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CONCURSOS Minha Trajetória como "Concursando"

 

Carta Forense - Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Reinaldo de Almeida César - Prestei apenas dois concursos públicos. Um para ser professor de Direito Penal na Universidade Federal do Paraná e o segundo, anos após, para o cargo de Delegado de Polícia Federal. O do magistério superior foi quase uma decorrência da minha vida acadêmica, pois ingressei na Universidade, como docente, logo após concluir a graduação. Ao tempo em que lecionava, exercia também a advocacia, com a correspondente inscrição nos quadros da OAB. Passado algum tempo, cursava o mestrado na PUC de São Paulo, quando um colega de turma se aproximou e perguntou se não gostaria de prestar o concurso para Delegado da PF, cujo edital acabava de ser lançado. Aquilo me tomou de súbito, de imediato. Pensei que esta era uma carreira que me tocava, estimulava. Tomei ali mesmo a decisão, motivado por uma pretensa vocação.   

 

CF - Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

RAC -  Iniciei a preparação durante o curso de Direito, pois sempre tive mais entusiasmo de pesquisa e estudo com áreas afins da atividade de polícia judiciária, como é o caso das ciências penais, do processo penal, da Criminologia. É verdade, porém, que para o concurso da PF precisei me atualizar sobre alguns temas que não havia tido contato até então, como foi o caso do Direito Previdenciário. Creio que todo método de estudo é válido e muito pessoal. Não existe fórmula mágica. O segredo é concentração, disciplina e determinação.

 

CF - Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

RAC -  Tive a felicidade de ser aprovado nos dois concursos - magistério e Delegado da PF - logo na primeira tentativa, não obstante entre eles haja um lapso de tempo considerável.

CF -  A Polícia Federal sempre foi seu foco principal?

RAC -  Talvez intuitivamente. A princípio, conclui o curso de Direito, militei na advocacia e lecionei durante um bom período. Quase 10 anos depois de formado é que me submeti ao concurso de Delegado da PF. Posso servir de exemplo para aqueles que, com pensamento negativo, acham-se incapazes de aprovação, por imaginarem que somente os recém egressos da Universidade logram aprovação. Ledo engano. Mas, de certo modo, como já afirmei, estive sempre muito focado em temas que orbitam no universo da atividade do Delegado de Polícia, notadamente, nas áreas do direito penal e processual penal. Então, a Polícia Federal pode não ter sido o meu foco principal, mas, por outro lado, foi o único concurso que de fato decidi prestar. Nunca me senti estimulado ou vocacionado,  por exemplo, para a magistratura ou Ministério Público, sem que isso represente qualquer desconsideração de minha parte aos ilustres integrantes destas instituições. 

 

CF - O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo

resultado pretendido? 

RAC -  De forma alguma. Ao contrário, minha família sempre me estimulou e tem o enorme orgulho em me ver atuando na carreira de Delegado da PF, por tudo o que a instituição a qual pertenço representa junto à sociedade brasileira, em credibilidade e respeito.

 

CF- Depois de aprovado, como foi sua rotina de Delegado recém empossado?

RAC -  O concurso da Polícia Federal é um dos mais - se não for o mais - difícil de todos, neste movimentado universo de concursos públicos. É que além da prova objetiva e discursiva, há ainda as fases seguintes, de rigoroso exame médico, psicotécnico, condicionamento físico e avaliação social. Só depois de transcorridas todas estas etapas, o aluno é convocado para se submeter à formação policial, na Academia Nacional de Polícia, em Brasília e por lá permanece em regime de semi-internato por um período não inferior a 4 meses. E os próximos concursos para Delegado da PF vão apertar ainda mais, com provas orais e questões subjetivas de matéria jurídica. O gratificante é que saímos da Academia em plenas condições de exercermos as funções do cargo de Delegado da PF. Por isso mesmo, o início de carreira é muito estruturado e é possível contar sempre com o companheirismo e a solidariedade dos mais experientes na carreira.

 

CF - Que atividades já exerceu como Delegado da Polícia Federal?

RAC -  Já trabalhei em várias áreas, como polícia fazendária, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, imigração, passaporte e controle de estrangeiros. Da mesma forma, atuei na Interpol, no campo da cooperação policial internacional, além de desempenhar missões de segurança de autoridades, de dignitários.

 

CF - Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

RAC -  A Polícia Federal tem um fantástico campo de atividades, o que faz com nossa atividade nunca seja rotineira. Cada dia, cada situação, cada investigação tem características e peculiaridades próprias. Nós costumamos dizer que a PF atua da tanga à toga e do cartório ao cartel. Lembro-me de uma situação curiosa, quando fui executar a prisão de um alemão foragido da justiça daquele país e que estava escondido em Pomerode, pequena cidade no interior de Santa Catarina, onde a população se comunica com frequência no idioma germânico, levei na minha equipe de agentes um policial que fala fluentemente o alemão e, com isso, pudemos cumprir a medida, explicando ao procurado as razões daquela prisão e os seus direitos constitucionais. O curioso foi a necessidade de se comunicar em alemão dentro do Brasil.    

 

CF - E o mais triste?

RAC -  Não há momento mais triste e melancólico para a atividade policial do que ver um colega ferido ou morto em serviço, riscos aos quais estamos sujeitos pela natureza de nossa vida funcional.

 

CF- Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

RAC - Decisão firme, autodisciplina, equilíbrio, sensatez e, sobretudo, compromisso com a instituição.

 

CF-  O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Polícia Federal?

RAC -  Uma carreira que enseja renúncias no campo pessoal, na vida privada e familiar, mas, por outro lado, extraordinariamente gratificante não somente pelo que ela representa no contexto da organização do Estado, como também pelo seu amplo espectro de atividades, o que certamente motiva seus integrantes. É absolutamente correto afirmar que todo aquele que ingressa na PF saberá encontrar a sua área de interesse e o seu espaço de vocação em uma das várias frentes de atuação da Polícia Federal.

 

Comentários

  • AbrÆo de Sousa
    13/07/2010 14:30:57

    Excelente entrevista! Isto mostra que quem tem determina╬Æo, atitude e coragem consegue superar muita coisa. Dr Reinaldo de Almeida C'sar ' 100% vencedor. Duas tentativas, duas vit¢rias. Importante afirma╬Æo do profissional quando afirma que ' necess rio ren£ncia na vida privada, familiar. Parab'ns pelo sucesso!!!

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REINALDO DE ALMEIDA CÉSAR

Reinaldo de Almeida César
Presidente da Associação Nacional  dos Delegados da Polícia Federal.

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