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Cidadania Aécio volta ao Senado e vice-presidente do Uruguai cai

02/10/2017 por Luiz Flávio Gomes

 

Uruguai é o país menos corrupto da América Latina, de acordo com o ranking de percepção da corrupção da Transparência Internacional (ocupa a posição 21). O Brasil, nesse ranking, aparece na posição 79.

 

No levantamento de 2016 do Fórum Econômico Mundial (da Suíça) o Brasil ocupa o 4º lugar, ao lado do Paraguai. Nas primeiras colocações estão Venezuela, Bolívia e Chade. Neste caso mede-se a corrupção efetiva (não a percepção dela).

 

O Uruguai, nesse item, está muito melhor que o Brasil. Suas instituições (políticas, econômicas, jurídicas e sociais) funcionam melhor.

 

Vamos comparar: Aécio, mesmo depois de gravado pedindo propinas para a JBS (R$ 2 milhões), voltou a ser senador por decisão da Suprema Corte. Seu partido (PSDB) não o expulsou da agremiação e ainda continua tendo-o como presidente “afastado”.

 

Mais: Aécio é quem compartilha a governabilidade com Temer. Não saiu da cena política e até se especula que possa se candidatar ao senado novamente, em 2018. A falta da certeza do império da lei é inequívoca. A impunidade é patente. Tudo isso estimula a corrupção.

 

No Uruguai o vice-presidente Raul Sendic, do partido Frente Ampla, acaba de ser derrubado (9/9/17). Usou cartão corporativo da empresa de petróleo (gastando cerca de 4 mil dólares) que ele dirigia (de 2008 a 2013) para pagar despesas pessoais. Também é acusado de gerar rombo estrondoso na estatal.

 

Se gerar rombo em estatal fosse regra inapelável no Brasil dezenas de diretores e políticos teriam o mesmo destino do vice-presidente citado.

 

O ex-Procurador-Geral da República Rodrigo Janot formulou 4 denúncias relacionadas com o fatiamento político e criminoso da Petrobras. Compete agora ao STF processar os envolvidos.

 

Qual é a diferença entre os dois países?

 

A diferença é que o Uruguai é um país que tem corrupção (como todos os demais), enquanto o Brasil é uma cleptocracia (cleptos = ladrão; cracia = governo).  

 

Os dois países menos corruptos do mundo (Dinamarca e Nova Zelândia) ostentam nota 90 no ranking internacional. 90 não é 100. Isso significa que todos os países têm corrupção.

 

Mas o Brasil é muito mais que um país corrupto: é uma cleptocracia, ou seja, um país governado e dominado por ladrões do dinheiro público que são apoiados por várias instituições (jurídicas, políticas, econômicas e sociais).

 

O Brasil é uma cleptocracia parasitária gerida pelo método mafioso.  A cumplicidade com os agentes poderosos corruptos ainda é estarrecedora. Só para citar um exemplo, recorde-se do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE.

 

Quem derrubou o vice-presidente uruguaio? Não foi a Justiça. Não precisou chegar lá.

 

A queda decorreu do próprio partido (pelo seu Tribunal de Ética), seus filiados, a mídia, o presidente que o refutou, a população, a gritaria geral da sociedade civil. Leia-se: a consciência ética.

 

Se nossas instituições funcionassem bem, antes mesmo da intervenção do Judiciário muitos diretores de empresas públicas e políticos envolvidos com a corrupção seriam expurgados da administração pública. Nesse ponto somos diferentes do Uruguai.

 

Para esse nível de consciência coletiva é que temos que avançar, o mais pronto possível. O atraso deplorável das nossas elites (políticas, econômicas, jurídicas, sociais etc.) tem que ser superado o mais rápido possível para que possamos começar a fazer parte das discussões mundiais do século XXI.

 

Por causa desse atraso a baixa escolaridade do brasileiro nos séculos XX e XXI se tornou o equivalente moral da escravidão dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX (E. Giannetti).

 

O mundo está discutindo neste princípio do século XXI pautas avançadas como carros sem motorista (autônomos), drones que fazem entregas com celeridade, robôs inteligentes para tudo (estão, desde logo, ocupando os serviços repetitivos), internet das coisas e sensores ultraprecisos, impressão 3D, inteligência artificial com análise de dados, nanotecnologia, biotecnologia (com uso de menos recursos naturais), realidade virtual e aumentada (simulação do funcionamento da empresa), o uso disseminado da moeda eletrônica chamada BITCOIN (e programas sofisticados para sua utilização, como o BLOCKCHAIN), robotização que rouba os empregos, desemprego massivo, aumento das desigualdades, não há trabalho para todo mundo etc.

 

As elites brasileiras arcaicas demoraram mais de um século para ingressar na 1ª Revolução Industrial do século XIX. Não podemos repetir esse erro e nos tornarmos uma nação de quinta categoria na era da globalização e da cibernética.

 

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LUIZ FLÁVIO GOMES

Luiz Flávio Gomes

Doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri, Mestre em Direito Penal pela USP e Diretor-Presidente da Rede de Ensino LFG. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). Autor de obras pela RT e Saraiva.

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