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CONCURSOS Minha trajetória nos concursos

03/05/2011 por Giovanna Moreira Porchera

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Quando entrei na faculdade de Direito, ainda não sabia muito bem qual seria o meu rumo final. Durante o curso na UERJ, percebi que a maioria dos professores era ocupante de cargo público e me interessei, sobretudo pela segurança. Então, lá pelo 6º período, comecei a pesquisar as carreiras jurídicas e decidi optar pela carreira pública.

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

Assim que decidi, comecei a estudar ainda durante a faculdade. No 7º período, já me matriculei num cursinho preparatório, que teve a duração de um ano. Como fazia estágio à tarde e faculdade à noite, meu estudo era feito pela manhã. Depois de formada, e com o apoio fundamental da minha família, sobretudo meus pais, fiquei em casa durante um ano apenas estudando para concurso. Meu estudo começava às 8h e terminava, religiosamente, às 18h, de segunda a sexta. Reservava o estudo de informativos de jurisprudência para os sábados e domingos. Pra mim, funcionou desta forma e, por sorte, como não trabalhava, eu tive tempo de estudar, mas não há uma receita de bolo. O importante é estudar, se dedicar e não desistir, porque, ao longo do percurso, a gente acaba duvidando de si mesmo a cada reprovação. Esta faz parte do processo e não deve ser encarada como derrota.

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

 Fui aprovada logo no primeiro concurso que fiz, mas sei que não é a regra na vida dos concursandos.  Me formei em dezembro de 2000, me inscrevi no concurso da PGM-RJ, em julho de 2001, fiz o provão em agosto de 2001, as provas específicas em novembro de 2001, as orais em janeiro de 2002 e tomei posse em 28 de fevereiro de 2002. Uma verdadeira maratona! E quando digo maratona, é esforço mental e físico. Foram seis horas de prova. Deu fome, deu sede, minha pressão baixou na específica, deu branco na prova oral. Na minha opinião, quem diz que é fácil mente. É difícil, mas não impossível.

A Procuradoria do Município sempre foi seu foco principal?

A PGM-RJ não era o meu foco. Tanto que, enquanto fazia prova para a PGM-RJ, também fiz para a Defensoria Pública do Rio de Janeiro e também tinha planos para o Ministério Público. Mas é importante fazer todo e qualquer concurso, até mesmo pra treinar e saber a quanto anda o seu estudo. Assim que entrei para a PGM-RJ, ainda tive vontade de fazer concurso para outras instituições. Hoje, porém, estou muito tranquila. Gosto do que faço e me orgulho muito de pertencer aos quadros da PGM-RJ. Acho que, sem querer, eu me encontrei.

A senhora sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado  pretendido?

Nunca fui cobrada pelos familiares. Pelo contrário, minha família sempre me apoiou e entendeu os momentos em que não estive com eles por conta dos estudos. O provão foi no Dia dos Pais, em agosto de 2001, e quase não fiquei com o meu. Lembro perfeitamente: logo que soube da minha aprovação no provão da PGM-RJ, no mesmo dia, minha mãe me deu uma pulseira com um pingente de anjo da guarda pra me dar sorte nas específicas, pulseira que ela já havia comprado desde a minha inscrição sem que eu sequer desconfiasse. Perguntei como sabia que eu passaria. Na hora, ela rebateu: "Eu sempre soube". Esse apoio é muito importante porque me deu  tranquilidade para me dedicar ao concurso. Meus amigos diziam que eu era uma chata. O namorado da época reclamava muito (e não durou). Sei que muitos amigos não entendem, que é difícil para namorados, maridos e familiares e que o concursando fica meio chato mesmo. Mas sentia que era uma fase decisiva da minha vida e que valia a pena insistir. Meu falecido avô sempre dizia: "A gente tem que deixar o couro pra pegar o ouro". Sem esforço, não há retorno.

Depois de aprovado, como foi sua rotina de Procuradora do Município recém empossada?

Assim que fui aprovada, no dia seguinte à posse, já estávamos todos trabalhando. Houve palestras sobre cada uma das especializadas da PGM-RJ para que conhecêssemos melhor a estrutura da instituição. Fui lotada na Procuradoria Trabalhista, onde tive total apoio da minha chefia e dos demais colegas mais antigos. Minha rotina era e ainda é o acompanhamento processual e a realização de audiências e peças processuais. Por mais que a gente estude, há muito o que aprender na prática. Acredito que também me tornei Procuradora do Município do Rio de Janeiro com o tempo, e não simplesmente com a posse no cargo.

Quais são as atividades que um procurador municipal exerce? Como é a rotina profissional?

O Procurador do Município é responsável pela representação judicial do Município e, no caso do Município do Rio de Janeiro, de suas autarquias e fundações. Também é possível o opinamento junto à Administração Pública sobre questões relevantes por meio de promoções e pareceres. A elaboração de peças processuais e a participação em audiências e sustentações orais fazem parte da rotina profissional. A PGM-RJ é dividida em especializadas: Procuradoria Trabalhista, de Pessoal, Tributária, Serviços Públicos, Patrimônio e Desapropriação, Urbanismo e Dívida Ativa, cada qual com os seus temas, mas a rotina é mais ou menos essa.

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

Eu costumo dizer aos meus colegas de especialização que, além de trabalhar, me divirto muito na PGM, sobretudo em audiências. Quando passei, tinha 23 anos. Logo no início, quando ainda não tínhamos a carteira funcional, vários juízes me barravam nas audiências, acreditando que eu fosse estagiária. Explicar que eu não era a estagiária criava uma situação bem engraçada na hora da audiência. Passei a andar com o ato de investidura embaixo do braço. Sem falar nas situações constrangedoras, que dariam para escrever um livro. Numa delas, onde o Município do Rio de Janeiro era parte, a esposa e a amante de um trabalhador que havia morrido se encontraram e se conheceram na hora da audiência e começou o bate-boca. Imagina a confusão!

E o mais triste?

 Profissionalmente, nenhum. Às vezes, fico aborrecida em perder algumas ações ou quando me deparo com decisões absurdas. Acho que é normal. Pessoalmente, o momento mais triste foi perder colegas queridos da PGM-RJ ao longo da minha carreira.

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

Organizar a vida para os estudos, sobretudo os horários, e ter consciência que é preciso se dedicar. Cursos preparatórios são importantes neste caminho, mas é fundamental que o concursando tenha tempo para os estudos. Não adianta comprar vários livros, juntar pilhas de material e nenhum tempo para a leitura. Falando nela, é preciso criar o hábito de leitura dos informativos do STJ e do STF. Por mais criativo que seja o examinador, muitas questões de prova saem dali. No início, é chato, parece truncado. Com o tempo, vira rotina. Por fim, abrir os horizontes, não se fechar numa única carreira. Tentar várias provas com perfis diferentes também pode ajudar nessa preparação.

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Procuradoria Municipal?

Vestir a camisa do município, esse é o lema. Nunca sonhei em ser Procuradora do Município. Mas por mais que eu tenha desejado outras carreiras, uma vez empossada, sempre me dediquei à defesa do Município do Rio de Janeiro e do interesse público, preservando sempre o olhar crítico. Por vezes, o Procurador  vai-se deparar com situações delicadas, vai questionar a si mesmo, sempre guiado pelo interesse público. O profissionalismo é essencial para qualquer carreira,. O envolvimento, contudo, pode fazer a diferença. Segurança no cargo público não pode e nem deve ser sinônimo de acomodação. Procurar manter a dedicação da difícil vida de concursando para a vida de Procurador no dia a dia profissional, porque somos todos servidores públicos.

 

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GIOVANNA MOREIRA PORCHERA

Giovanna Moreira Porchera
Procuradora do Município do Rio de Janeiro.

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