Página Inicial   >   Colunas

LÍNGUA PORTUGUESA A importância da leitura e do hábito da escrita

04/08/2014 por Eduardo de Moraes Sabbag

 

Para o operador do Direito, o escrever bem é fundamental, na medida em que utiliza a linguagem na exteriorização das normas e conceitos jurídicos.

 

Indica o senso comum que quem lê muito, necessariamente, escreve bem. Todavia, na prática, não é bem assim. Nem todos que leem bastante escrevem textos de qualidade. Por outro lado, é impossível escrever bem sem uma boa dose de leitura constando do “currículo”.

 

Adquire-se, com o hábito da leitura, cultura geral, um requisito para ser um bom e crítico escritor. Além disso, o contato com o texto de qualidade faz com que se apreenda, mesmo que inconscientemente, a forma da narrativa, a estrutura das orações, a colocação e a força das palavras.

 

Os artigos de opinião e os editoriais de jornais e revistas, por exemplo, são ótimos mecanismos para a observação e aquisição do domínio das estruturas dissertativas, além, é claro, de serem uma excelente fonte para o enriquecimento do vocabulário e do senso crítico. Entretanto, é bom frisar: nada substitui a prática habitual da escrita.

 

Não há grandes segredos para se escrever bem, ainda que o propósito seja variado: artigos, reportagens, dissertações, poemas, romances, peças processuais, etc. Se tiver empenho, esforço, disciplina e uma boa dose de paciência tenderá a adquirir o bom controle da técnica redacional. Sobre esse tema, podemos citar o ilustre escritor português Eça de Queiroz, o qual já dizia: “A simplicidade do texto resulta sempre de um violento esforço. Não se atinge uma expressão fácil, concisa e harmoniosa, sem longas e tumultuárias lutas em que arquejam juntos espírito e vontade”.

 

Sempre ensino aos meus alunos: “leia com vontade tudo o que cair à mão, mas dê preferência aos textos de qualidade. E, na mesma medida, exercite a escrita, por meio de atividades que estimulam a criatividade textual. Entretanto, lembre-se de que é preciso dominar a gramática normativa para não ‘fazer feio’”. 

 

Com o propósito de praticar a escrita, sugiro que se mantenha um diário, que se façam redações, que se escrevam contos, poemas e até romances. A leitura e a escrita são igualmente importantes para se escrever bem e, consequentemente, para fazê-lo um melhor operador do Direito.

 

Biblioteca

 

É indispensável que, durante os estudos, você tenha acesso a boas obras, ou seja, bons livros de referência. São eles que sanarão as suas dúvidas e darão elementos para um enriquecimento das suas capacidades. Sejam próprios, emprestados ou de bibliotecas, procure manter um fácil acesso a eles. Acompanhe a lista a seguir:

a)  Um bom Dicionário: recomenda-se o dicionário completo e atualizado, especialmente após o Acordo Ortográfico. Hoje já existem as versões digitais dos dicionários, que são uma verdadeira “bênção” para os mais preguiçosos. Tais versões suprem satisfatoriamente o material impresso;

b)  Uma Gramática: há várias gramáticas de qualidade disponíveis. Escolha a de sua preferência, com o linguajar que mais lhe agrada. Mas só valem as gramáticas completas. As versões “míni” só são úteis em situações emergenciais;

c)  Um Dicionário de Dificuldades: em muitas ocasiões, as dúvidas de Língua Portuguesa, afetas às regras da gramática normativa, não são facilmente sanadas. Por conta disso, é importante que você tenha um bom Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, no qual você poderá elucidar as questões mais sutis e delicadas quanto ao bom uso do nosso idioma;

d)  O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP): editado pela Academia Brasileira de Letras – hoje em sua 5ª edição (2009), já atualizada com o Acordo –, representa um levantamento de todas as palavras em língua portuguesa, com indicação de sua grafia, prosódia, ortoépia, classe gramatical e outras informações úteis. Se a palavra não está no VOLP, ela não existe no idioma pátrio, pelo menos oficialmente. Difere do dicionário, por não conter o significado das palavras. Atualmente, é obra fundamental, tendo em vista o recente Acordo Ortográfico celebrado entre os países de Língua Portuguesa e as dezenas de dúvidas advindas de suas normas.

 

IMPORTANTE:
ao surgir uma dúvida, por exemplo, quanto à grafia de uma palavra ou quanto à sintaxe de uma oração, busque socorro imediatamente na obra de referência adequada. Não deixe para depois nem permaneça com a dúvida. É muito comum ouvir por aí que se tem “preguiça” de consultar uma gramática ou um dicionário. Tal conduta não é adequada a quem almeja escrever bem. Abra o livro! Encontre a solução para a sua dúvida! O conhecimento é cumulativo, e, cada vez que nos socorremos de uma obra de referência, significa dizer que uma vez a menos teremos de consultá-la no futuro.

 

 

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

EDUARDO DE MORAES SABBAG

Eduardo de Moraes Sabbag

Advogado, Professor e Autor de Obras Jurídicas, entre elas o "Manual de Direito Tributário" pela Editora Saraiva; Doutor em Direito Tributário, pela PUC/SP; Doutorando em Língua Portuguesa, pela PUC/SP; Professor de Direito Tributário, Redação e de Língua Portuguesa. Site e Redes Sociais: professorsabbag.

Site | Facebook / Twitter

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2019 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br