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CRÔNICAS FORENSES Do Uno ao BMW

02/06/2010 por Roberto Delmanto
Os clientes dos advogados criminalistas, além de sofredores - sejam acusados, vítimas ou seus familiares - são criaturas curiosas.

Muitos daqueles que respondem a uma persecução penal preferem não contar a verdade ao profissional que procuram. Acham que, se a revelarem, ele poderá não aceitar a causa ou, aceitando, não defendê-los com o mesmo empenho. Assim, pensam ser melhor deixar o advogado pelo menos na dúvida...

Ainda que ganha a causa - tenham sido acusados ou vítimas - invariavelmente não gostam de reencontrar seus ex-patronos. Certamente não querem relembrar os momentos difíceis por que passaram, as inconfidências que fizeram ao advogado ou, ainda, fatos e circunstâncias desagradáveis que apareceram no decorrer do processo.

O mais pitoresco, todavia, vem à tona na hora de contratar os honorários.

Ao contrário da área cível, em que há sempre um valor da causa, na criminal este não pode ser mensurado, por estarem em jogo a liberdade e a honra, os dois mais importantes bens do homem ao lado da vida e da saúde.

Daí porque o criminalista, além de levar em conta o maior ou menor trabalho que terá de desenvolver, a gravidade da acusação e a responsabilidade dela decorrente, procura avaliar a condição econômica dos futuros clientes para tornar os honorários mais compatíveis com ela.

Prevendo isso, ao comparecer pela primeira vez ao escritório do advogado, muitos clientes vêm de táxi ou dirigindo um carro bem simples, por vezes um Uno ou mesmo um Fusca. Depois de conseguir um bom contrato de honorários, devidamente assinado, já na próxima oportunidade em que voltam ao escritório não se constrangem: vêm dirigindo seu BMW ou sua Mercedes. São coisas da vida, da profissão e da natureza do ser humano...

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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