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CRÔNICAS FORENSES HINO E O NONNO

03/09/2015 por Roberto Delmanto

O jovem advogado italiano conheceu, em congresso jurídico na Europa, uma advogada brasileira. Apaixonaram-se, passaram a namorar, se casaram e vieram morar no Brasil.Muito culto e inteligente, ele aprendeu logo o português e conseguiu revalidar seu diploma.

 

Tomando conhecimento da legislação existente e do funcionamento do Consulado da Itália em São Paulo, passou a atuar, como advogado, em processos para obtenção de cidadania italiana por brasileiros, tendo sido pioneiro na área.

 

Só após a Constituição Brasileira de 1988 foi permitida a dupla nacionalidade, com a obtenção de passaporte italiano, entrada sem visto, permanência por prazo indeterminado e a possibilidade de estudar, trabalhar ou morar nos países da Comunidade Européia.

 

A  matéria era nova para os brasileiros e um dos primeiros “clientes” do advogado foram seus sogros. Depois de dar entrada nos papéis deles no Consulado, comprovando a ascendência peninsular do sogro, orientou o casal para a entrevista a ser realizada.

 

Explicou-lhes que, embora não precisassem conhecer o idioma italiano, deveriam saber cantar o hino do país, pois isso era imprescindível para a obtenção da cidadania italiana. Tendo decorado a letra e ensaiado várias vezes o hino, a entrevista foi marcada.

 

Nela, após detalhada conferência dos documentos, a cidadania foi concedida, designando -se  data para entrega dos passaportes. Os sogros, então, perguntaram ao funcionário que os atendera quando iriam cantar o hino. Este, rindo, disse-lhes que isso não era absolutamente necessário, perguntando quem falara tal coisa. Só aí ambos perceberam que tinha sido um “trote” do genro...

 

Na primeira viagem que fizeram a Itália, usaram os novos passaportes. A dupla nacionalidade brasileira-italiana também era novidade naquele país e, ao conferir os passaportes dos sogros, o oficial da aduana perguntou-lhes como eram italianos se haviam nascido em São Paulo.

 

Querendo explicar que o avô era italiano, mas não falando o idioma, o sogro apontou o indicador da mão direita para o alto e disse: nonno, mio nonno! O oficial caiu na risada , entendendo logo o que se passava, e permitiu-lhes a entrada.

 

Hoje, com o aumento dos casos de dupla nacionalidade, os brasileiros, além de continuarem a não precisar cantar o hino nas entrevistas para obter a cidadania italiana, ao exibir seus passaportes na imigração, também não mais necessitam invocar o ascendente peninsular...

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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