?
Após a aprovação na primeira fase do concurso, morei em Brasília por cerca de 5 meses, para participar da segunda fase, na Academia Nacional de Polícia (etapa classificatória e eliminatória, com matérias teóricas e práticas, incluindo provas de armamento e tiro, de capacidade física e defesa pessoal). A nota da segunda etapa é utilizada para a escolha da lotação. Felizmente consegui retornar à minha cidade natal, São Paulo. Na chegada, fui lotado, por um breve período, na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários e, posteriormente, transferido para a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros.

Quais são as atividades que um Delegado da Polícia Federal exerce? Como é a rotina profissional?
A principal atividade do Delegado Federal é a presidência do inquérito policial, determinando diligências com o objetivo do esclarecimento do fato criminoso e de todas as suas circunstâncias. A função do Delegado envolve o frequente uso do juízo de tipicidade (verificação se determinada conduta se "encaixa" em algum dos tipos penais dos crimes previstos em nosso ordenamento jurídico, ou seja, se o fato noticiado é criminoso ou não e, em caso positivo, qual o crime). O juízo de tipicidade é utilizado na ratificação da prisão em flagrante, instauração do inquérito policial e no indiciamento do investigado.

É bom esclarecer que toda operação policial, na verdade, é um inquérito policial, no qual, por suas especificidades, são empregados meios operacionais não utilizados na maioria das investigações (como, por exemplo, interceptações telefônicas). Ao lado do trabalho interno, o Delegado Federal ainda pode ser convocado para participar de operações policiais, chefiando equipes compostas por agentes, escrivães e peritos federais.

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?
No início da minha carreira decidi participar por 2 meses da Operação Arco de Fogo, no combate a crimes ambientais. Fiquei sabendo que a base da operação seria a cidade de Sinop, em Mato Grosso. Comentei com um amigo que me disse que eu talvez iria dormir na mata, que lá tinha muito mosquito e inúmeros outros fatos sobre a vida selvagem de Sinop. Então me preparei para a empreitada, comprei tela contra mosquitos, repelente, equipamentos e fui esperando o pior. Ao chegar à cidade, para meu espanto, o hotel aonde a equipe iria ficar hospedada possuía ar-condicionado, televisão à cabo e internet via wi-fi.

E o mais triste?
Aqui vou fazer um desabafo, não como Delegado Federal, mas como cidadão brasileiro. Acompanho com perplexidade as reiteradas anulações de provas obtidas em operações da Polícia Federal. O crime e a autoria ficam mais que comprovados, mas, por um garantismo exacerbado, provas robustas são jogadas no lixo. É desanimador.

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?
O primeiro passo é o planejamento. Identificar o cargo pretendido, obter o último edital do concurso e as últimas provas, além de traçar um plano de estudo, conforme o tempo disponível. E esse plano deve ser complementado com a disciplina para segui-lo.

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira como Delegado da Polícia Federal?
A carreira de Delegado Federal propicia a condução de grandes investigações e a Polícia Federal conta com uma estrutura digna das melhores polícias do mundo. Entretanto, hoje a legislação não oferece qualquer garantia ao Delegado Federal para o exercício livre e independente de suas funções, como o faz aos demais atores da persecução penal (membros do Ministério Público e juízes). Isso, apesar de não ser fator excludente do concurso, deve ser levado em conta.

Comentários

  • leticia christielle
    22/02/2013 18:55:46

    Eu ainda sou jovem mas vou proucurar me exforçar por que se eu quero algo eu foco na quilo e niguém mas me tira, e obrigada pela entrevista você acabou de ajudar uma jovem que estava endecisa. OBRIGADA

  • Betina Samary
    23/01/2013 13:12:42

    Estava com duvidas sobre o assunto (carreira de um delegado federal) e com toda a certeza foi exclarecida parabens a todos pela entrevista e obrigado por aumentar a minha vontade em aderir ao cargo.

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BRUNO TITZ DE REZENDE

Bruno Titz de Rezende

Delegado de Polícia Federal. Mestrando em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Presidente do Conselho Editorial da "Revista Criminal - Ensaios sobre a atividade policial".

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