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Concursos A vocação na preparação para os concursos públicos

14/02/2008 por Gustavo Bregalda
 

Nos corredores de cursinhos preparatórios ou em grupos de estudos ouve-se muito a frase: vou fazer tal concurso específico porque tem altos vencimentos, e outras assertivas do gênero. É um erro que se pode cometer desde a época dos bancos da faculdade.

 

                Maior parte das pessoas que ingressam nas faculdades de Direito, salvo raras exceções, não possui de antemão os objetivos concretos que as motivaram a este intento. Alguns buscam apenas a formação jurídica, de forma a conhecer a fundo os direitos e obrigações. Mas, a grande maioria busca prosperidade financeira e sonham em ter uma vida digna e respeito social.

 

                Após a conclusão do curso muitos ainda possuem apenas o intento que os levaram a ingressar na faculdade, sem estabelecer regras e planos futuros.

 

                Ainda que sejam motivos legítimos, não se fazem por imprescindíveis e suficientes. Indubitavelmente a vontade de vencer nas carreiras jurídicas é um dos elementos indispensáveis e relevantes a esta conquista, contudo deve ser coligado a outro elemento, de fundamental importância, que é o dom.

 

                A formação acadêmica jurídica abre oportunidades de ingresso em carreiras tão belas quanto importantes. Por serem carreiras que tem como objeto fatores sociais diversos, possuem abrangências materiais distintas uma das outras. A função de um delegado de polícia, por exemplo, é distinta da função de um procurador do Estado.

 

                Diante desta inicial premissa, surge o primeiro obstáculo: como se empenhar por algo que até mesmo eu desconheço o sentido? O simples intento em auferir rendimentos é insuficiente para gerar no candidato força de vontade necessária para suplantar essa árdua fase de preparação, uma vez que existem outros meios de ser bem sucedido, que não importam sacrifício e dedicação tamanhos idênticos àqueles exigidos daqueles que se preparam para a aprovação em uma carreira jurídica pública. Para tanto é necessário um elemento pessoal, que ligado à vontade, movimenta todos os atos que objetivam a maximização dos fins iniciais.

 

                O dom, a vocação, nada mais é do que o propósito de vida. Cada um de nós tem talentos próprios. Ninguém é bom em tudo o que faz. Todos nós temos um talento singular, próprio de cada indivíduo. Tais talentos se desenvolvem com a personalidade e princípios que alicerçam cada indivíduo.

 

                É um componente que se reflete, inclusive, nas carreiras jurídicas. Não é por originar de uma mesma ciência que as carreiras jurídicas exigem profissionais com dons idênticos. Estas carreiras, apesar de derivar da ciência do Direito, se fundamentam em elementos materiais da sociedade e, portanto, seguem funções diferenciadas e, às vezes, até contrapostas uma das outras. O papel desempenhado por um Magistrado é distinto da função do Promotor de Justiça, ainda que ambos tenham a mesma finalidade, qual seja, a de aplicar o Direito. 

 

                Inicialmente nos perguntamos, em que pese a sua importância, existiriam medidas de averiguação do dom? A inquirição sobre o dom a respeito de sua importância pode ser verificada por meio de algumas perguntas, indagações, críticas.

 

                A busca do talento individual, preliminarmente, pode ser examinada por meio de prognóstico particular a respeito da execução de funções de determinado cargo previamente pretendido. O campo de possibilidades é amplo. Em relação ao tempo, a título de exemplo, temos que muitas vezes que praticamos um exercício que nos transmite prazer, o tempo passa imperceptível, ao passo que as atividades não prazerosas parecem se perpetuar. Aqueles que ignoram o talento singular formam-se profissionais descontentes e insatisfeitos, desempenhando mal suas funções em detrimento de toda a sociedade.

 

                Para evitar futuras surpresas indesejáveis, antes da própria análise vocacional preliminar, faz-se interessante uma pesquisa no que tange às atribuições de cada cargo público a ser disputado. Evitar-se-á assim que o profissional, recém aprovado, se depare com funções contrárias inclusive à sua formação pessoal.

 

                A investigação da verdadeira vocação é, sobremaneira, relevante tanto para o candidato à função almejada, quanto para a coletividade. Há também o efeito transindividual da opção que se faz no momento da inscrição para determinado concurso público, tendo em vista que dentre muitos que sofrerão as conseqüências de uma escolha mal feita está a coletividade, que terá à sua disposição um profissional descontente com seu trabalho e consequentemente desempenhará seu mister de modo ineficaz, obtendo resultados insatisfatórios.

 

                A verificação das vocações passa pela análise da personalidade de cada indivíduo. Cada um de nós traz consigo atributos próprios que servem de bússola nas escolhas tomadas e rumos que damos à nossa vida. A busca da realização profissional perene deve utilizar este instrumento valioso, de modo a evitar futuramente a sensação de frustração.

 

                Os valores atribuídos a titulo de remuneração não são suficientes para acalentar os sofrimentos criados por uma decisão tomada de forma açodada.

 

                Outro efeito da escolha bem feita é a irrelevância do tempo em que tal resultado será conquistado. Se aquilo que se quer é fruto de um verdadeiro querer, insignificante se torna o tempo para que se atinja o objetivo, uma vez que este (verdadeiro querer) será a mola propulsora de todo o processo e estímulo nos momentos de turbulências. Em contrapartida, aquele que se aventura em determinada carreira apenas pela sua remuneração, ou por mero empreguismo, não conseguirá alcançar tal intento, já que demonstra dirigir sua personalidade para o materialismo, bem como pelos resultados imediatos, contrariando todas as regras ordinárias do processo de preparação para os concursos públicos, que demandam tempo, trabalho e esforço.

 

                Para que se possa colher os frutos da preparação para os concursos é indispensável um longínquo e árduo processo preliminar que envolve paciência e escolhas ponderadas. A preparação tem como finalidade a aprovação não no concurso, seja ele qual for, mas sim em determinada carreira jurídica.

 

                O caminho torna-se mais extenso quando não se tem um mapa, uma bússola ou um direcionamento, ainda que ligeiro. Atitudes tresloucadas ou de afogadilho tornam-se obstáculos criados pelos próprios candidatos, uma vez que nem todas as provas têm as mesmas matérias examinadas e ainda que tenham, não possuem o mesmo valor (peso). Por isso, é muito importante a reflexão do caminho a ser traçado, evitando assim muitas dificuldades.

 

                Por todo o exposto, é bom ressaltar que antes de se aventurar em determinada carreira, imperativo se faz o exame de vocação, realizado em especial, de forma individual e singular, de modo que a felicidade estará sempre presente, tanto durante o processo de preparação, como após a posse no cargo pretendido, aniquilando, desta forma, as possibilidades de frustração futura.

 

 

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