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Crônicas Forenses A Cliente

04/09/2006 por Roberto Delmanto
 

O conhecido otorrino possuía um movimentado consultório em importante avenida de São Paulo.

 

Após quase trinta anos de casado, separou-se da mulher para viver com outra bem mais moça.

 

A esposa ingressou com uma ação de separação litigiosa cumulada com um pedido de pensão alimentícia provisória. O juiz fixou esta em um valor muito alto, mesmo para o nível econômico do médico.

 

Aconselhado por seu advogado, o otorrino passou a atrasar sistematicamente o pagamento da pensão, procurando forçar a mulher a um acordo mais razoável.

 

Certa tarde, estando o médico em seu consultório, com todos os horários lotados e a sala de espera cheia, a secretária veio avisar-lhe que uma mocinha que passava pelo local e vira a placa do consultório, pedia para ser atendida, pois estava com uma forte dor de ouvido.

 

O otorrino, homem caridoso e humano, fiel ao juramento de Hipócrates, disse à secretária que, se a jovem aguardasse, entre um cliente e outro, a atenderia.

 

Após algum tempo, no intervalo entre duas consultas, mandou que a moça entrasse em sua sala. Após cumprimentá-la e pedir que se sentasse, indagou-lhe o que estava sentindo.

 

Foi aí que a jovem, desculpando-se pelo estratagema usado, identificou-se como investigadora de polícia da Delegacia do bairro.

 

Informou-lhe, então, que estava ali para cumprir um mandado de prisão civil contra o médico, por trinta dias, por falta de pagamento da pensão alimentícia.

 

O otorrino quase teve um enfarte. Atônito, explicou à investigadora que, no final da tarde, ainda precisava visitar dois clientes que operara de manhã.

 

A jovem policial foi intransigente. Eram quase 15 horas e o Delegado Titular a aguardava até às 18 horas, com o mandado de prisão cumprido. Se o médico quisesse, poderia telefonar para seu advogado.

 

Por sorte, o otorrino o encontrou em seu escritório, no centro da cidade, a qual foi correndo até o Fórum e lá pagou a pensão devida com um cheque de sua própria emissão, obtendo um contramandado de prisão que conseguiu levar ao consultório do cliente pouco antes das 18 horas.

 

Refeito do susto, o médico jamais voltou a atrasar a pensão provisória fixada, até que, finalmente, chegou a um acordo com a esposa.

 

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

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