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POLÊMICA Gil Rugai e os caminhos tortuosos do júri

04/03/2013 por Luiz Flávio Gomes

 

Apesar da luta hercúlea dos advogados Marcelo Feller e Thiago Gomes, que pugnaram bravamente pela absolvição, apresentando inúmeras omissões investigativas, falhas nas perícias e contradições nos depoimentos, Gil Rugai acabou sendo condenado pelos jurados.

 

Desde o princípio do julgamento sabia-se da existência de muitos indícios contra ele (ele foi visto no local dos fatos 20 minutos após os disparos, a arma do crime foi encontrada no seu local de trabalho, a marca do chute na porte é compatível com o seu sapato etc.) e todos foram sabia e devidamente explorados pela acusação (Rogério Zagallo).

 

Estou convencido de que três fatores foram decisivos para o desfecho condenatório:

 

(a) a composição qualificada do Conselho de Sentença - que não se deixou levar pela emotividade nem se perdeu no emaranhado dos detalhes periféricos do caso;

(b) o interrogatório do réu, que escancarou, com todas as evidências imagináveis, absoluta falta de convicção sobre sua inocência, e

(c) o fato de os advogados não terem conseguido colocar ninguém na cena do crime (nenhuma outra pessoa concreta, além daquela que acompanhava o acusado, foi apresentada como integrante do cenário do crime).

 

O que mais chamou atenção, no entanto, foi a postura do acusado. O inocente grita, esperneia, contesta tudo com veemência, clama por justiça, luta com todas as forças pela sua liberdade e olha com firmeza e segurança, mas sem ser agressivo, para seus juízes.

 

O inocente jamais proclama, já se dando por perdedor, que não adianta nada falar da sua inocência. Adianta sim, e muito! Como canta Lenine na sua música “Do it”,

 

Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...

Se aperta, grite

Se é verdade, jure
Se é inocente, apele

 

Faltou, no réu, apelo, juramento, proatividade, insurreição, inconformismo, rebelião, protesto etc. etc. Tudo isso deve ter impressionado muito os jurados, porque o inocente grita, apela, chora, clama por justiça.

 

Depois do trânsito em julgado da condenação, isto é, quando esgotados todos os recursos, inicia-se o cumprimento de apenas um sexto da pena no regime fechado, porque os crimes foram cometidos antes da nova lei, que já elevou esse quantum para 40% da pena total.

 

O juiz, mesmo diante de todos os clamores populares e midiáticos, não decretou a prisão imediata do réu, seguindo a jurisprudência e o Estado de Direito vigentes.

 

O problema não está em respeitar as garantias constitucionais, sim, na morosidade absurda da Justiça, que demora muito para dar resposta à sociedade (no caso em destaque, nove anos para fazer o julgamento).

Comentários

  • Evellin Munhoz de Oliveira
    19/06/2013 01:26:06

    É obvio que ele é inocente! Esse pais é uma piada, ele foi condenado pela imprensa sensacionalista! Quem nao ve isso so pode ser cego

  • Letícia
    04/03/2013 20:40:52

    Neste júri foi cometida uma grande injustiça, porque um inocente foi condenado. Ao ler o texto fica claro o motivo da condenação: a postura do réu que não agrada a grande maioria das pessoas que são preconceituosas e hipócritas. Provas de inocência não importaram, mas os indícios falsos e plantados foram ouvidos como verdade absoluta. Infelizmente a Justiça nesse País é altamente falha, pois condena inocentes e não pune os culpados.

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LUIZ FLÁVIO GOMES

Luiz Flávio Gomes

Deputado Federal eleito. Criador do Movimento Quero um Brasil Ético.
Doutor em Direito. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do atualidadesdodireito.com.br. Foi Investigador de Polícia, Delegado de Polícia, Promotor de Justiça. Juiz de Direito e Advogado.
www.ProfessorLuizFlavioGomes.com.br

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