Página Inicial   >   Colunas

Crônica Forense A Hora-Extra

08/01/2009 por Roberto Delmanto

Na época -  meados do século passado - os escritórios de advocacia criminal eram menores e ainda não havia computadores. Tudo era feito nas antigas máquinas de datilografia mecânicas, já que não existiam sequer as elétricas.

 

Para esse mister, meu pai Dante, que escrevia suas petições e razões à mão, dispunha de duas eficientíssimas secretárias, capazes de datilografar em um só dia dezenas de páginas com perfeição, sem quase nenhum erro.

 

Mas quando o serviço apertava, convidava um escrevente do Fórum Criminal para, após o expediente, auxiliar suas secretárias.

 

O escrevente adorava, assim como sua família, pois meu pai era generoso e as horas-extras trabalhadas ajudavam, e muito, no orçamento doméstico.

 

Só que, depois de alguns anos, o escrevente, tendo arranjado uma amante, passou a chegar tarde em casa todos os dias da semana, alegando sempre que tinha ido fazer hora-extra para meu pai.

 

Cansada desta situação, a mulher dele telefonou certo dia para meu genitor, dizendo que era muito grata por tudo que havia feito pelo marido, mas que o fato dele trabalhar até tão tarde estava prejudicando o relacionamento do casal.

 

No dia seguinte, um tanto assustado, o escrevente ligou para meu pai para agradecer-lhe pela "compreensão"; ele respondeu que entendia a situação, mas que, infelizmente, a partir daquela data ele estava "despedido"...

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2019 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br