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Monografia DE CONSUMIDOR DE INFORMAÇÕES A PRODUTOR DE CONHECIMENTO: O APRENDIZ DE CIENTISTA

01/08/2005 por Carta Forense
A necessidade e a curiosidade são fatores que impulsionam o homem à pesquisa. Quando está diante de problemas, procura solucioná-los para que sua vida se torne melhor. E quando não tem problemas para resolver, a curiosidade é a mola propulsora que o leva a desvendar o universo e suas leis. Nas Ciências Humanas, da mesma forma, as preocupações em ampliar sua qualidade de vida é que o levam à pesquisa, às soluções mais variadas.


Fazer ciência é para grande parte das pessoas um fato extraordinário, de difícil aprendizagem. O cientista em geral é visto como pessoa anti-social, de cabelos brancos, sem tempo para cuidar de si mesma; uma pessoa destituída de vaidade estética, de preocupações com a aparência. Um engano!

Faz-se ciência quando se dispõe a examinar a realidade com rigor para entender como determinados fatores se comportam. A mãe que quotidianamente observa o comportamento de seu filho constrói um conhecimento capaz de prever determinadas reações dele. Conhecimento valoroso, porque lhe é necessário para a convivência e o bem-estar de sua família.

A ciência procura ampliar a validade de um conhecimento; torná-lo útil não para uma pessoa, mas para uma grande parte da humanidade ou toda a humanidade. Descobre, por exemplo, os antibióticos para salvar milhões de vida. As pesquisas atuais com as células tronco vão na mesma direção. São necessários muitos pesquisadores interessados na solução de um problema, todos empenhados em observar com rigor como é que se comportam os vários fatores que compõem a superação de determinados problemas de saúde, por exemplo.

Para a realização de pesquisas, para a compreensão da realidade, seja ela física seja humana, é necessário um instrumento adequado: a metodologia. Se fôssemos procurar a origem dessa palavra, verificaríamos que ela é composta de duas partes: uma que significa através de e outra que significa caminho. Portanto, é a metodologia um conjunto de regras que nos fornece o caminho para atingir a solução dos problemas que pretendemos resolver.

Sabemos, pois, que a ciência se faz com observação rigorosa da realidade, que ela se ocupa de resolver problemas humanos e que para se construir um conhecimento científico é necessário método, visto que as descobertas devem valer aqui e acolá; na América e na Ásia, na Europa e na África. Essa amplitude de validade exige que o estudo seja profundo, que se vá às últimas conseqüências. Ciência não é conhecimento de aparências, fruto de uma observação destituída de método, ou resultado de pesquisa precipitada. No entanto, mesmo sendo rigorosa, a ciência está sempre se refazendo. Esta é uma de suas características: não se contenta com as primeiras soluções, com as primeiras conclusões. Continua estudando o fenômeno para entendê-lo melhor.

Assim, é possível que o conhecimento da mãe sobre seu filho não seja tão profundo quanto ela imagina. Um profissional da área de comportamento humano pode aprofundar-se no conhecimento de determinada pessoa e descobrir causas profundas de suas reações diante de determinados fatos. Nesse sentido, diz-se que muitos dos nossos conhecimento são frutos do bom-senso, enquanto o conhecimento produzido no laboratório, cercado de métodos e rigor de observação, é um conhecimento científico.

Nas ciências humanas, embora não seja possível levar a laboratório um fato ou fenômeno, a pesquisa se faz com outros instrumentos igualmente válidos que conduzem a um conhecimento científico.

Busca incansável de causas profundas, retomada constante de conclusões, sistematização, tudo isso faz da ciência um conhecimento específico.

Um dos passos mais decisivos na história da aprendizagem dá-se quando o o homem, de consumidor de informações, passa a produtor de conhecimentos científicos. Se bem estabelecida a fase inicial, a da aprendizagem, que se faz com livros, jornais, revistas, filmes, peças de teatro, Internet, cursos, troca de idéias com professores e colegas, enfim os mais variados meios de informação, a fase seguinte torna-se menos árdua, particularmente se aprendeu a pensar segundo os rigores da lógica.

É decisivo, pois, para produzir ciência desenvolver a capacidade de elaborar pensamentos coerentes e coesos, aprender a argumentar e a respeitar pontos de vista contrários; desenvolver o senso crítico para não aceitar qualquer afirmação como verdadeira.

O MEC, por meio de Portarias, tem tornado obrigatória, nas mais variadas áreas, a produção de monografias científicas como requisito para a conclusão de curso. São o chamados Trabalhos de Conclusão de Curso. A monografia leva o aluno a ampliar a gama de conhecimentos em outras áreas, o que concorre para o que se chamava, nas universidades medievais, de universitas studiorum.

É, portanto, a monografia uma passo inicial para os que desejam continuar a produzir conhecimento científico. Conhecimento que implica a aprendizagem de métodos para que a produção científica não seja mera recolha de transcrições ou paráfrases de textos alheios. A criatividade e a inteligência aguçada para perceber relações são outras características relevantes para os que darão continuidade a essa fase relevante da vida de aprendiz de cientista.

João Bosco Medeiros
É mestre em Letras pela USP e autor de Redação científica. É co-autor de Monografia no curso de direito e Português forense, publicados pela Altas

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