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CONCURSOS Minha trajetória nos concursos

02/09/2011 por Wander Garcia

Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Foi quando eu estava no 4º ano da faculdade, inspirado por um amigo, que era juiz, e pela esposa dele, que é procuradora do município.

Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

Comecei a me preparar quando estava no início do 5º ano da faculdade. Meu método foi misto: a) para as disciplinas mais importantes, fazia fichamentos de livros e leitura de lei; b) para as demais, só fazia a leitura de lei. Paralelo ao estudo téorico, resolvia provas de concursos anteriores. Aliás, eu era conhecido como o "homem-prova", pois tirava cópia de todas as provas possíveis. Na época, não existia livro de questões, muito menos de questões comentadas e classificadas.  Esse estudo focado em TEORIA + LEGISLAÇÃO + QUESTÕES fez com que eu sempre ficasse nas primeiras colocações em provas objetivas, inclusive no concurso da procuradoria - à época, o concurso mais concorrido de São Paulo -, em que fui primeiro colocado na 1º fase, acertando 90 das 100 questões da prova.

Quanto tempo demorou para ser aprovado no primeiro concurso?

Demorou dois anos. Mas não foi fácil. Eu trabalhava 8 horas por dia, tinha namorada, visitava minha família nos finais de semana e ainda fazia caminhadas para manter a disposição física e mental. Com tudo isso, sobrava apenas 3 horas por dia de estudos e, nos finais, de semana, estudava umas 5 horas por dia. Em contrapartida, eu tinha vários amigos que estudavam 12 horas por dia. Portanto, eu tinha que ter um diferencial para passar. E o meu diferencial foi justamente o estudo acima mencionado, somado a uma disciplina rigorosíssima. Eu marcava na minha agenda os horários de estudo e ligava pra todo mundo pra avisar sobre os horários de meus estudos.

A Advocacia Pública sempre foi seu foco principal?

Não. Logo que comecei a estudar, meu foco era a magistratura. Com quatro meses de formado, cheguei a ir para uma prova oral desse exame. No oral, respondi a quase tudo, mas fiquei um pouco nervoso e isso atrapalhou um pouco. Meses depois, fui para o oral do Ministério Público, e, faltando poucos dias pra minha prova, o concurso foi anulado por fraude. Bom, acredito que não era meu destino passar nesses concursos, pois, dois meses depois, conversando com o mesmo casal que me inspirou a fazer concursos públicos, meu amigo, que era juiz, disse que eu tinha dado sorte de ter dado errado os dois concursos que tinha prestado, pois minha vocação era outra: era ser procurador. E não deu outra. Logo em seguida fiz o concurso, acabei passando e estou há mais de 10 anos nessa maravilhosa carreira.

O senhor sofreu alguma cobrança de familiares e amigos pelo resultado pretendido?

No fundo, acredito que a maior cobrança é sempre de nós mesmos. As famílias, em geral, sabem da dificuldade de se passar num concurso público. E quanto aos amigos, tomei certos cuidados. Estudei praticamente sozinho. Meus instrumentos eram livros, leis e questões. Não ficava nos ambientes dos cursinhos. Esses ambientes costumam deixar os concursandos muito tensos. Como eu fiquei meio alheio aos burburinhos, acabei correndo por fora, sem pressão alguma, e fui um dos primeiros da minha turma a passar num concurso público de ponta. Aliás, quem não gosta do ambiente de cursinho tem muitas alternativas hoje, já que não faltam livros para concursos e há cada vez mais cursos de qualidade via internet, como o que coordeno atualmente.

Depois de aprovado, como foi sua rotina de procurador do município recém empossado?

Foi muito difícil. Quase todos os dias eu era "expulso" do prédio do Departamento Judicial, pois eu precisava ficar até mais tarde para dar conta dos inúmeros prazos processuais a cumprir, mas o prédio tinha horário pra fechar. Não bastasse, fui para uma Subprocuradoria complicada, cuja competência envolvia ações civis públicas, improbidade, meio ambiente, saúde, educação e contratos administrativos. Mas aos poucos, com a ajuda dos colegas, superei a dificuldade inicial e tudo foi um grande aprendizado.  

Quais são as atividades que um procurador do município exerce? Como é a rotina profissional?

O Procurador do Município pode atuar em duas frentes. A primeira, na advocacia contenciosa, defendendo o Município em juízo. A segunda, na advocacia consultiva, dando pareceres e orientando a Administração Pública, para que a lei seja obedecida e para que se desenvolvam as atividades fiscalizatória, arrecadatória e de implementação de Políticas Sociais. Nos meus primeiros cinco anos de carreira, atuei na primeira função. Em seguida, atuei na segunda e, desde o mês passado, respondo pela Direção da Escola Superior de Direito Público Municipal.

Qual foi o momento mais engraçado ou curioso da sua carreira até agora?

O momento mais curioso foi numa audiência que tratava de acessibilidade em favor de deficiente físico. Na presença do promotor e do juiz, fiz uma proposta de acordo. O promotor, meio alterado, disse que não era possível fazer acordo nessa matéria. Foi quando eu me lembrei de que o prédio do fórum em que estávamos também não tinha acessibilidade e que, da mesma forma, caberia uma ação contra o Estado. Falei isso com um certo cuidado e o juiz, meio sem graça, acabou propondo dois acordos: um para resolver a ação da Prefeitura, a ser celebrado nos autos, e outro, a ser celebrado em "off", para que o fórum sofresse adaptação urgente. O promotor de justiça acabou se rendendo ao acordo e os deficientes, hoje, agradecem a dupla vitória ocorrida naquele dia.

Quando um acadêmico ou bacharel toma a decisão de ingressar numa carreira pública, qual o primeiro passo a ser dado?

Organizar a vida para iniciar os estudos. Isso importa em conversar com a família sobre a nova empreitada, em pedir ajuda para as pessoas próximas, em reservar horários na agenda e em estudar certo. E estudar certo depende de teoria (doutrina e jurisprudência), leitura de lei e resolução de questões. 

O que deve esperar o concursando na hora de optar pela carreira na Procuradoria Municipal da Cidade de São Paulo?

Deve esperar um local em que há muito trabalho, mas muitas oportunidades também. É possível trabalhar com direito constitucional, administrativo, tributário, ambiental, consumidor, previdenciário, financeiro, urbanístico, dentre outros segmentos muito interessantes. Enfim, a gama de funções é muito variada, permitindo um constante aprendizado. Ademais, trata-se de um trabalho honesto e com grande repercussão social, o que certamente o deixa ainda mais atraente.

 

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WANDER GARCIA

Wander Garcia
Procurador do Município de São Paulo, Doutor e Mestre em Direito pela PUC/SP, Coordenador e Professor do IEDI - Cursos Preparatórios online, autor de diversas obras jurídicas, dentre elas "Manual de Direito Administrativo" (ed. Forense), "Como Passar em Concursos Jurídicos" e "Como Passar na OAB" (Editora Foco).

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