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CONCURSOS Minha trajetória nos concursos

04/01/2010 por Gustavo Chaves C. Machado
 

Carta Forense - Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Gustavo Chaves Carreira Machado - Acredito que desde o início da faculdade de direito já tinha como meta o ingresso em uma carreira de Estado. A influência familiar contribuiu de maneira determinante em minha escolha pelo direito e, posteriormente, em meu grande interesse pelo serviço público. Meu pai é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, meu irmão é juiz de direito da comarca de Belo Horizonte e minha irmã gêmea é advogada. Minha mãe, professora e membro da Academia Feminina Mineira de Letras, sempre se interessou pelos debates jurídicos. Ademais, não posso deixar de mencionar que a estabilidade no serviço público e, principalmente, a possibilidade de poder trabalhar com a coisa pública sempre me seduziram e foram decisivas em minha escolha por um cargo público.

 

 

CF - Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

GCCM - Sempre gostei muito de ler literatura em geral, o que me ajudou a obter uma boa escrita, essencial na vida jurídica. O meu gosto pelo direito me propiciou grande prazer nos estudos jurídicos. Assim, desde o início da faculdade, procurei estudar diariamente, de forma sistemática, aprofundada e preocupado com a pesquisa científica. Aliado ao estudo teórico, procurei também cursar bons estágios, na Defensoria Pública, na Justiça de primeira instância e no Tribunal de Justiça.

Depois da formatura e de minha aprovação no exame da OAB, a metodologia do estudo se modificou, tendo em vista a minha decisão pelos concursos públicos. Minha preparação de concursando precisou ficar mais pragmática, focada unicamente para as provas que estavam por vir. Assim, além de freqüentar um cursinho jurídico, que direciona bastante os estudos, fiz um planejamento de estudo a médio prazo, tive muita disciplina e li em abundância legislação, imprescindível para a primeira etapa, em que as provas são mais objetivas e não se permite consulta à lei. Para a segunda etapa, onde a prova é dissertativa, com inclusão de peças jurídicas, procurei ler os autores mais indicados e os livros dos examinadores da banca do concurso. Foi muito importante também me manter atualizado através da leitura de informativos de jurisprudência e decisões dos tribunais.

Por fim, saliento que não devemos jamais abrir mão de um pouco de lazer durante a fase do concurso. Não podemos literalmente parar a nossa vida enquanto não atingimos a aprovação tão sonhada. Apesar das limitações inerentes a essa difícil fase, nossa vida não pode se restringir ao concurso. A aprovação requer, além do conhecimento intelectual, um estado emocional saudável.

 

 

CF - Que medidas o senhor tomava para enfrentar as matérias que tinha mais dificuldade?

GCCM - Geralmente temos mais dificuldade na disciplina de que gostamos menos e acabamos de certa forma evitando. Devo admitir que durante a faculdade estudava menos as disciplinas pelas quais tinha menos afeição. Entretanto, o concursando precisa estudar todas as disciplinas incluídas no conteúdo programático do concurso que pretende prestar, ainda que tenha menos predileção por algumas. Penso que a melhor forma de se enfrentar uma dificuldade é procurar aprofundar cada vez mais o estudo daquela disciplina. Tendemos a temer aquilo que desconhecemos.

 

 

CF - Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

GCCM - Assim que me formei comecei a prestar alguns concursos públicos, ainda que apenas para testar o nível de meus conhecimentos e de minha preparação. Acredito que em concurso também precisamos adquirir experiência no que tange ao controle de tensão, de tempo, afinidade com o ambiente competitivo, estilo de prova, dentre outros fatores que só aprendemos quando vivenciamos aquilo.

Logo após a colação de grau passei a exercer o cargo em comissão de assessor judiciário no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Trabalhava oito horas por dia e precisava, com planejamento e disciplina, conciliar o meu tempo com o cursinho jurídico e com os estudos em casa.

No primeiro ano, como não tinha o tempo necessário de prática jurídica para alguns concursos, como a magistratura, tentei outras carreiras e fui aprovado para os cargos de técnico do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Procurador da Câmara Municipal de Belo Horizonte e Analista do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais). A aprovação final no concurso para o cargo de Procurador do Estado ocorreu cerca de dois anos após a colação de grau.

 

 

CF- A Procuradoria do Estado sempre foi seu foco principal?

GCCM - Confesso que já pensei em tentar ingressar na magistratura, tendo em vista a influência paterna e de meu irmão mais velho, além de que ninguém na minha família havia exercido a Procuradoria de Estado. Mas a única certeza que tinha era de que queria exercer uma carreira típica de Estado, desde que fosse a magistratura ou a advocacia pública. Quando fui aprovado para o cargo de Procurador do Estado, tomei posse e comecei a exercer as minhas atribuições, apaixonei-me pela advocacia pública, uma vez que a possibilidade de defesa do interesse público me fascinou muito. Minha vocação pela Procuradoria de Estado restou ainda mais evidenciada quando me tornei o Presidente da Associação dos Procuradores do Estado de Minas Gerais, entidade responsável também pelos interesses do Estado e da carreira.

 

 

CF - O senhor sofreu com a cobrança de familiares e amigos em relação à aprovação?

GCCM - Não, de forma alguma. Meus pais, meus irmãos e meus amigos me apoiaram muito, de forma incondicional, e sempre foram compreensivos comigo. A única e grande pressão que sofrei foi a minha.

 

 

CF-  Depois de aprovado, como foi sua rotina de procurador recém empossado?

GCCM - Logo após a posse participei de um curso de formação juntamente com os outros 37 (trinta e sete) novos colegas. Em seguida passei pelas Procuradorias Regionais de Ipatinga e Divinópolis, onde trabalhei primordialmente com executivos fiscais e outros procedimentos de caráter tributário. No início, estava bastante inseguro, tendo em vista o volume de trabalho, a grande responsabilidade de minas atribuições e a relativa inexperiência na advocacia. Todavia, o convívio com os colegas de trabalho, que se mostraram comprometidos e solidários, me ajudou a superar isso. Depois fui removido para Belo Horizonte, onde trabalhei um período na sede da Procuradoria principalmente com processos judiciais referentes a medicamentos e responsabilidade civil do Estado. Atualmente encontro-me lotado na Procuradoria do Departamento de Estradas de Rodagem - DER/MG, em que trabalho na área consultiva na emissão de pareceres referentes a contratos administrativos, licitações e convênios.

 

 

CF- Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

GCCM - O primeiro passo é estar verdadeiramente convicto da decisão, já que a carreira pública escolhida passará a estar presente de forma determinante em parte considerável de sua vida. Assim, poderá o acadêmico ou bacharel conversar com profissionais daquela carreira e procurar conhecer melhor a estrutura e o funcionamento da instituição em que pretende ingressar. A remuneração é realmente muito importante, mas o concursando deve se preocupar preponderantemente com a sua vocação.

O segundo passo é estabelecer um planejamento a médio prazo, com uma rotina diária de estudos, aliada a pelo menos um mínimo de lazer. Deve-se ter também, na execução de suas metas, disciplina, persistência e paciência e jamais desistir diante do primeiro obstáculo ou de uma derrota.

 

 

CF- O que deve esperar o concursando na hora de optar por esta carreira?

GCCM - O concursando deve ter consciência da responsabilidade das atribuições de um procurador do Estado, que exerce função essencial à Justiça, responsável pela defesa do Estado Democrático de Direito. Assim, o advogado público deve estar sempre comprometido com a consecução do interesse público, uma vez que defende o Estado, e não o Governo, que é transitório e sujeito eventualmente condutas ilícitas. Por outro lado, é muito gratificante o fato de o procurador do Estado ter a liberdade de convicção e de atuação de um advogado e a possibilidade de poder contribuir de forma decisiva para o bem estar da coletividade.

 

 

CF - Qual foi o momento mais feliz e triste da sua carreira até o presente momento? GCCM - O momento mais feliz foi a minha eleição para a presidência da Associação dos Procuradores do Estado de Minas Gerais - APEMINAS, onde pude exercer de forma mais contundente e ampla a defesa da carreira e do Estado. A questão, e não momento, mais triste é perceber, após quase 05 (cinco) anos de carreira que o Governo de Minas Gerais ainda não compreendeu, ou não quis compreender a fundamental diferença entre advocacia de Estado e advocacia de Governo.

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