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ENTREVISTA CONCURSOS Minha trajetória nos concursos - Sofia Mutchnik

01/04/2010 por Sofia Mutchnik

Carta Forense - Em que momento decidiu se enveredar pelos concursos públicos?

Sofia Mutchnik - Desde a faculdade, conforme passava a conhecer o cotidiano dos professores membros de carreiras públicas e, ao mesmo tempo, conhecia a rotina da advocacia privada nos estágios que vivenciei, percebi que tinha mais afinidade com o serviço público.

 CF - Quando iniciou seu preparo? Qual metodologia usou?

SM - Já na faculdade eu me preocupava em estudar para utilizar os conhecimentos lá adquiridos na minha futura profissão e não, simplesmente, para ser aprovada. Isso me deu uma boa bagagem para evoluir nos meus estudos após o término do curso. Depois de formada, freqüentei cursos preparatórios que auxiliam muito na atualização dos temas a serem estudados. Além disso, lia muitas obras jurídicas. Mas, paralelamente, mantive uma atividade prática na área, pois a discussão de demandas jurídicas reais sempre me auxiliaram na compreensão da teoria.

CF - Que medidas a senhora tomava para enfrentar as matérias em que tinha mais dificuldade?

SM - Nas matérias que tinha mais dificuldades, lia obras gerais de doutrinadores consagrados buscando encontrar os conceitos basilares que não havia fixado durante o curso de Direito e, assim, tentava alcançar os debates importantes da disciplina. Também procurei atuar nessas áreas, auxiliando profissionais nas suas atividades cotidianas, atrelando os conhecimentos teóricos com sua respectiva aplicação prática.

CF - A Advocacia Pública  sempre foi seu foco principal?

SM - As matérias fundamentais para o desenvolvimento das atividades da Advocacia Pública, quais sejam, o Direito Constitucional, o Direito Administrativo e o Direito Tributário sempre foram de minha preferência, assim, a Advocacia Pública me pareceu uma opção natural, consoante com o meu perfil.

CF - A senhora sofreu com a cobrança de familiares e amigos em relação à aprovação?

SM - Não me senti pressionada por amigos ou familiares em nenhum momento. A opção por concurso público foi exclusivamente minha e creio que em razão disso, nunca entendi que devia satisfações sobre o sucesso ou fracasso do meu projeto.

CF - Depois de aprovada, como foi sua rotina de procuradora federal recém empossada?

SM - Depois de aprovada, fui lotada numa procuradoria pouco estruturada da Grande São Paulo. Lá fiquei por mais de um ano buscando dar conta do serviço que me competia da melhor forma. Todas as dificuldades que passei nesse início foram importantes para formar o perfil profissional que tenho hoje.

É inerente à atividade do procurador conviver com um volume de serviço muito grande, porém, as dificuldades devem ser encaradas como desafios que venham a melhorar nossa atuação como agentes públicos.

 CF - Qual o momento mais engraçado da sua carreira como procuradora federal? E o mais triste?

SM - Um momento de felicidade que posso destacar foi o dia em que fui convidada a ocupar o cargo de Procuradora Regional (que ainda ocupo), tendo  como meta liderar a reestruturação de minha carreira nos estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. Trata-se de um projeto grande que concede melhor estrutura ao desenvolvimento das atividades da procuradoria, mas, ao mesmo tempo, altera culturas bastante arraigadas em nossa atuação. Acredito nesse projeto e, por isso, sou muito feliz em poder colaborar com sua implantação de uma forma tão significativa.

O momento mais triste que vivenciei ocorreu com a opção do governo em retirar do INSS a atribuição de cobrança das contribuições previdenciárias. Tal alteração significou a retirada das atribuições de cobrança judicial das contribuições previdenciárias dos Procuradores Federais. À época, eu chefiava uma equipe que fazia a cobrança judicial das grandes dívidas previdenciárias. Toda a nossa atuação se findou e não sabíamos sequer como e onde seríamos reaproveitados. As coisas perderam um pouco o sentido para todos os integrantes daquela equipe, eis que não conseguíamos enxergar a reestruturação do governo federal como um todo, e só sentíamos que nosso serviço, feito com toda a seriedade, tinha sido descartado.

Hoje, fico muito feliz em observar que embora todo aquele processo tenha sido muito desgastante, conseguimos encontrar novos desafios dentro da PGF.

CF - O que deve esperar o candidato na carreira dentro da Procuradoria Federal?

SM - Nossos futuros colegas devem esperar por muito serviço. Mas também, por muito coleguismo e cooperação. Encontrarão uma carreira em transformação, buscando modernizar-se e terão espaço para participar ativamente da construção de nossa identidade.

CF - Quais são as metas atuais da Procuradoria Federal?

SM - A PGF tem uma função bem definida desde o seu nascimento, principalmente pelos interesses que representa. Assim,  levando-se em consideração que cabe a esta Procuradoria a representação judicial e administrativa da Administração Pública Indireta, tem como papel principal atuar na defesa jurídica dos setores mais estratégicos e delicados da sociedade, buscando a viabilização última das políticas públicas mais sensíveis em nosso cotidiano - v.g. o PAC do Governo Federal.

Dentro dessa miríade de atividades tratadas pela PGF, almejamos oferecer  caminhos jurídicos seguros ao Administrador Público Federal, evitando a judicialização de litígios e prestigiando o diálogo com as demais instituições.

CF - Quais são as possibilidades de trabalho dentro da carreira?

SM - Dada sua atuação multidisciplinar, pode-se trabalhar desde a defesa do Meio Ambiente até a defesa do Mercado de Capitais e da Ordem Econômica, passando por Projetos Estatais ligados a atividades como, previdência pública, reforma agrária, saúde pública e atividades de regulação, dentre muitos outros que são tratados sob seus aspectos jurídicos pela Procuradoria Geral Federal.

CF - Como a senhora explica o relacionamento PU, PFN e PF dentro da AGU?

SM - Cada um destes órgãos tem funções muito bem definidas.  Em apertada síntese. a Procuradoria da União tem por função a representação judicial dos interesses da União, salvo os de natureza tributária, que é, justamente, o campo de atuação da Procuradoria da Fazenda Nacional. Quanto a Procuradoria Geral Federal, tem por função a defesa dos interesses das Autarquias e Fundações Públicas Federais, inclusive os tributários.

Acredito que passamos por um período de adaptação entre as três carreiras que foram instituídas em circunstâncias diversas e hoje encontram-se albergadas dentro da mesma organização, a Advocacia Geral da União. Porém, é certo que tal agregação gera efeitos práticos positivos. Hoje, há uma notável cooperação entre as estruturas, as carreiras estão mais próximas e com uma melhor interlocução, resultado de uma gestão inteligente da Advocacia-Geral da União.

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SOFIA MUTCHNIK

Sofia Mutchnik
Procuradora Regional Federal da 3a. Região - SP/MS.

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