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MINHA TRAJETÓRIA NOS CONCURSOS Gabrielle Tatith Pereira é Advogada do Senado Federal

03/08/2009 por Gabrielle Tatith Pereira
Carta Forense - Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Gabrielle Tatith Pereira - Sempre pensei em prestar vestibular para Direito e desde o início do curso na Universidade Federal de Santa Maria - UFSM já projetava fazer concursos públicos. Aliás, sempre estudei durante a graduação como forma de preparação para as provas futuras. Também fiz estágio com Promotores e Juízes de Direito com a finalidade de conhecer as carreiras e ter um aprendizado mais específico.

CF - Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?


GTP - Desde a faculdade estudei pensando nos concursos públicos. Após a graduação, passei a exercer atividades auxiliares da justiça (Conciliadora e Juíza Leiga) e, paralelamente, estudava. Advoguei pouco, exclusivamente para familiares. Depois, ingressei na Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul (AJURIS) e, à noite, atuava como Conciliadora no 5º JEC de Porto Alegre/RS. Adotei diversas metodologias de estudo. Em alguns períodos, estudava uma matéria a cada dia. Em outros, estudava uma hora por matéria, revisando várias num mesmo dia. Sempre preferi ler livros a cadernos e resumos. Embora isso tornasse o estudo mais interessante, às vezes prejudicava a objetividade, porque o candidato precisa otimizar o tempo.  Na verdade, acho que não há regras predeterminadas para lograr aprovação em concursos públicos. Cada pessoa possui seus próprios métodos de aprendizado e memorização. O importante é estudar muito.

 CF
- Qual a técnica a senhora utilizava para estudar matéria que tinha mais dificuldade?

 GTP - Sempre apliquei a mesma metodologia de estudo para todas as disciplinas, embora menor o rendimento naquelas em que tinha maior dificuldade. Acreditava (e ainda acredito) que essa dificuldade é fruto da própria falta de conhecimento, então procurava me estimular a estudar mais para preencher as lacunas.

CF - Quanto tempo demorou para ser aprovada no primeiro concurso?

GTP - Comecei minha vida profissional em 2005, atuando como Conciliadora e Juíza Leiga do JEC da Comarca de Santa Maria. Em 2006, frequentei o curso da AJURIS e atuei como Conciliadora no 5º JEC de Porto Alegre. Nesse período, prestei o concurso público do TRT da 4ª Região para o cargo de Oficial de Justiça Avaliador Federal, logrando aprovação. Como não havia previsão para as nomeações, realizei processo seletivo para o cargo de Assessor de Juiz de Direito das Turmas Recursais do Rio Grande do Sul e, aprovada, fui nomeada no início de 2007. Passados dois meses, fui nomeada no TRT. Apesar das atividades que exerci, nunca deixei de estudar. Trabalhar e estudar exige muita determinação e persistência. Durante o tempo em que fui Oficiala, prestei concursos públicos, entre eles o do Senado Federal, para o cargo de Advogado. O resultado final saiu em dezembro de 2008 e as nomeações ocorreram em maio de 2009.    

CF - A senhora focou em alguma carreira específica ou foi conhecendo as carreiras no desenrolar do tempo de concurso?

GTP - No início da faculdade, pensava em prestar concurso para as carreiras mais tradicionais: Magistratura e Ministério Público. Depois, percebi que são inúmeros os campos de atuação do Bacharel em Direito e resolvi investir em outras carreiras também. Quando se estuda para concursos, todo o edital publicado é uma nova chance de sucesso. Aprendi, também, que a vida não é passível de projeções matemáticas. É importante estar aberto a novas oportunidades. "Estar preparado é tudo." (Shakespeare, Hamlet).

CF - A senhora sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?
 
GTP
- Nunca. Se houve cobranças, foram minhas. Sempre fui muito exigente comigo mesma, na vida pessoal e na vida profissional. Meus familiares, ao contrário, sempre me incentivaram a desacelerar o trabalho e os estudos. E, graças a Deus, minha família e meus amigos sempre compreenderam minhas ausências.

CF - Como é carreira de Advogada do Senado?


GTP -  Não há plano de carreira específico para o Advogado do Senado. Submetemo-nos à Lei 8.112/90 e ao regulamento interno.  A Advocacia do Senado divide-se em dois órgãos: Coordenadoria de Processos Administrativos e Coordenadoria de Processos Judiciais. O quadro de pessoal é composto de Advogado-Geral, Advogado-Geral Adjunto, Advogados e Assessores Jurídicos. O grupo dos Advogados lotados na Advocacia é reduzido. Sete oriundos do concurso realizado em 2008 e seis de concursos anteriores. Há Advogados exercendo outras funções dentro do Senado Federal.

CF - Quais são as atividades típicas da carreira?

GTP - Esclareço, primeiro, que o Senado Federal é órgão legislativo da União, de modo que é a Advocacia da União que o representa judicial e extrajudicialmente. Segundo o Regimento Interno do Senado, à Advocacia compete prestar consultoria e assessoramento jurídicos à Mesa, à Comissão Diretora, à Diretoria-Geral e aos demais órgãos da estrutura administrativa da Casa e fornecer à Advocacia-Geral da União as informações e o respaldo técnico necessários à defesa judicial e extrajudicial dos interesses do Senado Federal. Na prática, o trabalho do Advogado do Senado divide-se em duas áreas de atuação. A primeira é consultiva e relacionada, basicamente, à atividade administrativa da Casa. Os Advogados emitem pareceres sobre os mais diversos temas de direito público, como licitações, contratos administrativos, processos administrativos disciplinares, solicitações de servidores e até de Senadores. A segunda área está relacionada, principalmente, à defesa do ato legislativo no controle concentrado de constitucionalidade (abstrato ou concreto), de modo que os Advogados prestam informações em ADI, ADPF, MI, reclamações. Mas também prestam informações à AGU, quando as ações tratam de interesses do Senado Federal (mandado de segurança, ações de rito ordinário, etc.), e ao MPF, em inquéritos civis ou procedimentos preparatórios.

CF - Se a senhora pudesse voltar no tempo, lá para o primeiro ano da faculdade de Direito, o que faria diferente?


GTP - Não costumo olhar para trás e me arrepender dos feitos e não-feitos. Minha singela trajetória está permeada de experiências positivas e negativas. As primeiras são motivo de incentivo para prosseguir. As segundas são motivo de reflexão e aprendizado. Em cada atividade que exerci conheci pessoas incríveis e que contribuíram muito para o meu crescimento pessoal e profissional. Só tenho a agradecer.  

CF - O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira de Advogado do Senado?

GTP - É, sem dúvida, uma carreira muito dinâmica. Os temas trabalhados envolvem diversas áreas do Direito e o Advogado pode atuar na coordenadoria de processos administrativos (consultivo) ou na coordenadoria de processos judiciais. Neste caso, atuará na defesa do ato legislativo no controle concentrado de constitucionalidade, perante o STF. Ademais, o Advogado do Senado não está impedido de exercer a advocacia privada, desde que não haja incompatibilidade com as atribuições de seu cargo.

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