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Medida de Segurança ...E eu não largo dele

03/09/2015 por Antonio José Eça

Bem, já comentamos no último artigo, sobre maridos e mulheres que batem em seus companheiros e sobre suas possíveis reações, que incluem um mecanismo que os façam parar de bater, se valorizarem e até mesmo, se nada disto der certo, os abandonarem.

 

No entanto, não estamos levando em consideração outra possibilidade que inclui as mulheres que continuam sofrendo e mesmo assim relutam em deixar seus companheiros.

 

Isso me fez lembrar uma instituição onde trabalhei há mais de vinte anos, onde me deparava com maridos que maltratavam suas esposas, ocasião que ambos eram jovens e tinhas muitas perspectivas de uma nova vida.

 

O tempo passou e esses maridos continuaram com comportamento inadequado, sendo maus, desequilibrados consigo próprios e continuaram com seu comportamento destrutivo, destratando-as e as fazendo sofrer. Por sua vez, suas esposas continuaram sofrendo, mas não os deixaram.

 

Puxa! Alguém poderia pretender me admoestar, sobre minha frieza diante de uma mulher que prefere continuar ao lado do marido, fazendo parte de sua vida em todas as situações, como um dia prometeu diante de Deus ou de um Juiz.

 

Então pergunto: será que o compromisso de estar junto pode ser maior do que o compromisso de estar comigo mesmo? Vou além: será justo sacrificar e anular minha vida de tal maneira, esperando apenas eventuais recompensas que podem vir, por exemplo, do ‘reino dos céus’?

 

O que devemos considerar é que algumas pessoas só conseguem estabelecer uma ligação doentia, no qual se completam como dois vegetais que sugam a seiva um do outro, tão enraizados que estão entre si. A isto se chama tecnicamente vínculo simbiótico.

 

Deixando a técnica de lado, estas uniões ou vínculos são muito difíceis de serem desfeitos, uma vez que um precisa tanto do outro que tem a sensação de que vai morrer sem o outro.

 

Provavelmente não paramos para pensar se esse tipo de relacionamento é necessário, ou seja, eu o sugo e ele me suga como exemplificado acima.

 

Se imaginarmos que qualquer energia (seiva) está sendo sugada por mim, talvez tenhamos que considerar que a mesma medida, ou até maior, está sendo tirada de mim; o que significa que estamos na “estaca zero”.

 

Dessa forma, enquanto penso que preciso da sua vida para poder viver a minha, de fato, estou apenas “trocando vida”, na medida em que pego, mas cedo também.

 

Se precisar de você, na mesma medida que você de mim, temos duas alternativas: ou nos acertamos para que nossa união valha a pena e passemos a trocar uma energia (uma seiva) positiva, ou que cada um fique com sua própria energia, para que seja mais bem aproveitada e administrada.

 

Se você quer RS 10,00 de mim e eu de você, que ao menos, seja em dinheiro trocado, caso contrário, cada um que fique com os seus R$ 10,00.

 

Dessa maneira, você aprenderá a administrar seus recursos internos, o que pode ser muito compensador, pois poderá usá-los no momento, lugar e com quem quiser.

 

Na verdade no início, não vou saber exatamente o que fazer com essa energia; afinal estava acostumado à dela e tinha que trocá-la, (e, na maioria das vezes até pagar um pouco mais por ela).

 

Entretanto, aos poucos começo a saber como e a gostar do fato de poder dispor desta energia, da maneira que eu quiser, sem pagamento de tributos injustos, impensados e mal aproveitados.

 

Pense nisto!

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ANTONIO JOSÉ EÇA

Antonio José Eça

Médico psiquiatra; Mestre em psicologia. Professor de psicopatologia forense, medicina legal e criminologia. Autor de Roteiro de Psiquiatria Forense, Editora Saraiva.

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