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Academia Paulista de Letras Caçadores de ilhas

14/03/2008 por APL

Caçadores de ilhas


A ilha procurada
foge de quem a procura
por ser ilha ensimesmada.

Caçadores de ilhas
conhecem a lição
ilhada:
são caçadores de Tétis
na ilha dos amores
que não se dá por achada.

Há duas feições de ilha
em escala solidária.

Uma feição de ilha
é a ilha jorge de lima
que já no mundo lusíada
por máquina do mundo
passava.

Nessa ilha,
caçadores de ilha
como máquina
põem no futuro a mira
sobre a ilha
de uma utopia caçada.

Outra feição de ilha
é a ilha drummondiana
escassa.
Sem as águas de ilha navegada
é ilha camoniana
já clássica.

É ilha do mesmo mundo
que se abre como máquina,
sendo pedra que se fecha
para a perda do poeta
que se busca
sem palavra.

Em dupla escala
as duas feições de ilha
são a mesma solidária:

tanto numa como noutra
nenhuma utopia é dada.
Toda ilha é ilha
ensimesmada.


Mário Chamie é
Escritor, ensaísta e poeta. Doutor em Ciência da Literatura, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Criador da vanguarda nova brasileira, o movimento da Poesia Práxis. Membro da Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira nº 26.

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