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Crônicas Forenses Aos Debates

10/12/2007 por Roberto Delmanto

 

                            César Salgado e Ibrahim Nobre foram os dois grandes promotores do júri paulista na primeira metade do século passado.

 

Oradores brilhantes, de enorme cultura jurídica e moral inatacável, eram debatedores praticamente invencíveis.

 

A história de ambos se confunde com a própria história do Ministério Público bandeirante. Seus bustos encontram-se hoje, ao lado do de Nilton Silva, famoso Promotor de meados daquele século, no salão do antigo Tribunal do Júri paulistano, atual Museu do Tribunal de Justiça. Do lado da defesa, os bustos de Antonio Covello, Marrey Júnior, Américo Marco Antonio e meu pai Dante.

 

César Salgado, certa vez, referindo-se à palavra, disse que ela era tão importante, que Deus, antes de criar o mundo, ao dizer, "cria-te mundo", havia criado a palavra...

 

Ibrahim Nobre, o Tribuno da Revolução Constitucionalista de 32, ao saber de sua condenação à revelia, a 30 anos de prisão pela ditadura Getulista, disse a famosa frase: "Para tão grande fé, tão curta pena..."

 

Depois de se aposentar, Ibrahim foi defender, como advogado, um acusado de homicídio.

 

Na outra tribuna do júri, pela acusação, estava seu amigo e ex-colega César Salgado, ainda na Promotoria.

 

Ao fazer uso da palavra, Ibrahim disse aos jurados: "Eu, Ibrahim Nobre, paulista de quatrocentos anos, vos garanto que o acusado é inocente".

 

Em lendário aparte, César retrucou, igualmente se dirigindo aos jurados: "Eu, César Salgado, paulista de quatrocentos anos, vos garanto que o acusado é culpado".

 

E, para deleite da assistência, aduziu: "E vamos aos debates..."

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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