Página Inicial   >   Artigos

ATUALIDADE O que é coaching jurídico e o papel do seu coach

01/12/2017 por Marcelo Hugo da Rocha

 

O coaching, definido como o processo de transformação e superação através de reflexões estimuladas por perguntas feitas por um coach (profissional), tem, a cada dia, promovido mais o desenvolvimento pessoal e profissional de muita gente (coachee ou cliente) em diversas áreas. Certamente, você já ouviu ou leu depoimentos de quem alcançou metas ou resultados desejados através do coaching ou que passou por uma mudança comportamental ou de mindset (mentalidade), seja como cliente, seja como participante de cursos com estes objetivos (self coaching).

 

Assim, não poderia ser diferente, na área jurídica e que também tem profissionais especializados oferecendo seus serviços de coaching e esse será o tema a ser revelado neste texto. Primeiramente, é importante distinguir dois tipos de coaching jurídico em razão dos seus propósitos: o acadêmico e o profissional. Denomino como acadêmico ou coaching educacional aquele que tem como destino a preparação para provas, que podem ser dentro da graduação (inclusive o Trabalho de Conclusão de Curso – TCC), do Exame de Ordem, para ingresso em seleções de mestrado e doutorado e também para os concursos jurídicos.

 

A questão vocacional deve ser enfrentada nesta etapa para evitar que a conquista de qualquer dos objetivos anteriores citados não seja em vão. Sabe-se que o curso de Direito tem a tradição de oferecer muitas oportunidades, motivo que atrai muitos jovens que decidirão, no transcurso da faculdade, o seu destino depois da formatura. Também não é desconhecimento que a maioria pretende uma vaga no serviço público, o problema é que a imaturidade ou a falta de informações impede que destinem seus esforços para determinada carreira. Nestes casos, o coaching busca revelar a verdadeira motivação para as escolhas ainda durante o período de formação acadêmica.

 

O coaching jurídico acadêmico, em geral, tem o foco na preparação pedagógica e psicológica do graduando e do bacharel em Direito, reflexionando na otimização do tempo, nas técnicas ou métodos de estudos, na execução do próprio aprendizado, na gestão emotiva para blindar a mente do candidato das pressões internas e externas, especialmente, a ansiedade e seus efeitos psicossomáticos. Vencer crenças limitantes é um objetivo natural de todo processo de coaching e os efeitos colaterais são todos positivos, desde a redescoberta do propósito de vida do coachee até a superação de possíveis medos sociais. O que procurar, como fazê-lo e onde, são os desafios da relação entre coach e seu cliente no exercício constante da autoconscientização.

 

O coaching jurídico profissional tem outro propósito e um público distinto. Atende mais as questões internas e externas de advogados, juízes, promotores e operadores do Direito em geral. O processo ocorre do mesmo modo, através de uma seleção poderosa de perguntas dentro de uma relação de confiança entre coach e o coachee. Entre as questões ditas internas, é possível destacar a própria falta de motivação do profissional com o seu trabalho, fracassos, dúvidas sobre sua performance, desorientação vocacional, enfim, diversos pontos que olhos não veem, mas o coração sente. A frieza da letra da lei e sua permanente atualização, as frustrações que a injustiça impõe, o paradoxo dos prazos exíguos com a lentidão dos trâmites processuais, são algumas características negativas intrínsecas deste meio.

 

Por outro lado, há questões externas que sufocam a atividade e o profissional, como a desorganização funcional, as relações conflitantes com os colegas e subalternos, condutas omissivas, improdutividade, pouca eficiência e a incapacidade de administração do tempo. Portanto, o coaching jurídico não é só para advogados e a manutenção de seus escritórios, mas também pode ser aplicado nas instituições públicas como já vem sendo realizado em muitos lugares pelo país. Muitos perguntam se o coaching somente deve ser procurado como solução para problemas. Não, como um médico também não serve apenas para curar, mas para prevenir doenças.

 

Porém, além da cura e da prevenção, o coaching pode potencializar performance sem estar vinculado a qualquer enfermidade quando houver margem para crescimento e sempre tem! Superar limites é da essência humana, caso contrário a evolução teria sido apenas um sonho divino. No entanto, a tal “zona de conforto” é o padrão médio da humanidade, porque os olhos acreditam apenas no que enxergam e esta visão é limitante. Virtudes como a curiosidade e abertura ficam adormecidas pela sensação de conforto e a imobilidade se torna a regra. Relembro que o conceito de processo é movimento, ação, institutos tão comuns no meio jurídico. Ocorre que criamos raízes, esperando que os frutos sejam constantes e fartos, mesmo que leve muito tempo, mas que acaba interrompido por expectativas frustradas.

 

O coach tem as ferramentas necessárias para evolução pessoal e profissional, cujas respostas podem estar mais perto do que se imagina: dentro do próprio coachee. Este é o seu papel, gerar a autoconscientização. Assim, o coaching não é consultoria (dar conselhos), nem sessão de terapia (terapeutas e psicólogos são os profissionais indicados). É muito mais uma provocação construtiva, de desenvolvimento e desempenho como um aprendizado. Não é o destino, mas o caminho. O conceito de coach do Marshall Goldsmith, um dos mais populares coaches do mundo, resume muito bem o seu papel quando afirma que é “uma fonte de meditação, criando uma ponte para superar a distância entre o planejador visionário e o realizador míope que existem dentro de nós”.

 

“Meditar” nada mais é que pensar sobre algo, e diante de uma vida que não temos nem tempo para “tomar um fôlego”, refletir sobre questões pessoais, mesmo que vitais, fica para o final da fila das tarefas cotidianas nunca vencidas. Somos ótimos planejadores, porque na próxima segunda-feira começarão os estudos, a dieta ou a academia, mas a realização não nem chega perto do que esperávamos. Importa destacar que o coaching não é mágica e, por isso, não salvará o mundo de ninguém em 24 horas. Como toda aprendizagem, a construção do caminho deve seguir uma pavimentação segura e consistente, inclusive, o coaching jurídico, seja acadêmico, seja profissional.

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

MARCELO HUGO DA ROCHA

Marcelo Hugo da Rocha

Escritor, professor, palestrante, coach da plataforma Saraiva Aprova, autor da obra ‘Poder da Aprovação: Coaching + Mentoring para OAB e Concursos’ (Editora Saraiva), mestre em Direito, advogado.

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2017 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br